"Tem gente que acha loucura sentir dor para parir.
Muitas coisas na vida são mais loucas e as pessoas fazem. E sem que haja bem estar algum em jogo. Pense no seu parto como se fosse um passeio de montanha russa. Essa foi a melhor metáfora que encontrei! Imagine a sua gestação como uma daquelas filas enormes em dia de excursão de escola no Playcenter. No verão. Você ali esperando aquela fila se deslocado devagar... muito devagar. Você cansada, os pés doendo. Você vê gente com medo, apreensiva. Gente empolgada que descreve como vai ser para quem nunca andou. E você ali. Sem saber o que esperar. Você também escuta alguns: você é louca! Andar nisso aí??? Nunca!!! Você não viu aquela montanha russa lá em Ximbiquinha do Sudoeste que quebrou e matou todo mundo? E o pior foram os que ficaram mutilados pro resto da vida!
Você faz ouvido mouco e continua ali. Avançando devagarinho. Não tem pra onde ir, é tarde pra pular fora, as grades que separam a fila são altas, só dá pra seguir em frente. Aí você vê quem está saindo, gente meio tonta, com uma expressão que você não entende, cambaleando, passando mal. E você pensa: onde é que eu fui me meter?
Quando você está chegando perto o cansaço está maior, você tem que ficar encostada quase o tempo todo. Ai, não chega nunca. Pra melhorar no finalzinho ainda tem uma baita escada pra subir na plataforma de embarque. Bem que podia ter uma escadazinha rolante aqui...Você chega na ultima parte da fila. De repente parece que toda aquela morosidade foi embora. A fila anda muito mais rápido agora. Ou será que você é quem acha isso porque a hora de embarcar está se aproximando? Subir as escadas exige um esforço extra. Parece que seu peso aumentou uns quinze quilos.
Você não sabe se é o calor, o tempo de pé, ou se foi aquele combo gigante de hambúrguer fritas e balde de refrigerante que estão pesando.
Mas você sobe, um degrau de cada vez. E o topo vai se aproximando. É quando você avista: tem uma saída de emergência lá em cima. Saída estratégica pela esquerda. Acho que é nessa que eu vou! Mas aí você pensa. Já vim até aqui... e se for tudo o que dizem mesmo? Como é que eu vou saber? Que o destino decida então: vou jogar uma moeda. Se der cara eu vou. Cara! Melhor de três então. Cara de novo. Ai, ai... Continua avançando. Ah, se aquela mocinha desmilinguida embarcar, eu vou também. Se ela consegue eu também. Ela embarca.
Ok, acho que vou. a não ser é claro que chova. Se não for totalmente seguro não vou. E eu acho que estou vendo uma nuvenzinha lá longe. Se o carrinho que vier for vermelho também não! Vermelho me dá um azar! E eu não vou arriscar. Sua vez está chegando, você já vai chegar na plataforma. Uma moça amarela bem na sua frente, sai correndo pela saída de emergência. Você se estica e consegue enxergá-la lá embaixo, na saída da lojinha... tem alguma coisa na mão, mas o olhar parece meio distante. Eu vou! Não quero ficar imaginando como teria sido.
Chega a sua vez. O coração sobe na boca. O fôlego fica suspenso alguns instantes. Mas você respira fundo e sobe no carrinho. E pensa: ainda bem que não era um vermelho!
A viagem começa devagarinho. Tec tec tec. O carrinho vai subindo devagar. Tranquilo. Não é tudo aquilo! Que povo medroso! Dá até pra tirar a mão. Ainda bem que não desisti! A brisa no rosto. A paisagem tão linda. Ainda bem que fui forte!
Sobe, sobe, sobe. Puxa, mas que alto... dá uma vertigem de leve... De repente você se vê no final da subida. C******, que altura, ai, eu vou morrer. Me deixa descer, me deixa sair daqui. F***** da P*** daquela professora que yoga que disse que eu não ia me arrepender. Se estivesse aqui agora, eu matava!!! Será que aquela doula ia fazer muita diferença segurando aqui a minha mão??? Bando de louca... ah, eu mato se eu sair viva daqui! E a minha prima, aquela V*** que me convenceu a vir. Vai ser legal, você vai ver, você vai querer ir de novo. Ai, eu mato, eu mato. Cadê ela? Porque não está aqui? Duvido que quando ela andou foi nessa tão alta, aposto que foi na menor!!!
E vem a descida. O looping, uma subidinha, curva, mais curva, outra curva. Você já não está vendo nada direito, está meio tonta, parece meio fora de si. Tem mais gente gritando, ou será que é você mesma? Está doendo tudo, esse bate bate no carrinho vai doer ainda mais amanhã. Vai parecer que fui atropelada.. . Você nem sabe mais se está de ponta cabeça. Dá medo de olhar. Você espia, fecha o olho de novo. Não quero nem ver. Não vou olhar. Se eu olhar é pior!
Vai chegando no final. O carrinho desacelera. Você está meio abobada, grogue. Alguém ajuda a descer. Você nem vê quem é. Podia ser o Brad Pitt e você não ia nem notar. Seu cabelo está parecendo uma piaçava depois da faxina, mas você esqueceu de prendê-lo. E agora nem lembra mais que tem cabelo. Mas tem alguma coisa diferente. Algo a mais em você. Vim, vi e venci. Sou praticamente um Julio Cesar! Suas pernas cambaleiam um pouco, mas você anda. A brisa bate e aos poucos você se recobra. Levanta a cabeça e sorri. Era só isso? Porque tive tanto medo?
Vou pra fila de novo!
Quem já andou de montanha russa sabe do que estou falando. Quem passou por um trabalho de parto também.
E você, já andou de montanha russa?"
Katia Barga
(louca de pedra)
Página para divulgar meus serviços de doula e informações relativas à gravidez, parto humanizado e maternidade
quarta-feira, 7 de março de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Sete razões para não marcar o seu parto
Retirado de "a maequequeroser.wordpress.com
Compreendo a opção pela cesárea; entendo de onde vem o receio de parir um bebê, sei da falta de informação e de apoio (do médico, da família, da sociedade) ao parto normal e me conformei com a visão vigente de que a via cirúrgica é uma alternativa aceitável. O que não entendo e não vou aceitar nunca é a banalização das cirurgias agendadas sem indicação, às vezes com 36 semanas, como no caso de uma amiga virtual de Facebook, que revelou seu desespero ao saber que sua cunhada, por sugestão do obstetra, havia agendado sua cesária para antes das 37 semanas. Essa criança provavelmente nascerá prematura, precisará passar tempo na UTI neonatal, terá dificuldades iniciando a amamentação, receberá complemento… Enfim, sua vida não terá um começo fácil. O mais triste é que tudo poderia ter sido evitado se seus pais tivessem esperado sua hora de nascer.
Abaixo, ofereço sete motivos para você esperar os primeiros sinais de que o seu bebê esteja pronto para vir ao mundo ao invés de cair no conto do vigário (ou seja, do “lobo cesarista”) e marcar uma cesárea “de emergência” para daqui a uma semana (isso não é emergência – é conveniência, tá?).
1. Saúde
A saúde sempre vem em primeiro lugar, não é mesmo? Toda mãe deseja, antes de mais nada, que o filho seja saudável. Todo obstetra se orgulha em dizer que preza pela saúde do bebê (muitos até usam isso como desculpa para desencorajar o parto normal, o que é uma ignorância e uma covardia sem tamanho, mas isso é outra história). A literatura médica é categórica: cesáreas eletivas feitas antes de completar 39 ou 40 semanas aumentam significativamente (entre 300 e 500%) o risco de problemas de saúde no bebê, especialmente respiratórios (que podem persistir durante toda a infância), mas também de icterícia (que dá ao recém-nascido um aspecto amarelado e está relacionado ao acúmulo de bilirrubina no sangue) e dificuldades para amamentar. Para todo bebê que nasceu “sem sequelas” numa cesárea de 37 semanas (que não é considerado prematuro, mas que poderia ter ido até 40, 41 ou 42 semanas – ou seja, é sim pré-termo), há vários que precisaram de ficar “em observação” por dificuldades respiratórias ou precisaram receber complemento no berçário ou que precisaram de fototerapia por icterícia e achamos isso “normal” porque, infelizmente, a prematuridade tardia (entre 34 e 36 semanas +6 dias) e o a termo precoce (entre 37 e 39 semanas) se tornaram comuns na nossa sociedade. Porém as evidências demonstram algo inconveniente: os males de saúde aumentaram depois que nós começamos a adiantar o nascimento dos nossos filhos. O que me leva, necessariamente, ao próximo ponto.
2. Ética
Clamamos por um mundo com muito mais ética. Demandamos isso dos políticos e dos empresários, mas, por alguma razão, simplesmente acreditamos piamente na ética do nosso médico. De certo modo, faz sentido. Afinal, o médico é alguém que escolheu preservar e proteger a vida e, teoricamente, por uma causa nobre. Fez o milenar juramento hipocrático, onde promete “não causar dano ou mal a alguém”. A verdade, pelo menos na obstetrícia, não é bem assim. A prematuridade iatrogênica (causada pelo procedimento médico e não natural – ou seja, por partos agendados) está aumentando assustadoramente. É por causa dela que os índices de prematuridade são muito maiores nas regiões sul e sudeste (curiosamente, aonde tem mais cesáreas). Infelizmente, a lei do mercado se sobrepôs ao juramento de não fazer mal e muitos médicos (não todos, mas muitos) – para maximizarem seus rendimentos e para não precisarem acordar de madrugada nem deixarem de viajar no feriado – agendam partos na 37a semana, mesmo conhecendo as estatísticas acima. Há uma falta de punição para esse tipo de comportamento e, portanto, cada vez mais profissionais agem desta maneira condenável. Se você acredita na ética e no que é correto, você pode ajudar o seu médico a não desrespeitar o juramento que fez e não concordar em marcar uma cesárea antes da data. E lembre-se: mesmo que 37 semanas não seja considerado prematuro, a não ser que você tenha feito tratamento para engravidar e saiba exatamente o dia em que ovulou e/ou engravidou, a idade gestacional do seu filho é meramente uma estimativa. Uma gestação a termo é 40-42 semanas (somente depois de 42 semanas é que o bebê é considerado pós-termo).
3. Respeito
Como relatei no post O nascimento, do ponto de vista do sujeito, o bebê não é um mero produto do parto, mas um agente ativo. É ele quem envia os sinais para o cérebro da mãe, assim iniciando o trabalho de parto. O anúncio (ao lado) da ONG americana March of Dimes, instituição empenhada em melhorar a saúde materna e infantil, mostra claramente como algumas semanas fazem uma diferença enorme no desenvolvimento do cérebro fetal. Portanto, fica claro que agendar um parto é desrespeitoso à fisiologia do bebê. Sem contar que, muitas vezes, na hora da cirurgia o bebê está dormindo, totalmente despreparado para “ser nascido”, e, assim, o nascimento se torna um choque e, ao meu ver, uma agressão. Você quer que o primeiro contato do seu filho amado com o mundo fora de você seja assim, um susto e, possivelmente, um trauma? Não é melhor respeitar o tempo dele e deixar que os abraços (contrações) do seu útero o preparem para nascer, mesmo que seja via abdominal?
