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domingo, 3 de abril de 2016

Ser doula...

Ando bem sentimental esses dias, pensando na minha trajetória até aqui como doula. Engraçado como é um trabalho ainda mais extenuante do que a sala de aula, mas como saio de cada conversa, de cada roda, de cada parto extremamente revigorada. É sempre mágico conversar com uma mulher que está fabricando outra pessoa, com várias ao mesmo tempo, então... puxa... Tranquilizar uma mulher que está parindo, ajudá-la a perceber que tudo está indo bem e aliviar um pouco a sua dor, abraçar essa mulher que está em um momento tão frágil e simplesmente estar ali para o que ela precisar... e, como prêmio, ver uma nova vida chegar ao mundo, o  momento exato em que um bebezinho faz sua estreia na vida real... Olha, é uma profissão sensacional MESMO... 

E o resultado desse trabalho... Ah... É indescritível. Mas vamos a uma foto que mostra o que é um dia no meu whatsapp...



sábado, 27 de fevereiro de 2016

Na bolsa da doula


Fiz esse vídeo para vocês terem noção do que uma doula leva para um trabalho de parto e das várias formas como podemos tornar seu trabalho de parto uma experiência mais prazerosa!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Doula

Olá, amadas! 
Me chamo Marcela, tenho 29 anos, nascida numa comunidade do interior da Bahia, recebida neste mundo pelas mãos de uma parteira querida e cercada de pessoas que viriam a me amar por roda a vida. Criada num lugar tão pequeno é fácil imaginar que desde muito cedo me acostumei a cuidar e conviver com muitos bebês e crianças, tanto da minha própria família quanto dos vizinhos e das muitas famílias simples e especiais que muito me ensinaram. Cresci cercada de mulheres fortes, sábias, leoas, indias parideiras que são hoje grandes referências, e que só depois de adulta me fizeram perceber o quanto a natureza faz belas as mulheres em sua essência e em seu sagrado feminino.
Vim parar em Brasília há pouco mais de 4 anos e sou imensamente grata ao universo por tudo o que encontrei nesta terra. Dentre esses especiais encontros surgiu essa linda equipe "Poder de parir", formada pela Elisa, Clarice, Milena e eu, e à cada dia nos faz perceber que o ato de demonstrar e dar amor só nos possibilita receber também de volta muitos bons sentimentos.
Estou caminhando para ser doula por formação ( com certificado) mas o meu coração sempre esteve aberto a acolher e servir.
"Há braços" solidários!

Doula

Olá, mulheres! Sou a Clarice. Nascida em Brasília, filha de uma paraense guerreira e de um catarinense poeta. Tenho 29 anos e por enquanto sou mãe de felinos...rs Ainda assim, o universo da maternidade me cativou desde que vi o filme Renascimento do Parto, em 2013. Também fui me abrindo para os caminhos sagrados do feminino, aos poucos (re)descobrindo meu ser mulher. A busca pela fonte continuou incessante e um divisor de águas foi fazer o curso de Doula e Educadora Perinatalpela Matriusca. Além dos saberes e das vivências incríveis, tive o prazer imenso de ter conhecido duas jóias raras, a Elisa e a Milena, que ao meu lado e da Marcela (lindeusa) foi formada a equipe Poder de Parir. Desde então estamos preparando lindos momentos para nos conectar a vocês, tendo a certeza que nossos caminhos não se cruzaram ao acaso. Que esta jornada seja de muito aprendizado para todas nós, divinas mulheres que somos Emoticon heart

Doula

Doula é assim: chega na sua casa para uma visita, mas não é visita. Visita senta na sala e recebe um copo d'água. Doula abre a geladeira e bebe a água. Visita vê o quartinho do bebê, que está sendo arrumado e diz que vai ficar lindo. Doula sobe na escada e começa a pregar as bolinhas que a mãe quer pra deixar o quarto lindo. Doula é pau pra toda obra! kkkkkk