4. Amor
Você já ouviu falar na ocitocina? Também conhecido como “o hormônio do amor”, a ocitocina é uma das substâncias responsáveis pela sensação de conexão, confiança e empatia. O orgasmo depende da secreção desse hormônio e a amamentação também, mas a maior concentração sanguínea do hormônio do amor na vida de uma mulher ocorre durante o trabalho de parto. Não é incrível? Estima-se que essa é a razão pela qual mulheres que parem naturalmente alegam sentir uma ligação profunda e imediata com o filho (um amor instantâneo) enquanto muitas mulheres que não tiveram esse privilégio admitem que a amor visceral pelo filho foi construído. Calma – não estou dizendo que quem tem parto normal ama mais o filho, por favor! O amor é muito mais do que simplesmente hormônios – é social, espiritual e um esforço diário – mas passar pelo trabalho de parto e sentir pelo menos uma fração dessas substâncias prazerosas e incríveis circulando pelo corpo deve ser o máximo. E pode tornar o conturbado período pós-parto um pouco mais ameno.
5. Paciência
A paciência é uma virtude que está se perdendo. Hoje em dia tudo é urgente, é “pra agora”, e a pressa é quase universal. Até quando estamos entre compromissos, no trânsito ou no metrô, sentimos uma pressão por estar “produzindo” – checando emails no smartphone, lendo jornal, resolvendo um problema no telefone… (In)Felizmente, um bebê chega para mudar tudo isso. Crianças requerem paciência. Elas têm o próprio ritmo e tempo, e testam nossa paciência constantemente, seja com suas constantes necessidades (mamadas, fraldas, choros) ou no processo natural de aprendizado (já reparou como precisam repetir tudo infinitas vezes?). Portanto, ter a paciência para esperar a hora de seu filho nascer, conforme manda a natureza e a fisiologia, pode ser uma boa forma de se acostumar com sua nova realidade como mãe – uma realidade onde a paciência será imprescindível para a sua felicidade e sanidade.
6. Espírito de aventura
Eu adoro ouvir a história de como nasci. Minha mãe acordou de madrugada toda molhada, sentindo somente “umas cólicas” e achando que tivesse feito xixi na cama. Precisou ser convencida pela sogra de que estava em trabalho de parto e que a bolsa havia rompido. Chegou no hosptial com 8 cm de dilatação e pariu algumas horas depois. Deve ter sido uma aventura e tanto! Pessoalmente, acho triste que a grande maioria das crianças sendo nascidas hoje teve essa primeira aventura “roubada” – e suas mães também! As mães não vão deixar uma plateia inteira na expectativa, com cara de “quero mais”, ao contarem como sentiram as primeiras contrações, a dúvida de estarem ou não em trabalho de parto, a saída do tampão, o frio na barriga ao perceberem que chegou a hora, os telefonemas de madrugada, o taxista/marido nervoso… Elementos de uma verdadeira história de ação! Quando a geração de hoje perguntar como foi seu nascimento, vai ouvir que o parto foi marcado para o dia tal na hora tal e que ponto final. Pode me chamar de romântica, mas eu encaro a vida como uma grande aventura e da mesma forma que não escolhemos o dia da nossa morte, acho que ao escolherem para nós o dia do nascimento, roubamos um pouco da magia de viver. Deixe o seu filho embarcar nessa vida com o espírito de aventura que ele precisará para aproveitar ao máximo sua temporada aqui na terra.
7. Paz
Tem gente que diz que quando nasce um mãe, nasce junto a mãe culpada, sempre se perguntando se está fazendo o certo, cheia de ansiedades sobre a saúde e bem estar do filhote, com mil e uma perguntas para fazer ao pediatra, à sua mãe, às amigas (íntimas e virtuais)… Tudo isso é normal. A insegurança, as dúvidas e os questionamentos fazem parte do processo. Mas o nível pode ser tolerável ou patológico. Quando você adentra a maternidade impondo conveniências alheias ao processo, negando a seu filho o direito de determinar a hora certa para ele, você já começa “brincando com fogo”, mexendo num processo natural e aumentando o risco de ter problemas mais na frente. Você quer acrescentar mais essa culpa? Não é simplesmente mais fácil respeitar a infinita sabedora desse processo milenar e aguardar, paciente e respeitosamente, o dia e a hora que o destino lhe reservou para dar a luz?
Como você pode ver, numa gravidez normal, de um bebê saudável, o melhor mesmo é esperar a hora “P” chegar. Seu médico pode alegar várias coisas – placenta grau 3, feto macrossómico (grande), cordão enrolado, pressão alta (sem pré-eclampsia), cesárea prévia: nada disso é indicação de cesárea, muito menos de cesárea agendada. Exceto em casos de pré-eclampsia, placenta prévia, placenta abrupta e outras (poucas) ocorrências emergenciais, qualquer cesárea pode ser feita durante o trabalho de parto, com melhores resultados para a saúde do bebê. Enfim, esperar o trabalho de parto é muito mais do que “simplesemente” mais seguro. É sinônimo das virtudes acima: saúde, ética, respeito, amor, paciência, espírito de aventura e paz.
Compreendo a opção pela cesárea; entendo de onde vem o receio de parir um bebê, sei da falta de informação e de apoio (do médico, da família, da sociedade) ao parto normal e me conformei com a visão vigente de que a via cirúrgica é uma alternativa aceitável. O que não entendo e não vou aceitar nunca é a banalização das cirurgias agendadas sem indicação, às vezes com 36 semanas, como no caso de uma amiga virtual de Facebook, que revelou seu desespero ao saber que sua cunhada, por sugestão do obstetra, havia agendado sua cesária para antes das 37 semanas. Essa criança provavelmente nascerá prematura, precisará passar tempo na UTI neonatal, terá dificuldades iniciando a amamentação, receberá complemento… Enfim, sua vida não terá um começo fácil. O mais triste é que tudo poderia ter sido evitado se seus pais tivessem esperado sua hora de nascer.
Abaixo, ofereço sete motivos para você esperar os primeiros sinais de que o seu bebê esteja pronto para vir ao mundo ao invés de cair no conto do vigário (ou seja, do “lobo cesarista”) e marcar uma cesárea “de emergência” para daqui a uma semana (isso não é emergência – é conveniência, tá?).
1. Saúde
A saúde sempre vem em primeiro lugar, não é mesmo? Toda mãe deseja, antes de mais nada, que o filho seja saudável. Todo obstetra se orgulha em dizer que preza pela saúde do bebê (muitos até usam isso como desculpa para desencorajar o parto normal, o que é uma ignorância e uma covardia sem tamanho, mas isso é outra história). A literatura médica é categórica: cesáreas eletivas feitas antes de completar 39 ou 40 semanas aumentam significativamente (entre 300 e 500%) o risco de problemas de saúde no bebê, especialmente respiratórios (que podem persistir durante toda a infância), mas também de icterícia (que dá ao recém-nascido um aspecto amarelado e está relacionado ao acúmulo de bilirrubina no sangue) e dificuldades para amamentar. Para todo bebê que nasceu “sem sequelas” numa cesárea de 37 semanas (que não é considerado prematuro, mas que poderia ter ido até 40, 41 ou 42 semanas – ou seja, é sim pré-termo), há vários que precisaram de ficar “em observação” por dificuldades respiratórias ou precisaram receber complemento no berçário ou que precisaram de fototerapia por icterícia e achamos isso “normal” porque, infelizmente, a prematuridade tardia (entre 34 e 36 semanas +6 dias) e o a termo precoce (entre 37 e 39 semanas) se tornaram comuns na nossa sociedade. Porém as evidências demonstram algo inconveniente: os males de saúde aumentaram depois que nós começamos a adiantar o nascimento dos nossos filhos. O que me leva, necessariamente, ao próximo ponto.
2. Ética
Clamamos por um mundo com muito mais ética. Demandamos isso dos políticos e dos empresários, mas, por alguma razão, simplesmente acreditamos piamente na ética do nosso médico. De certo modo, faz sentido. Afinal, o médico é alguém que escolheu preservar e proteger a vida e, teoricamente, por uma causa nobre. Fez o milenar juramento hipocrático, onde promete “não causar dano ou mal a alguém”. A verdade, pelo menos na obstetrícia, não é bem assim. A prematuridade iatrogênica (causada pelo procedimento médico e não natural – ou seja, por partos agendados) está aumentando assustadoramente. É por causa dela que os índices de prematuridade são muito maiores nas regiões sul e sudeste (curiosamente, aonde tem mais cesáreas). Infelizmente, a lei do mercado se sobrepôs ao juramento de não fazer mal e muitos médicos (não todos, mas muitos) – para maximizarem seus rendimentos e para não precisarem acordar de madrugada nem deixarem de viajar no feriado – agendam partos na 37a semana, mesmo conhecendo as estatísticas acima. Há uma falta de punição para esse tipo de comportamento e, portanto, cada vez mais profissionais agem desta maneira condenável. Se você acredita na ética e no que é correto, você pode ajudar o seu médico a não desrespeitar o juramento que fez e não concordar em marcar uma cesárea antes da data. E lembre-se: mesmo que 37 semanas não seja considerado prematuro, a não ser que você tenha feito tratamento para engravidar e saiba exatamente o dia em que ovulou e/ou engravidou, a idade gestacional do seu filho é meramente uma estimativa. Uma gestação a termo é 40-42 semanas (somente depois de 42 semanas é que o bebê é considerado pós-termo).
3. Respeito
Como relatei no post O nascimento, do ponto de vista do sujeito, o bebê não é um mero produto do parto, mas um agente ativo. É ele quem envia os sinais para o cérebro da mãe, assim iniciando o trabalho de parto. O anúncio (ao lado) da ONG americana March of Dimes, instituição empenhada em melhorar a saúde materna e infantil, mostra claramente como algumas semanas fazem uma diferença enorme no desenvolvimento do cérebro fetal. Portanto, fica claro que agendar um parto é desrespeitoso à fisiologia do bebê. Sem contar que, muitas vezes, na hora da cirurgia o bebê está dormindo, totalmente despreparado para “ser nascido”, e, assim, o nascimento se torna um choque e, ao meu ver, uma agressão. Você quer que o primeiro contato do seu filho amado com o mundo fora de você seja assim, um susto e, possivelmente, um trauma? Não é melhor respeitar o tempo dele e deixar que os abraços (contrações) do seu útero o preparem para nascer, mesmo que seja via abdominal?
4. Amor
Você já ouviu falar na ocitocina? Também conhecido como “o hormônio do amor”, a ocitocina é uma das substâncias responsáveis pela sensação de conexão, confiança e empatia. O orgasmo depende da secreção desse hormônio e a amamentação também, mas a maior concentração sanguínea do hormônio do amor na vida de uma mulher ocorre durante o trabalho de parto. Não é incrível? Estima-se que essa é a razão pela qual mulheres que parem naturalmente alegam sentir uma ligação profunda e imediata com o filho (um amor instantâneo) enquanto muitas mulheres que não tiveram esse privilégio admitem que a amor visceral pelo filho foi construído. Calma – não estou dizendo que quem tem parto normal ama mais o filho, por favor! O amor é muito mais do que simplesmente hormônios – é social, espiritual e um esforço diário – mas passar pelo trabalho de parto e sentir pelo menos uma fração dessas substâncias prazerosas e incríveis circulando pelo corpo deve ser o máximo. E pode tornar o conturbado período pós-parto um pouco mais ameno.
5. Paciência
A paciência é uma virtude que está se perdendo. Hoje em dia tudo é urgente, é “pra agora”, e a pressa é quase universal. Até quando estamos entre compromissos, no trânsito ou no metrô, sentimos uma pressão por estar “produzindo” – checando emails no smartphone, lendo jornal, resolvendo um problema no telefone… (In)Felizmente, um bebê chega para mudar tudo isso. Crianças requerem paciência. Elas têm o próprio ritmo e tempo, e testam nossa paciência constantemente, seja com suas constantes necessidades (mamadas, fraldas, choros) ou no processo natural de aprendizado (já reparou como precisam repetir tudo infinitas vezes?). Portanto, ter a paciência para esperar a hora de seu filho nascer, conforme manda a natureza e a fisiologia, pode ser uma boa forma de se acostumar com sua nova realidade como mãe – uma realidade onde a paciência será imprescindível para a sua felicidade e sanidade.
6. Espírito de aventura
Eu adoro ouvir a história de como nasci. Minha mãe acordou de madrugada toda molhada, sentindo somente “umas cólicas” e achando que tivesse feito xixi na cama. Precisou ser convencida pela sogra de que estava em trabalho de parto e que a bolsa havia rompido. Chegou no hosptial com 8 cm de dilatação e pariu algumas horas depois. Deve ter sido uma aventura e tanto! Pessoalmente, acho triste que a grande maioria das crianças sendo nascidas hoje teve essa primeira aventura “roubada” – e suas mães também! As mães não vão deixar uma plateia inteira na expectativa, com cara de “quero mais”, ao contarem como sentiram as primeiras contrações, a dúvida de estarem ou não em trabalho de parto, a saída do tampão, o frio na barriga ao perceberem que chegou a hora, os telefonemas de madrugada, o taxista/marido nervoso… Elementos de uma verdadeira história de ação! Quando a geração de hoje perguntar como foi seu nascimento, vai ouvir que o parto foi marcado para o dia tal na hora tal e que ponto final. Pode me chamar de romântica, mas eu encaro a vida como uma grande aventura e da mesma forma que não escolhemos o dia da nossa morte, acho que ao escolherem para nós o dia do nascimento, roubamos um pouco da magia de viver. Deixe o seu filho embarcar nessa vida com o espírito de aventura que ele precisará para aproveitar ao máximo sua temporada aqui na terra.
7. Paz
Tem gente que diz que quando nasce um mãe, nasce junto a mãe culpada, sempre se perguntando se está fazendo o certo, cheia de ansiedades sobre a saúde e bem estar do filhote, com mil e uma perguntas para fazer ao pediatra, à sua mãe, às amigas (íntimas e virtuais)… Tudo isso é normal. A insegurança, as dúvidas e os questionamentos fazem parte do processo. Mas o nível pode ser tolerável ou patológico. Quando você adentra a maternidade impondo conveniências alheias ao processo, negando a seu filho o direito de determinar a hora certa para ele, você já começa “brincando com fogo”, mexendo num processo natural e aumentando o risco de ter problemas mais na frente. Você quer acrescentar mais essa culpa? Não é simplesmente mais fácil respeitar a infinita sabedora desse processo milenar e aguardar, paciente e respeitosamente, o dia e a hora que o destino lhe reservou para dar a luz?
Como você pode ver, numa gravidez normal, de um bebê saudável, o melhor mesmo é esperar a hora “P” chegar. Seu médico pode alegar várias coisas – placenta grau 3, feto macrossómico (grande), cordão enrolado, pressão alta (sem pré-eclampsia), cesárea prévia: nada disso é indicação de cesárea, muito menos de cesárea agendada. Exceto em casos de pré-eclampsia, placenta prévia, placenta abrupta e outras (poucas) ocorrências emergenciais, qualquer cesárea pode ser feita durante o trabalho de parto, com melhores resultados para a saúde do bebê. Enfim, esperar o trabalho de parto é muito mais do que “simplesemente” mais seguro. É sinônimo das virtudes acima: saúde, ética, respeito, amor, paciência, espírito de aventura e paz.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Cesarianas desnecessárias
Bom, meninas, gostaria hoje de explicar para vocês as principais desculpas que os médicos usam para fazer cesárea e porque afirmo com tanta convicção que são desculpas, e não motivos reais.
1. O cordão assassino.
O cordão umbilical é responsável por levar nutrientes para o bebê. Dentro do útero, nosso pequeno bebê movimenta-se o tempo todo. Quem já esteve grávida ou acompanhou de perto uma gravidez deve ter visto que, dentro da mãe, eles chupam o dedo, mudam de posição, brincam com os pezinhos e com o cordão. Eles se enrolam e desenrolam no cordão várias vezes. Vale lembrar, também, que dentro do útero o bebê treina a respiração, inspirando e expirando líquido amniótico, mas não respira ar, já que está imerso em líquido. Gente, por favor. Se o bebê não respira, como o cordão vai matar o bebê sufocado? Outra, o cordão é grande e elástico, o bebê também não vai morrer "estrangulado" pelo cordão. Sendo assim, cordão umbilical enrolado no pescoço, seja uma, sejam duas, sejam três voltas, acontece entre 20 e 37% das gestações e não é indicação para cesárea. Alice mesmo nasceu com o cordão enrolado, coisa que eu já sabia desde a ultrassonografia anterior.

2. Bacia estreita
É impossível, olhando para a bacia de uma mulher, definir de um bebê passa ou não. O que existe, mas é raríssimo, é desproporção céfalo-pélvica, ou seja, o bebê não passa. Atenção: só é possível diagnosticar quando a mulher está totalmente dilatada, ou seja, não tem como saber durante o trabalho de parto, muito menos antes que ele comece. Uma das minhas amigas tem 89 de quadril e pariu, numa boa, um bebê de 4 kg.
3. Prazo de validade da barriga
"Mãezinha... Hoje você completa 39 semanas. O tempo máximo de uma gravidez é 40 semanas. A partir daí, os riscos de morte fetal aumentam muito, e fica muito perigoso esperar..."
Uma gestação normal pode ir tranquilamente até as 42 semanas. Gestação prolongada é a que passa das 42, e não das 40. A única recomendação é, após as 40 semanas, monitorar o bebê para ver sempre se está tudo bem. Estando tudo certo com mãe e bebê, qual é o problema de esperar? Dependendo do quadro, se chega às 41 semanas, pode-se tentar a indução. As alternativas para gestação acima de 41 semanas são, portanto, monitorar e esperar ou induzir o parto. Médico que marca direto a cesárea sem cogitar indução é preguiçoso, mesmo.
4. Não tem dilatação
Dilatação aparece com contrações fortes e doloridas. Antes de entrar em trabalho de parto, algumas mulheres dilatam coisa de 1 a 3 cm, mas isso NÃO É REGRA. O fato de chegar às 38 semanas sem dilatação não significa que a mulher não vá dilatar na hora do trabalho de parto.
Outra coisa: existe uma imensa diferença entre pródromos e trabalho de parto ativo. Os pródromos são o início do TP, quando a mulher começa a sentir contrações levemente doloridas e descompassadas, ou seja, sem intervalos regulares entre elas. Trabalho de parto ativo é quando a mulher está com contrações doloridas, espaçamento regular entre elas e o tempo entre uma e outra diminuindo gradativamente. É aí, e só aí, que a mulher tem que dilatar. E não existe um ritmo determinado pra isso. Algumas mulheres dilatam 1cm por hora, outras tem todo o TP em 2 horas, enfim, não há padrão.
Existem, entretanto, pesquisas que comprovam que quanto mais tranquila e segura a mulher estiver, quanto mais acolhedor for o ambiente, mais rápido ela tende a dilatar.
5. Bolsa rota ou pouco líquido amniótico
O líquido se renova o tempo todo. Partos podem acontecer até 72 horas após a bolsa se romper totalmente, pra vocês terem uma ideia.
6. Bebê grande demais
Gente, a margem de erro das ultrassonografias, principalmente no último mês, é ENORME! Não tem como dizer com certeza o peso de um bebê. Aí o médico diz que o bebê tá passando dos 4kg, a mãe desespera, marca a cesárea, o bebê nasce com 2.900. E aí, quem vai fazer o tempo voltar e devolver o parto roubado? Isso só muda em caso de mãe diabética, algumas vezes os bebês ficam MESMO grandes demais.
Outras desculpas passam por asma, anemia, pressão alta (sem quadro de eclâmpsia), aliviar o cansaço da mãe, etc., etc. Se uma mãe quer escolher uma cesárea, tudo bem, sem problemas, cada uma com sua opção. Mas cair na faca porque está sendo enganada, aí já é demais.
Vale dizer que todos os pseudo-motivos listados acima tem comprovação científica e base em estatísticas. Qualquer dúvida, é só perguntar que eu detalho mais e mostro os dados.
1. O cordão assassino.
O cordão umbilical é responsável por levar nutrientes para o bebê. Dentro do útero, nosso pequeno bebê movimenta-se o tempo todo. Quem já esteve grávida ou acompanhou de perto uma gravidez deve ter visto que, dentro da mãe, eles chupam o dedo, mudam de posição, brincam com os pezinhos e com o cordão. Eles se enrolam e desenrolam no cordão várias vezes. Vale lembrar, também, que dentro do útero o bebê treina a respiração, inspirando e expirando líquido amniótico, mas não respira ar, já que está imerso em líquido. Gente, por favor. Se o bebê não respira, como o cordão vai matar o bebê sufocado? Outra, o cordão é grande e elástico, o bebê também não vai morrer "estrangulado" pelo cordão. Sendo assim, cordão umbilical enrolado no pescoço, seja uma, sejam duas, sejam três voltas, acontece entre 20 e 37% das gestações e não é indicação para cesárea. Alice mesmo nasceu com o cordão enrolado, coisa que eu já sabia desde a ultrassonografia anterior.

2. Bacia estreita
É impossível, olhando para a bacia de uma mulher, definir de um bebê passa ou não. O que existe, mas é raríssimo, é desproporção céfalo-pélvica, ou seja, o bebê não passa. Atenção: só é possível diagnosticar quando a mulher está totalmente dilatada, ou seja, não tem como saber durante o trabalho de parto, muito menos antes que ele comece. Uma das minhas amigas tem 89 de quadril e pariu, numa boa, um bebê de 4 kg.