Doula

Oie. Sou Milena Araguaia, também conhecida por Raposa. O nome de rio ganhei de meus pais e no corre das águas vou me deixando ir. Tenho 34 anos e ainda não tenho filhotes próprios, mas a encantaria com o mundo do bebês e depois da maternidade me pegou desde cedo. Recentemente comecei a engatinhar nos conhecimentos dos Feminino e seu sagrado, onde nosso útero é capaz de gerar uma outra vida inteira e plena. Onde o nosso leite é o suficiente, durante meses, pra que aquele pequeno ser se constitua como um ser humano inteiro. Neste ano de muitos presentes, ganharei duas sobrinhas e fiz o curso de Doula pela Matriusca. Curso que me trouxe, além de conhecimento e afeto, a Elisa e a Cla. Nós três juntas da querida Marcela formamos a Poder de Parir, com muito carinho e amor para as mulheres que nos encontrarem nessa jornada. Emoticon heart

Doula

A palavra DOULA significa mulher que serve. Na época em que parir naturalmente era a regra, as mulheres que já haviam parido auxiliavam a que estava em trabalho de parto, trazendo apoio, conforto, tranquilidade. Hoje, que para parir é necessário brigar com unhas e dentes, surgiu a necessidade de ter alguém com o afeto das nossas ancestrais e com o conhecimento que vem sendo perdido com a medicalização do parto.
Ter uma doula é ter a quem pedir socorro quando não sabe o que fazer, é ter quem te esclareça as dúvidas, quem te aponte caminhos, quem te tranquilize no momento da ansiedade. Ter uma doula é ter quem te dê aquele carinho quando você se sente só, é ter quem te indique uma forma mais natural de resolver incômodos.
É ter quem te faça um escalda-pés e uma massagem no final da gestação e que ache fazer isso uma delícia!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Por que ter uma doula?


Bom, gente, pra começar é importante dizer que doula não é acompanhante. E que, por consequência, marido não é doula, mãe não é doula. Cada um tem seu papel, sua importância e seu momento de agir.
O processo de parto e nascimento, principalmente no contexto hospitalar, é marcado muitas vezes por uma atmosfera de risco, com dor, sofrimento, frustração, insatisfação e mesmo violência, sendo muitas as histórias de mulheres que viram o momento mágico do nascimento de seu bebê se tornar uma experiência dolorosa e muito distante do que elas gostariam que fosse. A presença do acompanhante e da doula servem para minimizar ao máximo essas experiências negativas, permitindo que o parto seja experimentado como deve ser.
O apoio oferecido pelo acompanhante e pela doula se complementam. O acompanhante tem um vínculo emocional com a mulher, e isso torna mais difícil que ele se mantenha calmo diante dos desconfortos e queixas da parturiente. Neste mesmo momento, a doula consegue calmamente ajudar essa mulher a lidar com seu trabalho de parto, ao mesmo tempo em que tranquiliza o acompanhante.
A palavra doula vem do grego, significando mulher que serve. Seu papel começa durante a gestação. Seu primeiro papel é ouvir a mulher. Essa mulher que está, em seu turbilhão hormonal, cumprindo as várias tarefas de seu cotidiano, na correria de sempre, e muitas vezes com dificuldades de entrar em contato com as próprias emoções. Não somos psicólogas, mas somos também mulheres, acostumadas a lidar com grávidas, e gostamos de ouvir. Além disso, a doula vai ajudar a grávida a se informar sobre os vários aspectos relacionados ao parto, a fim de encontrar e analisar suas opções e decidir sobre o nascimento da criança. Ela vai também incentivar a elaboração do plano de parto e de pós-parto, em que a mulher registra suas opções para o trabalho de parto, parto e puerpério. Não cabe a ela tomar as decisões, mas sim deixar o casal livre para fazer suas escolhas.
Durante o trabalho de parto, a doula será aquela pessoa que apoia fisicamente a grávida com técnicas não farmacológicas para o alívio da dor – massagens, água quente, dança de posição, etc. É ela também que vai incentivar com palavras e carinho essa mulher, para que ela consiga se concentrar no processo e lembrar das escolhas feitas. Ela não é médica ou enfermeira, logo sua atenção não estará nos procedimentos médicos e técnicos. Sua atenção estará, principalmente, na mulher. Ela é quem vai lembrar de oferecer líquidos, de contar para a mulher como está o seu processo, de incentivá-la. Ela é quem vai ajudar a mulher a visualizar o bebê abrindo seu caminho, quem vai vocalizar junto com ela, quem vai sugerir um banho quente. A presença da doula é carinho, conforto, acolhimento, alívio. E de uma forma que o acompanhante, sozinho, muitas vezes se atrapalha em fazer, justamente por estar muito envolvido emocionalmente com o processo.
Após o nascimento, a doula continua seu suporte, ajudando na adaptação da nova família, alertando sobre o baby blues e a depressão pós-parto, ajudando no estabelecimento da amamentação. Esse vínculo tão forte, estabelecido com a mulher, vai então se desvanecendo, mas pode ser prolongado por um mês, um ano ou até mesmo pela vida toda.
Se você está grávida, procure o quanto antes uma doula. Se não está, divulgue essa página e esse texto para suas amigas grávidas e estimule-as a procurarem uma. Todos os estudos apontam para uma satisfação muito maior com todo o processo de gravidez, parto e puerpério das mulheres que foram acompanhadas por doula, e esse cuidado a gente deseja pra todo mundo!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Por que o ambiente influencia a duração e a qualidade do trabalho de parto?