3. Prazo de validade da barriga
"Mãezinha... Hoje você completa 39 semanas. O tempo máximo de uma gravidez é 40 semanas. A partir daí, os riscos de morte fetal aumentam muito, e fica muito perigoso esperar..."
Uma gestação normal pode ir tranquilamente até as 42 semanas. Gestação prolongada é a que passa das 42, e não das 40. A única recomendação é, após as 40 semanas, monitorar o bebê para ver sempre se está tudo bem. Estando tudo certo com mãe e bebê, qual é o problema de esperar? Dependendo do quadro, se chega às 41 semanas, pode-se tentar a indução. As alternativas para gestação acima de 41 semanas são, portanto, monitorar e esperar ou induzir o parto. Médico que marca direto a cesárea sem cogitar indução é preguiçoso, mesmo.
4. Não tem dilatação
Dilatação aparece com contrações fortes e doloridas. Antes de entrar em trabalho de parto, algumas mulheres dilatam coisa de 1 a 3 cm, mas isso NÃO É REGRA. O fato de chegar às 38 semanas sem dilatação não significa que a mulher não vá dilatar na hora do trabalho de parto.
Outra coisa: existe uma imensa diferença entre pródromos e trabalho de parto ativo. Os pródromos são o início do TP, quando a mulher começa a sentir contrações levemente doloridas e descompassadas, ou seja, sem intervalos regulares entre elas. Trabalho de parto ativo é quando a mulher está com contrações doloridas, espaçamento regular entre elas e o tempo entre uma e outra diminuindo gradativamente. É aí, e só aí, que a mulher tem que dilatar. E não existe um ritmo determinado pra isso. Algumas mulheres dilatam 1cm por hora, outras tem todo o TP em 2 horas, enfim, não há padrão.
Existem, entretanto, pesquisas que comprovam que quanto mais tranquila e segura a mulher estiver, quanto mais acolhedor for o ambiente, mais rápido ela tende a dilatar.
5. Bolsa rota ou pouco líquido amniótico
O líquido se renova o tempo todo. Partos podem acontecer até 72 horas após a bolsa se romper totalmente, pra vocês terem uma ideia.
6. Bebê grande demais
Gente, a margem de erro das ultrassonografias, principalmente no último mês, é ENORME! Não tem como dizer com certeza o peso de um bebê. Aí o médico diz que o bebê tá passando dos 4kg, a mãe desespera, marca a cesárea, o bebê nasce com 2.900. E aí, quem vai fazer o tempo voltar e devolver o parto roubado? Isso só muda em caso de mãe diabética, algumas vezes os bebês ficam MESMO grandes demais.
Outras desculpas passam por asma, anemia, pressão alta (sem quadro de eclâmpsia), aliviar o cansaço da mãe, etc., etc. Se uma mãe quer escolher uma cesárea, tudo bem, sem problemas, cada uma com sua opção. Mas cair na faca porque está sendo enganada, aí já é demais.
Vale dizer que todos os pseudo-motivos listados acima tem comprovação científica e base em estatísticas. Qualquer dúvida, é só perguntar que eu detalho mais e mostro os dados.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Relato de Parto Normal com Cesariana Prévia
Desejo de coração que minha experiência sirva de incentivo para outras mulheres lutarem por seu direito de parir naturalmente. O parto pra mim foi uma experiência incrível, um marco na minha vida como mulher.
Eu sinto que a gravidez do Carlos Eduardo começou quando nasceu minha primeira filha. Na ida pro centro cirúrgico eu já pensei que da próxima vez eu conseguiria ir até o final. Pra quem não sabe o resumo da minha cesária foi, bolsa rota, indução, 10hrs de TP punk, dessas horas 3 foram estacionadas em 8cm. Segundo o médico rolou distócia de rotação, minha filha entrou em sofrimento e eu fui pra faca.
(Hoje sei que se tivesse ficado em casa esperando entrar em TP, não teria ido pra ocitocina de cara, não teria passado por tantas intervenções e teria muito mais chances de nãot er sofrido uma cesária)
Assim que pude comecei a ler tudo que podia sobre partos normais após cesariana, já tinha lido antes, mas superficialmente porque achei que nunca ia precisar saber mais sobre o assunto. Minha segunda gravidez foi planejada como a primeira e acredito que foi planejada na minha mente parte por parte pra que nada saísse errado. Eu sou daquelas que acha q se pensar e planejar tudo tim tim por tim tim a coisa sai como eu quero, nem sempre, mas na maioria das vezes acontece.
Parei o anticoncepcional em dezembro e mestruei pela última vez início de fevereiro. Tive uma gravidez tranquila como a primeira, pressão sempre boa, enjoei um bocado no início, cuidei pra não engordar, ao todo foram 7 ou 8 quilos. Passou tão rápido que as vezes acho que nem curti tudo direito. Quando fiz a morfológica com 22 semanas, vi um bebê perfeito e lindamente sentado como um Buda! Senti um frio na espinha e pensei: Putz! Só o que me falta ele ficar sentado até o fim. Mas desencanei, afinal era muito cedo.
Com 31 semanas fiz uma nova ultra e lá estava meu bebê sentado, aí nao rolou frio na espinha, foi um medo pavoroso mesmo. Já comecei a ler tudo que podia sobre bbs pélvicos e o que podia fazer pro menino virar. Desabafei com amigas queridas e todas me disseram que tinha muito tempo ainda pra ele virar, mas eu sou teimosa e a sensação de que eu tinha q fazer alguma coisa ecoava na minha cabeça.
A GO q acompanhou o pré natal disse q ainda tinha tempo, mas ressaltou q se tivesse q ser cesariana não era nenhum bicho de sete cabeças, juro q pensei em argumentar, falar q a cesaria pra mim foi traumática, mas sabia q ia gastar meu latim e calei.
Comecei a fazer exercícios pro bebê virar, atirava pra todos os lados e com 33 semanas fiz uma ultra achando q ele tinha virado. Que nada! Tava sentadão. E ainda ouvi do ultrassonografista q ele não virava mais pq tava muito grande. Quase bati no cara. Saí frustrada, com medo, angustiada. Novamente tive amigas queridas q me apararam (não cito nomes pq certamente serei injusta deixando de citar alguém), chorei pra minha doula, mas não desisti, sabia q tinha tempo. Por via das dúvidas combinei com um médico humanizado uma VEC (Versão externa cefálica). Continuei os exercícios e fazia muita massagem na barriga. Muitas vezes achei q estava amassando o bebê de tanto que eu alisava a barriga a fim de induzir a rotação dele. Senti um giro e no segundo dia senti q ele mexia diferente, mas não acreditei q tivesse virado, eu já tinha me enganado antes. Continuei os exercícios e tudo mais e no outro dia voltei a sentir a cabeça dele embaixo do meu estÔmago. Passei o dia pensando q eu o tinha feito sentar novamente.
Cheguei em casa, tomei banho, entupi a barriga de creme e fiquei fazer circulos na direção horária até me cansar, deixei o quadril bem alto e senti uma pressão próximo ao osso do quadril. Pensei na hora: Ele virou. Aí jurei q não fazia mais nada e fosse o que tivesse que ser. Eu estava com 34 semanas e 4 dias.
Na mesma semana fui na GO e não comentei nada sobre minha ansiedade dele virar e qdo ela me examinou e disse q a cabecinha dele tava lá embaixo eu quase tive um treco. Ali tive certeza de que ia dar certo. Só não sabia q eu teria que passar por algumas coisas antes disso.
Com 37 semanas fiz uma ultra a pedido da GO e o resultado foi: Bebê ótimo, mas com perímetro cefálico um pouco acima do normal, indicava como 34,6 cm e o normal era até 33,9 e duas circulares de cordão. É lógico que eu sabia que circular de cordão não indicava nada, mas o tamanho da cabeça me abalou. Mesmo ouvindo q tava tudo bem eu surtei um pouco achando q o bb teria algum problema e pior, q eu tinha causado de tanto empurrar o guri na barriga!hehehe
Fui pra casa um trapo. Depois fui levar o laudo na GO e ouvi tudo que não queria ouvir de uma vez só. Olhando meu ultrassom ela disse que não aconselhava o PN, mas q tb não era preciso marcar cesária, eu podia esperar o TP pq até tinha uma chance de dar certo, mas que tinhamos q ficar de olho. Que eu era muito "zen", mas neste caso tinha q ter mais cuidado porque haviam fatores que complicavam. Os fatores era absurdos, mas vou listar:
-Trabalho de parto longo q resultou numa cesáriana mesmo eu dilatando bem. (Detalhe, eu só fui até 8 de dilatação e a causa da cesária não foi Desproporção Céfalo-Pélvica).
-Cesária recente. (1 ano e 10 meses)
- Bebê grande e cabeçudo. (Estimativa de peso com 40 semanas era entre 3,5kg e 4kg)
- As benditas circulares de cordão. (Segundo ela se não fossem preocupantes a ultrassonografista nem colocaria no laudo)
Ela falou trocentas vezes que podia tentar o PN, mas q não devia ficar muitas horas em trabalho de parto e que se ficassem insistindo muito no PN eu devia ligar pra ela e ela pediria a cesariana. Por fim, ela foi me examinar e como gran finale disse que minha pélvis era estreita. Isso tudo com olhar de terror, como se algo estivesse muito errado e ela não quisesse me assustar!
Saí do consultório com um ódio mortal dela. Eu não conseguia acreditar que tinha ouvido tanta coisa contrariando evidências científicas como ouvi em uma única consulta. Desabafei com amigas e selecionei informações pra passar pra família. O resumo da consulta foi: Tá tudo bem, é só esperar nascer!
Depois de chorar um monte e passar meu aniversário cheia de medos, enfiei na minha cabeça que eu era perfeita, que era super saudável e que meu bebê estava ótimo e que isso garantia boa parte do processo e que o início da minha vitória era acreditar nela.
Não fui na consulta de pré-natal com 38 semanas e na de 39 também. Organizei na minha mente que caso sentisse algo estranho, ou o bebê diminuísse os movimentos eu iria no posto de saúde, mas que na GO eu só ia em última instância.
Eu sabia q ele nasceria antes das 40 semanas.
Dia 3 de manhã acordei sentindo umas contrações doloridinhas. Bem irregulares, mas diferentes da contrações de BH, lembro q ainda na cama pensei: Tá chegando a hora!
Tinha muitas coisas pra fazer naquele dia e fiz todas.
Eu tive contrações irregulares durante a segunda o dia todo. As 1:59 da manhã a bolsa estourou, mas acredito que o rompimento foi alto e o Caê tampava a saída, pq a água foi saindo aos poucos.
Avisei a Re, meus tios que queriam rezar por mim e fui terminar de arrumar as bolsas pq eu não tinha terminado. Botei roupa na secadora, passei umas roupas do bebê, depois resolvi deitar um pouco, mas aí meu marido já tinha acordado e eu tava elétrica.
As 4 e pouco liguei pra Re com contrações de 5 em 5 e liguei pra Gabi (a doula). Voltei pra bola, fiz chapinha no cabelo pq na minha mente bizarra eu não iria mais molhar o cabelo e tb não pretendia lavá-lo na maternidade. A Re e a Gabi chegaram pouco depois das 5, conversamos um pouco e como minha sala tava meio tumultuada e minha filha acordada, sugeri que fossemos pro meu quarto, curti algumas contrações de joelhos no chão, Senti uma queimaçãozinha na região da cicatriz da cesária, comentei coma Gabi e ela disse que provavelmente era a cabeça do bebÊ fazendo o
giro. Lembro de cuidar muito com a posição da minha coluna, tinha lido que quanto mais curvada para tras, mais demorava pro bebê descer, então eu tentava manter a coluna reta. As dores foram aumetando, então pedi pra ir pra banheira. Minhas contrações vinham de 3 em 3 minutos e nos intervalos dava pra conversar numa boa.
A Gabi me falou que eu podia ficar tranquila, que se o bebê nascesse ali ela dava conta, nessa hora confesso que deu uma vontadezinha de ganhar em casa, mas aí lembrei do meu marido e em como o surto seria enorme se isso acontecesse. As contrações iam ficando cada vez mais fortes e eu viajava em cada uma delas, em uma lembro q me dobrei tanto na banheira que quase fiquei com a cara dentro da água (foi-se a chapinha!hehehe). Não lembro bem quanto tempo fiquei dentro da água, mas lembro que comecei a sentir vontade de empurrar, nessa hora pensei em ir pro hospital e avisei as meninas, a Re imediatamente falou que era bom eu ter certeza de que era vontade mesmo de empurrar e pediu pra esperar mais algumas contrações, esperei mais um tempo até que achei que a dor tava aumentando e a vontade de empurrar também.
Saí da banheira, me vesti e desci. Lembro que vi minha avó com cara assustada e meu marido (super tranquilo) com a minha filha. Eu estava tão fora de mim que tinha esquecido de avisar a Gabi que ela me levaria ao hospital, na hora de sair de casa era eu olhando perdida pro marido, ele me olhando estranho, minha avó assustada e minha filha gritando por mim, pra arrematar tive uma contração, acocorei e minha filha desatou a gritar. Fui pro carro aos prantos por deixar minha pequena chorando sem entender nada. Ela estava acordada desde madrugada, estava agitada, certamente sentindo as emoções do momento.
7:00
Ter contrações no carro era bem chato, porque eu não tinha posição pra aliviar as dores, o que dava pra fazer era rebolar. Mal saí de casa reclamei de fome e a Gabi tinha castanhas na bolsa, comi duas e desisti. Abri os olhos poucas vezes, só pra me situar em que ponto do trajeto eu estava. Quando chegamos na cabeceira da ponte que liga ilha ao continente assustei pq tinha muito tráfego. Ficava repetindo que tudo ia dar certo, que ele nasceria bem e de parto normal.
7:30am
Entrei no hospital andando e bem em frente a recepção tive uma contração, me apoiei na parede e só lembro de um homem correndo com uma cadeira de rodas, depois quando abri os olhos novamente já estava em uma pequena sala de triagem. O enfermeiro ajudou a tirar minha roupa e a me deitar na cama pra ser examinada. Eu só pensava que tinha que estar dilatada, meu medo era estar com dores fortes e pouca dilatação. A médica antes de examinar fez algumas perguntas e assim que perguntou como foi o primeiro parto e eu disse que tinha sido cesária eu falei: Mas eu quero parto normal!!
Ela respondeu que iam tentar. Foi a única hora que fiquei brava, afinal, quem "iam" tentar? Eu que ia parir, eu que tinha que dilatar. Pois bem, abri as pernas angustiada, queria saber se tava dilatada ou nao e eis que ouço: Olha o cabelinho!
Eu só não pulei de alegria porque minhas condições físicas impediam, afinal, se dava pra ver cabelinho era sinal de que tava bem dilatada. A médica enfim falou que eu estava com 7cm de dilatação.
Continuei deitada na cama enquanto me faziam perguntas e a Gabi fazia minha internação. Essa hora foi confusa porque eu não tava afim de responder nada, a Re respondia por mim e era podada por quem perguntava. A triagem acabou e me transferiram pra sala de pré-parto. Cheguei lá e um enfermeira obstétrica muito gentil se apresentou e fez um toque.
Acho que já estava com 8cm. A partir desse momento não lembro de mais nada com riqueza de detalhes, fiquei a maior parte do tempo de olhos fechados e quase dormia nos intervalos das contrações. Veio uma moça preencher mais um papel e fazia as mesmas perguntas que eu já tinha respondido, aí minha boa educação já tava longe e eu respondia quase aos berros e dizia que já tinha respondido tudo aquilo. Lembro que pouco depois me examinaram novamente e já estava com quase 9cm, aí me mandaram sentar na bola embaixo do chuveiro. Fiquei lá um tempo e ajudou muito a aliviar as contrações. As vezes eu ouvia a voz da Re do outro lado do box me dizendo pra respirar.
Essa coisa de respirar é muito estranha, porque li bastante sobre como respirar de forma a ajudar a aliviar as dores, mas na hora da dor, respirar direito exigia uma concentração fenomenal e por vezes parecia que não dava pra respirar, só empurrar. Lembro que embaixo do chuveiro eu só queria empurrar, e mesmo que eu tentasse não fazer o corpo não respondia. Aí comecei a falar bem alto que queria empurrar. Outra coisa que me surpreendi comigo mesma é que eu não poupei garganta, na hora da dor eu gemia alto, é como se eu jogasse a dor pra fora.
Me tiraram do chuveiro e voltei pra cama, a médica apareceu, fez toque, 10 cm! Me preparei a gravidez inteira pra ouvir isso. Bem, a médica me falou que eu podia empurrar quando quisesse, que eu que comandava o processo. Fiquei ainda mais confiante e a cada contração eu empurrava com gosto, afinal, a dor não era mortal, mas queria que acabasse logo. Não sei quanto tempo fiquei empurrando, a médica repetia que eu estava indo muito bem, que estava tudo indo rápido e quem dera se todas chegassem no hospital como eu. Por fim ela disse que tava na hora de ir pra
sala de parto. Me ajudaram a sair da cama e me encaminharam pra sala...errada! Acabei tendo uma contração no corredor. Deve ter sido uma cena ilária, eu gemendo alto de dor, meio acocorada, empurrando e a enfermeira com a mão no meio das minhas pernas me falando pra não empurrar. A contração passou e eu entrei na sala certa, sentei na sonhada cadeira para parto de cócoras e comecei a fazer força. Não sei quantas vezes empurrei até que resolvi perguntar se faltava muito, a médica respondeu que mais três contrações nascia. Pensei que três era um número muito grande e na próxima contração fiz toda a força que podia e que não podia, senti o círculo de fogo e a cabeça saindo.
9:36am
A médica pediu que eu parasse de empurrar, aí ouvi ela dizendo: uma circular, duas circulares. Outra contração chegou e o corpo saiu. Vi meu pequeno chorando forte e em seguida foi colocado em meu peito. Lindo, perfeito e preguiçoso, não quis mamar, mas ficou um tempo quietinho sobre mim e eu ali ainda sem acreditar que tinha dado certo. Me veio tanta coisa na cabeça, me senti meio fora do corpo, como se estivesse vendo acontecer sem ser comigo. A Re feliz do meu lado. Levaram o bebê pra examinar e a Re foi junto, a placenta saiu e eu curiosa fiquei observando. Cordão enorme. PEguntei como tava a placenta e disseram que tava ótima e a enfermeira ainda perguntou se eu queria fazer alguma coisa com ela e como eu nem tinha pensado em nada, falei que não.
A médica então me avisou que tive uma laceração de segundo grau e que ela ia suturar. Fiquei lá deitada, pensando em tudo, exausta, com fome, mas feliz.
A sutura pareceu durar uma eternidade, até fiquei perguntando quantos mil pontos eu tinha levado, mas por ser ponto contínuo demorou mais tempo.
Quando terminou e foram me passar pra maca, levantei o corpo e caí deitada novamente. Desmaiei por uns segundos.
Quando percebi tinha enfermeira em cima medindo pressão, me chamando, perguntando como eu estava. Pressão 7 por 9.
Fiquei um tempinho ainda deitada, me passaram pra maca e me deram oxigênio e soro. A Re chegou com o Caê e fomos esperar liberarem o quarto.
Aí começou uma nova etapa, a do pós parto. Era enfermeira em cima perguntando se eu estava melhor, falando como o Caê era bonito e grande, como tudo tinha sido rápido. Fiquei revivendo tudo com a Re, comentando tudo. Amamentando meu filho e feliz da vida porque conquistei algo que desejei tanto, com tanta força.
Fiquei pouco mais de 24 hras no hospital, mas não esqueço de uma reunião que teve com a enfermeira chefe e outras mães que tinham acabado de parir. Cada uma contou um pouco da sua experiência, do que esperava do parto e depois de eu ter falado ouvi a enfermeira dizer a todos como eu tinha seguido um bom caminho, que tinha me preparado pro momento e que tinha sido protagonista do meu parto.
Meu relato não ficou dos melhores, porque muita coisa eu não lembro direito, eu deixei minha mente desligar de tudo na hora, mas espero que sintam um pouquinho da minha alegria.
Agradeço a Deus, a minha família que sempre torceu por este VBAC (parto vaginal após cesariana), à minha amiga querida Regina, que lutou comigo, me incentivando, me dando livros, a Ana Mafalda por ser meu porto seguro, por me dar puxões de orelha quando precisei e a todas as minhas amigas radicais que me ajudaram, apoiaram, contaram suas experiências e confiaram em mim.
Não sei se terei um terceiro filho, mas se tiver, quero passar por tudo isso novamente.
Eu sinto que a gravidez do Carlos Eduardo começou quando nasceu minha primeira filha. Na ida pro centro cirúrgico eu já pensei que da próxima vez eu conseguiria ir até o final. Pra quem não sabe o resumo da minha cesária foi, bolsa rota, indução, 10hrs de TP punk, dessas horas 3 foram estacionadas em 8cm. Segundo o médico rolou distócia de rotação, minha filha entrou em sofrimento e eu fui pra faca.
(Hoje sei que se tivesse ficado em casa esperando entrar em TP, não teria ido pra ocitocina de cara, não teria passado por tantas intervenções e teria muito mais chances de nãot er sofrido uma cesária)
Assim que pude comecei a ler tudo que podia sobre partos normais após cesariana, já tinha lido antes, mas superficialmente porque achei que nunca ia precisar saber mais sobre o assunto. Minha segunda gravidez foi planejada como a primeira e acredito que foi planejada na minha mente parte por parte pra que nada saísse errado. Eu sou daquelas que acha q se pensar e planejar tudo tim tim por tim tim a coisa sai como eu quero, nem sempre, mas na maioria das vezes acontece.
Parei o anticoncepcional em dezembro e mestruei pela última vez início de fevereiro. Tive uma gravidez tranquila como a primeira, pressão sempre boa, enjoei um bocado no início, cuidei pra não engordar, ao todo foram 7 ou 8 quilos. Passou tão rápido que as vezes acho que nem curti tudo direito. Quando fiz a morfológica com 22 semanas, vi um bebê perfeito e lindamente sentado como um Buda! Senti um frio na espinha e pensei: Putz! Só o que me falta ele ficar sentado até o fim. Mas desencanei, afinal era muito cedo.
Com 31 semanas fiz uma nova ultra e lá estava meu bebê sentado, aí nao rolou frio na espinha, foi um medo pavoroso mesmo. Já comecei a ler tudo que podia sobre bbs pélvicos e o que podia fazer pro menino virar. Desabafei com amigas queridas e todas me disseram que tinha muito tempo ainda pra ele virar, mas eu sou teimosa e a sensação de que eu tinha q fazer alguma coisa ecoava na minha cabeça.
A GO q acompanhou o pré natal disse q ainda tinha tempo, mas ressaltou q se tivesse q ser cesariana não era nenhum bicho de sete cabeças, juro q pensei em argumentar, falar q a cesaria pra mim foi traumática, mas sabia q ia gastar meu latim e calei.
Comecei a fazer exercícios pro bebê virar, atirava pra todos os lados e com 33 semanas fiz uma ultra achando q ele tinha virado. Que nada! Tava sentadão. E ainda ouvi do ultrassonografista q ele não virava mais pq tava muito grande. Quase bati no cara. Saí frustrada, com medo, angustiada. Novamente tive amigas queridas q me apararam (não cito nomes pq certamente serei injusta deixando de citar alguém), chorei pra minha doula, mas não desisti, sabia q tinha tempo. Por via das dúvidas combinei com um médico humanizado uma VEC (Versão externa cefálica). Continuei os exercícios e fazia muita massagem na barriga. Muitas vezes achei q estava amassando o bebê de tanto que eu alisava a barriga a fim de induzir a rotação dele. Senti um giro e no segundo dia senti q ele mexia diferente, mas não acreditei q tivesse virado, eu já tinha me enganado antes. Continuei os exercícios e tudo mais e no outro dia voltei a sentir a cabeça dele embaixo do meu estÔmago. Passei o dia pensando q eu o tinha feito sentar novamente.
Cheguei em casa, tomei banho, entupi a barriga de creme e fiquei fazer circulos na direção horária até me cansar, deixei o quadril bem alto e senti uma pressão próximo ao osso do quadril. Pensei na hora: Ele virou. Aí jurei q não fazia mais nada e fosse o que tivesse que ser. Eu estava com 34 semanas e 4 dias.
Na mesma semana fui na GO e não comentei nada sobre minha ansiedade dele virar e qdo ela me examinou e disse q a cabecinha dele tava lá embaixo eu quase tive um treco. Ali tive certeza de que ia dar certo. Só não sabia q eu teria que passar por algumas coisas antes disso.
Com 37 semanas fiz uma ultra a pedido da GO e o resultado foi: Bebê ótimo, mas com perímetro cefálico um pouco acima do normal, indicava como 34,6 cm e o normal era até 33,9 e duas circulares de cordão. É lógico que eu sabia que circular de cordão não indicava nada, mas o tamanho da cabeça me abalou. Mesmo ouvindo q tava tudo bem eu surtei um pouco achando q o bb teria algum problema e pior, q eu tinha causado de tanto empurrar o guri na barriga!hehehe
Fui pra casa um trapo. Depois fui levar o laudo na GO e ouvi tudo que não queria ouvir de uma vez só. Olhando meu ultrassom ela disse que não aconselhava o PN, mas q tb não era preciso marcar cesária, eu podia esperar o TP pq até tinha uma chance de dar certo, mas que tinhamos q ficar de olho. Que eu era muito "zen", mas neste caso tinha q ter mais cuidado porque haviam fatores que complicavam. Os fatores era absurdos, mas vou listar:
-Trabalho de parto longo q resultou numa cesáriana mesmo eu dilatando bem. (Detalhe, eu só fui até 8 de dilatação e a causa da cesária não foi Desproporção Céfalo-Pélvica).
-Cesária recente. (1 ano e 10 meses)
- Bebê grande e cabeçudo. (Estimativa de peso com 40 semanas era entre 3,5kg e 4kg)
- As benditas circulares de cordão. (Segundo ela se não fossem preocupantes a ultrassonografista nem colocaria no laudo)
Ela falou trocentas vezes que podia tentar o PN, mas q não devia ficar muitas horas em trabalho de parto e que se ficassem insistindo muito no PN eu devia ligar pra ela e ela pediria a cesariana. Por fim, ela foi me examinar e como gran finale disse que minha pélvis era estreita. Isso tudo com olhar de terror, como se algo estivesse muito errado e ela não quisesse me assustar!
Saí do consultório com um ódio mortal dela. Eu não conseguia acreditar que tinha ouvido tanta coisa contrariando evidências científicas como ouvi em uma única consulta. Desabafei com amigas e selecionei informações pra passar pra família. O resumo da consulta foi: Tá tudo bem, é só esperar nascer!
Depois de chorar um monte e passar meu aniversário cheia de medos, enfiei na minha cabeça que eu era perfeita, que era super saudável e que meu bebê estava ótimo e que isso garantia boa parte do processo e que o início da minha vitória era acreditar nela.
Não fui na consulta de pré-natal com 38 semanas e na de 39 também. Organizei na minha mente que caso sentisse algo estranho, ou o bebê diminuísse os movimentos eu iria no posto de saúde, mas que na GO eu só ia em última instância.
Eu sabia q ele nasceria antes das 40 semanas.
Dia 3 de manhã acordei sentindo umas contrações doloridinhas. Bem irregulares, mas diferentes da contrações de BH, lembro q ainda na cama pensei: Tá chegando a hora!
Tinha muitas coisas pra fazer naquele dia e fiz todas.
Eu tive contrações irregulares durante a segunda o dia todo. As 1:59 da manhã a bolsa estourou, mas acredito que o rompimento foi alto e o Caê tampava a saída, pq a água foi saindo aos poucos.
Avisei a Re, meus tios que queriam rezar por mim e fui terminar de arrumar as bolsas pq eu não tinha terminado. Botei roupa na secadora, passei umas roupas do bebê, depois resolvi deitar um pouco, mas aí meu marido já tinha acordado e eu tava elétrica.
As 4 e pouco liguei pra Re com contrações de 5 em 5 e liguei pra Gabi (a doula). Voltei pra bola, fiz chapinha no cabelo pq na minha mente bizarra eu não iria mais molhar o cabelo e tb não pretendia lavá-lo na maternidade. A Re e a Gabi chegaram pouco depois das 5, conversamos um pouco e como minha sala tava meio tumultuada e minha filha acordada, sugeri que fossemos pro meu quarto, curti algumas contrações de joelhos no chão, Senti uma queimaçãozinha na região da cicatriz da cesária, comentei coma Gabi e ela disse que provavelmente era a cabeça do bebÊ fazendo o
giro. Lembro de cuidar muito com a posição da minha coluna, tinha lido que quanto mais curvada para tras, mais demorava pro bebê descer, então eu tentava manter a coluna reta. As dores foram aumetando, então pedi pra ir pra banheira. Minhas contrações vinham de 3 em 3 minutos e nos intervalos dava pra conversar numa boa.
A Gabi me falou que eu podia ficar tranquila, que se o bebê nascesse ali ela dava conta, nessa hora confesso que deu uma vontadezinha de ganhar em casa, mas aí lembrei do meu marido e em como o surto seria enorme se isso acontecesse. As contrações iam ficando cada vez mais fortes e eu viajava em cada uma delas, em uma lembro q me dobrei tanto na banheira que quase fiquei com a cara dentro da água (foi-se a chapinha!hehehe). Não lembro bem quanto tempo fiquei dentro da água, mas lembro que comecei a sentir vontade de empurrar, nessa hora pensei em ir pro hospital e avisei as meninas, a Re imediatamente falou que era bom eu ter certeza de que era vontade mesmo de empurrar e pediu pra esperar mais algumas contrações, esperei mais um tempo até que achei que a dor tava aumentando e a vontade de empurrar também.
Saí da banheira, me vesti e desci. Lembro que vi minha avó com cara assustada e meu marido (super tranquilo) com a minha filha. Eu estava tão fora de mim que tinha esquecido de avisar a Gabi que ela me levaria ao hospital, na hora de sair de casa era eu olhando perdida pro marido, ele me olhando estranho, minha avó assustada e minha filha gritando por mim, pra arrematar tive uma contração, acocorei e minha filha desatou a gritar. Fui pro carro aos prantos por deixar minha pequena chorando sem entender nada. Ela estava acordada desde madrugada, estava agitada, certamente sentindo as emoções do momento.
7:00
Ter contrações no carro era bem chato, porque eu não tinha posição pra aliviar as dores, o que dava pra fazer era rebolar. Mal saí de casa reclamei de fome e a Gabi tinha castanhas na bolsa, comi duas e desisti. Abri os olhos poucas vezes, só pra me situar em que ponto do trajeto eu estava. Quando chegamos na cabeceira da ponte que liga ilha ao continente assustei pq tinha muito tráfego. Ficava repetindo que tudo ia dar certo, que ele nasceria bem e de parto normal.
7:30am
Entrei no hospital andando e bem em frente a recepção tive uma contração, me apoiei na parede e só lembro de um homem correndo com uma cadeira de rodas, depois quando abri os olhos novamente já estava em uma pequena sala de triagem. O enfermeiro ajudou a tirar minha roupa e a me deitar na cama pra ser examinada. Eu só pensava que tinha que estar dilatada, meu medo era estar com dores fortes e pouca dilatação. A médica antes de examinar fez algumas perguntas e assim que perguntou como foi o primeiro parto e eu disse que tinha sido cesária eu falei: Mas eu quero parto normal!!
Ela respondeu que iam tentar. Foi a única hora que fiquei brava, afinal, quem "iam" tentar? Eu que ia parir, eu que tinha que dilatar. Pois bem, abri as pernas angustiada, queria saber se tava dilatada ou nao e eis que ouço: Olha o cabelinho!
Eu só não pulei de alegria porque minhas condições físicas impediam, afinal, se dava pra ver cabelinho era sinal de que tava bem dilatada. A médica enfim falou que eu estava com 7cm de dilatação.
Continuei deitada na cama enquanto me faziam perguntas e a Gabi fazia minha internação. Essa hora foi confusa porque eu não tava afim de responder nada, a Re respondia por mim e era podada por quem perguntava. A triagem acabou e me transferiram pra sala de pré-parto. Cheguei lá e um enfermeira obstétrica muito gentil se apresentou e fez um toque.
Acho que já estava com 8cm. A partir desse momento não lembro de mais nada com riqueza de detalhes, fiquei a maior parte do tempo de olhos fechados e quase dormia nos intervalos das contrações. Veio uma moça preencher mais um papel e fazia as mesmas perguntas que eu já tinha respondido, aí minha boa educação já tava longe e eu respondia quase aos berros e dizia que já tinha respondido tudo aquilo. Lembro que pouco depois me examinaram novamente e já estava com quase 9cm, aí me mandaram sentar na bola embaixo do chuveiro. Fiquei lá um tempo e ajudou muito a aliviar as contrações. As vezes eu ouvia a voz da Re do outro lado do box me dizendo pra respirar.
Essa coisa de respirar é muito estranha, porque li bastante sobre como respirar de forma a ajudar a aliviar as dores, mas na hora da dor, respirar direito exigia uma concentração fenomenal e por vezes parecia que não dava pra respirar, só empurrar. Lembro que embaixo do chuveiro eu só queria empurrar, e mesmo que eu tentasse não fazer o corpo não respondia. Aí comecei a falar bem alto que queria empurrar. Outra coisa que me surpreendi comigo mesma é que eu não poupei garganta, na hora da dor eu gemia alto, é como se eu jogasse a dor pra fora.
Me tiraram do chuveiro e voltei pra cama, a médica apareceu, fez toque, 10 cm! Me preparei a gravidez inteira pra ouvir isso. Bem, a médica me falou que eu podia empurrar quando quisesse, que eu que comandava o processo. Fiquei ainda mais confiante e a cada contração eu empurrava com gosto, afinal, a dor não era mortal, mas queria que acabasse logo. Não sei quanto tempo fiquei empurrando, a médica repetia que eu estava indo muito bem, que estava tudo indo rápido e quem dera se todas chegassem no hospital como eu. Por fim ela disse que tava na hora de ir pra
sala de parto. Me ajudaram a sair da cama e me encaminharam pra sala...errada! Acabei tendo uma contração no corredor. Deve ter sido uma cena ilária, eu gemendo alto de dor, meio acocorada, empurrando e a enfermeira com a mão no meio das minhas pernas me falando pra não empurrar. A contração passou e eu entrei na sala certa, sentei na sonhada cadeira para parto de cócoras e comecei a fazer força. Não sei quantas vezes empurrei até que resolvi perguntar se faltava muito, a médica respondeu que mais três contrações nascia. Pensei que três era um número muito grande e na próxima contração fiz toda a força que podia e que não podia, senti o círculo de fogo e a cabeça saindo.
9:36am
A médica pediu que eu parasse de empurrar, aí ouvi ela dizendo: uma circular, duas circulares. Outra contração chegou e o corpo saiu. Vi meu pequeno chorando forte e em seguida foi colocado em meu peito. Lindo, perfeito e preguiçoso, não quis mamar, mas ficou um tempo quietinho sobre mim e eu ali ainda sem acreditar que tinha dado certo. Me veio tanta coisa na cabeça, me senti meio fora do corpo, como se estivesse vendo acontecer sem ser comigo. A Re feliz do meu lado. Levaram o bebê pra examinar e a Re foi junto, a placenta saiu e eu curiosa fiquei observando. Cordão enorme. PEguntei como tava a placenta e disseram que tava ótima e a enfermeira ainda perguntou se eu queria fazer alguma coisa com ela e como eu nem tinha pensado em nada, falei que não.
A médica então me avisou que tive uma laceração de segundo grau e que ela ia suturar. Fiquei lá deitada, pensando em tudo, exausta, com fome, mas feliz.
A sutura pareceu durar uma eternidade, até fiquei perguntando quantos mil pontos eu tinha levado, mas por ser ponto contínuo demorou mais tempo.
Quando terminou e foram me passar pra maca, levantei o corpo e caí deitada novamente. Desmaiei por uns segundos.
Quando percebi tinha enfermeira em cima medindo pressão, me chamando, perguntando como eu estava. Pressão 7 por 9.
Fiquei um tempinho ainda deitada, me passaram pra maca e me deram oxigênio e soro. A Re chegou com o Caê e fomos esperar liberarem o quarto.
Aí começou uma nova etapa, a do pós parto. Era enfermeira em cima perguntando se eu estava melhor, falando como o Caê era bonito e grande, como tudo tinha sido rápido. Fiquei revivendo tudo com a Re, comentando tudo. Amamentando meu filho e feliz da vida porque conquistei algo que desejei tanto, com tanta força.
Fiquei pouco mais de 24 hras no hospital, mas não esqueço de uma reunião que teve com a enfermeira chefe e outras mães que tinham acabado de parir. Cada uma contou um pouco da sua experiência, do que esperava do parto e depois de eu ter falado ouvi a enfermeira dizer a todos como eu tinha seguido um bom caminho, que tinha me preparado pro momento e que tinha sido protagonista do meu parto.
Meu relato não ficou dos melhores, porque muita coisa eu não lembro direito, eu deixei minha mente desligar de tudo na hora, mas espero que sintam um pouquinho da minha alegria.
Agradeço a Deus, a minha família que sempre torceu por este VBAC (parto vaginal após cesariana), à minha amiga querida Regina, que lutou comigo, me incentivando, me dando livros, a Ana Mafalda por ser meu porto seguro, por me dar puxões de orelha quando precisei e a todas as minhas amigas radicais que me ajudaram, apoiaram, contaram suas experiências e confiaram em mim.
Não sei se terei um terceiro filho, mas se tiver, quero passar por tudo isso novamente.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Enxoval
Esse post vai especialmente para a minha irmã Júlia, que me deu a maior alegria depois de ser mãe: vou ser tia!!! Preta, esse baby vem mais do que abençoado, desejado, babado e amado! Estou ATÔNITA de tanta felicidade!!!
Desde a descoberta da gravidez, uma questão povoa o pensamento das mamães: ENXOVAL. São móveis, roupinhas, utensílios, tantas coisas lindas e cheirosas, e queremos, obviamente, o mais lindo de tudo pro nosso baby. Caaaalma, mamães! Muito do que é oferecido no mercado materno-infantil não tem assim tanta utilidade. Hoje vou analisar alguns itens que considero importantes.
MÓVEIS:
- Berço: pra mim, foi fundamental. Mateus e eu somos barulhentos e adoramos TV, então Alice dormiu, desde bem pequena, no berço dela, no quarto dela. É melhor pra nós três. Algumas famílias se dão melhor com a cama compartilhada (bebê dormindo na cama dos pais), e nesse caso o berço se torna inútil. Protetores de berço não são necessários, mas deixam o quarto mil vezes mais fofo. Travesseiro também é dispensável, Alice até hoje não usa. Se o bebê tiver refluxo, aí sim é preciso colocar.
- Cômoda ou guarda-roupa: comprei os dois. Ganhei muitas fraldas mesmo, e precisei de lugar pra guardar. Ainda uso muito os dois, mas acho que só a cômoda ou um guarda-roupa bem dividido já seria o suficiente.
- Trocador: tem gente que usa a parte de cima da cômoda, com um colchonete. Eu amei ter comprado o trocador, Alice, quando bem novinha, simplesmente adorava ficar nele.
- Poltrona de amamentação: um conforto a mais, sem dúvida, mas um sofá confortável ou bons travesseiros na cama são suficientes.
ROUPINHAS:
- Todo mundo fala pra não comprar muita roupinha RN (Recém-nascido) porque o bebê cresce logo e quase não usa. Tudo bem que não vai comprar 20 conjuntinhos desse tamanho, mas tem que comprar alguns, sim. Alice usou bastante, e uma amiga que teve filho pouco antes de mim sofreu porque comprou tudo P pro filho dela e as roupinhas ficavam todas enormes.
- Eles gofam muito nos primeiros meses, logo sujam muita roupa. E não troque logo, não, pra ver o cheiro azedo insuportável que fica! kkkkk! Tenha, sim, um estoque razoável de peças RN e P.
- Os conjuntos chamados de "pagãozinho" (calça+blusinha) são lindos, mas não são práticos. Quando pegamos o baby no colo, é um tal da blusa levantar, ficar costas e barriga de fora, fica desarrumado e dá uma agonia danada. Nossa paixão, por aqui, foram os bodies, com short ou calça por cima. A roupinha fica sempre no lugar.
- Sapatinhos são altamente desnecessários, meinhas já resolvem bem o problema.
- Na Tip Top vendem uns macacõezinhos com mangas e pernas compridas, cobrindo os pezinhos, parte da linha Underwear. O primeiro que compramos pra Alice era todo branco, razão pela qual apelidamos esse tipo de roupa de "fantasminha". Até hoje é unanimidade aqui em casa. A gente põe por baixo de outras roupas quando está um pouco mais frio e ela sempre usa para dormir (cobre o corpo todo sem esquentar demais). Acho um dos melhores investimentos para bebês em termo de roupas.
- Em Brasília não faz muito frio, principalmente na época em que nascerão os bebês das atuais grávidas. Não se impressionem pelo friozinho dos últimos dias. Comprem mais roupas fresquinhas. Mantas, cobertorezinhos, etc, etc, uma manta leve pra enrolar o bebê na hora de sair e um cobertorzinho são mais que suficientes.
UTENSÍLIOS
- Chupeta, se optar por dá-la ao bebê, compre uma só. Alice não aceitou de jeito nenhum, e se torna um gasto inútil.
- Bebê até seis meses deve apenas mamar no peito, deixe pra comprar mamadeiras se e quando for necessário.
- Fraldinhas de pano compre às dezenas. Como disse, essa mania dos bebês gofarem suja muita coisa.
- Móbiles de berço são legais. Distraem o bebê.
- Bebê conforto é essencial. Não entre no carro sem ele.
- Sling é absolutamente tudo de melhor no mundo, principalmente pra bebês novinhos. Ali o bebê fica bem aconchegado à mãe e ela fica com as mãos livres para fazer o que quiser. Além disso, com o bebê bem escondidinho naquele monte de pano, ninguém tem coragem de ficar pegando no colo o tempo todo, o que é um saco para mãe e bebê. Também compramos aquele canguru (que o bebê fica pendurado em algo que parece uma mochila), mas não funcionou muito bem,não...
- Resista à tentação de comprar super-carrinhos. Aquele carrinho que desmonta que nem guarda-chuva é o único que realmente vale a pena.
- Banheira: usamos pouquíssimo. O banho de balde costuma ser mais gostoso pra criança e menos trabalhoso para os pais.
Se lembrar de mais coisas, vou colocando por aqui!
Desde a descoberta da gravidez, uma questão povoa o pensamento das mamães: ENXOVAL. São móveis, roupinhas, utensílios, tantas coisas lindas e cheirosas, e queremos, obviamente, o mais lindo de tudo pro nosso baby. Caaaalma, mamães! Muito do que é oferecido no mercado materno-infantil não tem assim tanta utilidade. Hoje vou analisar alguns itens que considero importantes.
MÓVEIS:
- Berço: pra mim, foi fundamental. Mateus e eu somos barulhentos e adoramos TV, então Alice dormiu, desde bem pequena, no berço dela, no quarto dela. É melhor pra nós três. Algumas famílias se dão melhor com a cama compartilhada (bebê dormindo na cama dos pais), e nesse caso o berço se torna inútil. Protetores de berço não são necessários, mas deixam o quarto mil vezes mais fofo. Travesseiro também é dispensável, Alice até hoje não usa. Se o bebê tiver refluxo, aí sim é preciso colocar.
- Cômoda ou guarda-roupa: comprei os dois. Ganhei muitas fraldas mesmo, e precisei de lugar pra guardar. Ainda uso muito os dois, mas acho que só a cômoda ou um guarda-roupa bem dividido já seria o suficiente.
- Trocador: tem gente que usa a parte de cima da cômoda, com um colchonete. Eu amei ter comprado o trocador, Alice, quando bem novinha, simplesmente adorava ficar nele.
- Poltrona de amamentação: um conforto a mais, sem dúvida, mas um sofá confortável ou bons travesseiros na cama são suficientes.
ROUPINHAS:
- Todo mundo fala pra não comprar muita roupinha RN (Recém-nascido) porque o bebê cresce logo e quase não usa. Tudo bem que não vai comprar 20 conjuntinhos desse tamanho, mas tem que comprar alguns, sim. Alice usou bastante, e uma amiga que teve filho pouco antes de mim sofreu porque comprou tudo P pro filho dela e as roupinhas ficavam todas enormes.
- Eles gofam muito nos primeiros meses, logo sujam muita roupa. E não troque logo, não, pra ver o cheiro azedo insuportável que fica! kkkkk! Tenha, sim, um estoque razoável de peças RN e P.
- Os conjuntos chamados de "pagãozinho" (calça+blusinha) são lindos, mas não são práticos. Quando pegamos o baby no colo, é um tal da blusa levantar, ficar costas e barriga de fora, fica desarrumado e dá uma agonia danada. Nossa paixão, por aqui, foram os bodies, com short ou calça por cima. A roupinha fica sempre no lugar.
- Sapatinhos são altamente desnecessários, meinhas já resolvem bem o problema.
- Na Tip Top vendem uns macacõezinhos com mangas e pernas compridas, cobrindo os pezinhos, parte da linha Underwear. O primeiro que compramos pra Alice era todo branco, razão pela qual apelidamos esse tipo de roupa de "fantasminha". Até hoje é unanimidade aqui em casa. A gente põe por baixo de outras roupas quando está um pouco mais frio e ela sempre usa para dormir (cobre o corpo todo sem esquentar demais). Acho um dos melhores investimentos para bebês em termo de roupas.
- Em Brasília não faz muito frio, principalmente na época em que nascerão os bebês das atuais grávidas. Não se impressionem pelo friozinho dos últimos dias. Comprem mais roupas fresquinhas. Mantas, cobertorezinhos, etc, etc, uma manta leve pra enrolar o bebê na hora de sair e um cobertorzinho são mais que suficientes.
UTENSÍLIOS
- Chupeta, se optar por dá-la ao bebê, compre uma só. Alice não aceitou de jeito nenhum, e se torna um gasto inútil.
- Bebê até seis meses deve apenas mamar no peito, deixe pra comprar mamadeiras se e quando for necessário.
- Fraldinhas de pano compre às dezenas. Como disse, essa mania dos bebês gofarem suja muita coisa.
- Móbiles de berço são legais. Distraem o bebê.
- Bebê conforto é essencial. Não entre no carro sem ele.
- Sling é absolutamente tudo de melhor no mundo, principalmente pra bebês novinhos. Ali o bebê fica bem aconchegado à mãe e ela fica com as mãos livres para fazer o que quiser. Além disso, com o bebê bem escondidinho naquele monte de pano, ninguém tem coragem de ficar pegando no colo o tempo todo, o que é um saco para mãe e bebê. Também compramos aquele canguru (que o bebê fica pendurado em algo que parece uma mochila), mas não funcionou muito bem,não...
- Resista à tentação de comprar super-carrinhos. Aquele carrinho que desmonta que nem guarda-chuva é o único que realmente vale a pena.
- Banheira: usamos pouquíssimo. O banho de balde costuma ser mais gostoso pra criança e menos trabalhoso para os pais.
Se lembrar de mais coisas, vou colocando por aqui!
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Antes de ser mãe - Silvia Schmidt
Antes de ser mãe, eu fazia e comia os alimentos ainda quentes. Eu não tinha roupas manchadas,tinha calmas conversas ao telefone. Antes de ser mãe, eu dormia o quanto eu queria, nunca me preocupava com a hora de ir para a cama. Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes.
Antes de ser mãe, eu limpava minha casa todo dia. Eu não tropeçava em brinquedos e nem pensava em canções de ninar. Antes de ser mãe, eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou não. Imunizações e vacinas então, eram coisas em que eu não pensava.
Antes de ser mãe, ninguém vomitou e nem fez xixi em mim, nem me beliscou sem nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas. Antes de ser mãe, eu tinha controle sobre a minha mente, Meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos, e dormia a noite toda.
Antes de ser mãe,eu nunca tive quesegurar uma criança chorando, para que médicos pudessem fazer testesou aplicar injeções. Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam. Nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha, nem fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.
Antes de ser mãe, eu nunca segurei uma criança, só por não querer afastar meu corpo do dela. Eu nunca senti meu coração se despedaçar, quando não pude estancar uma dor. Nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida e que pudesse amar alguém tanto assim.
Eu não sabia que eu adoraria ser mãe. Antes de ser mãe, eu não conhecia a sensação, de ter meu coração fora do meu próprio corpo. Não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto. Não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança. E não imaginava que algo tão pequenino, pudesse fazer-me sentir tão importante.
Antes de ser mãe, eu nunca me levantei à noite toda , cada 10 minutos, para me certificar de que tudo estava bem. Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe. Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes. Por tudo e, apesar de tudo, obrigada Deus, Por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Obrigada meu Deus, por permitir-me ser Mãe!
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Não vá carregada para o parto
Meninas,
o texto de hoje, aqui no blog, não é meu. Ele foi escrito por uma doula portuguesa, a Rebeca, e eu achei tão importante e verdadeiro que quis compartilhar com vocês. É impressionante o número de relatos de parto que eu já li em que o processo "travou" completamente quando a mãe sofreu pressão do tipo "você tem que dilatar em tanto tempo", ou de mulheres que estavam muito preocupadas em não dar tempo de arrumar tudo e que não entraram em trabalho de parto até que conseguissem relaxar em relação a isso. É impressionante a influência de nossos medos e de nosso estresse sobre nossa cria e nosso processo de trazê-la ao mundo. Leiam com carinho!
O medo, a insegurança, a falta de auto-confiança, a distância em relação ao corpo são pesos que carregamos para o parto e vão condicioná-lo. Preparar-se para o parto é sobretudo aliviar a carga.
A parteira mexicana Naoli Vinaver diz que carregamos muitas malas conosco para o parto. Não é só a mala com as nossas roupas e as do bebê. São as malas com tudo o que temos por resolver na nossa vida, com tudo aquilo que o que nos amarra. São malas bem pesadas, por vezes. E às vezes são imensas. Durante o trabalho de parto vamos libertando-nos de muitas delas, vamos nos desamarrando. Por isso se diz que o parto pode ser transformador. Mas se o peso for excessivo, o parto pode arrastar-se, complicar-se ou até não ter início. Por isso, a enfermeira parteira Lúcia Leite diz que "a preparação para o parto faz-se no coração e na cabeça, trabalhando os medos e a auto-confiança." Por isso, o obstetra Ricardo Jones escreve: "Tanto quanto no sexo, existe muito mais no nascimento humano do que o que se pode encontrar no corpo e suas medidas."
Apesar de a obstetrícia ainda não incorporar na sua prática esta evidência científica, a verdade é que se descobriu uma nova dimensão no nascimento, qual seja, a indissociabilidade das emoções e sentimentos ao lado dos eventos mecânicos já conhecidos. Ficou evidente que muitas mulheres falhavam em ter seus filhos de uma forma mais natural porque algo além do corpo as impedia. O medo faz com que as mulheres estejam contraídas e não deixa libertar os hormônios que estimulam as contrações e a dilatação. Isto é assim porque somos mamíferos e a natureza, que sabe o que faz, encontrou esta forma de proteger as nossas crias: elas não nasceriam em ambiente ameaçador, mas apenas quando a mãe estivesse tranquila e segura.
Tendo em conta estas evidências, vale a pena preparar-se e aliviar alguma da sua carga. Faça-o por si e pelo seu bebê. Um parto com menos intervenção é um parto mais saudável, com menos riscos, que leva a um pós-parto infinitamente mais fácil. O poder de dar à luz o seu bebê está em voc só tem de descobri-lo.
Deixamos-lhe algumas dicas:
- Converse com alguém da sua confiança, fale dos seus medos, mesmo daqueles que parecem mais inconfessáveis, mais patetas, mais simples ou mais complicados.
- Se não tem ninguém com quem falar do mais íntimo do íntimo, dos medos mais inconfessáveis, se lhe custa verbalizar, ouvir-se dizer coisas que ainda nem percebeu muito bem... escreva. Um diário de gravidez é bom, mas é para deixar para a história. Escreva num caderno que seja só seu, onde não sinta os olhares de quem vai ler. Registre sentimentos, medos, inseguranças e você vai se libertar de um grande peso. Escrever é uma excelente maneira de colocar pra fora porque ninguém nos está ouvindo, mas também de organizar as ideias, trabalhar os medos, estruturar as prioridades.
- Participe em listas de discussão sobre parto humanizado.
- Procure uma doula que poderá acompanhará-la na gravidez, no parto e no pós-parto dando-lhe apoio emocional, ajudando-a a desfazer muitos dos seus medos.
- Faça uma lista daquilo que quer fazer ou resolver antes de do parto. Não se limite às compras e à preparação do quarto do bebê.
- Pratique ioga ou pilates. Ajuda não só fisicamente, mas também mentalmente, promovendo bem-estar e a união com o bebê.
- Aprenda técnicas de relaxamento ou meditação. Para quem tem altos níveis de ansiedade, estas técnicas são uma excelente forma de encontrar mais tranquilidade e confiança no próprio corpo. Um relaxamento profundo produz ondas cerebrais alfa, diminui a tensão arterial, reduz a tensão muscular, logo reduz também o stress e a ansiedade.
- Visualização positiva: visualizar o bebê estimula a ligação com ele e acalma os medos.
- Abrande o ritmo perto do final da gestação. Se puder, suspenda o trabalho. Dedique-se a fazer o ninho e relaxar. Passeios à beira-mar e ouvir música são boas atividades para aproveitar o fim do tempo de gestação.
Assinar:
Postagens (Atom)