Por que o ambiente influencia a duração e a qualidade do trabalho de parto?
Como doulas, uma das nossas principais funções é cuidar do ambiente do parto. Estamos sempre apagando a luz, lembrando as pessoas de evitarem conversas paralelas, pedindo silêncio durante as contrações, colocando uma música agradável, usando um óleo essencial para tirar o cheirinho de hospital do quarto... Mas por que isso é tão importante, você sabe?
A primeira coisa a entender é que o trabalho de parto e o nascimento são uma verdadeira revolução hormonal nos organismos da mulher e do bebê. Os hormônios é que controlam tudo: contração, dilatação, expulsão, lactação, tudo é ditado por quatro hormônios principais: ocitocina, endorfinas, epinefrina e prolactina. Esses hormônios são os mesmos para todos os mamíferos, ou seja, é o momento em que nos igualamos a todos os animais que gestam e parem.
Mas há algo que nos diferencia essencialmente de todos os animais que gestam e parem: nosso neocórtex, que é o nosso cérebro racional. Os animais deixam-se guiar basicamente pelos seus instintos, não ficam questionando tanto e pensando tanto como nós, humanos. Naturalmente, os animais procuram um local mais reservado, escuro e tranquilo para parir, e não questionam como nós, aceitam o processo e se entregam a ele, porque é natural.
Já nós, mamíferas humanas, vamos parir em um hospital. Muita luz, muita gente entrando o tempo todo, perguntando coisas, nos obrigando a ficarmos com o nosso racional ligado. Dessa forma, nosso neocórtex funciona mais do que o nosso sistema límbico (essa parte primitiva e irracional do cérebro, que dá ordem para liberação dos hormônios do parto), o que tende a gerar um trabalho de parto mais longo e dolorido.
Para que o trabalho de parto seja mais prazeroso e que a sensação de dor seja aliviada, é preciso que o nosso neocórtex fique o menos ativo possível, ou seja, que a mulher consiga se concentrar no processo sem ser solicitada o tempo todo, sem ter que ficar racionalizando o que está acontecendo. Por isso a atmosfera de silêncio e privacidade, com pouca luz e pouca conversa, ajuda nessa mudança do funcionamento cerebral: se essas forem as condições do momento, a mulher será capaz de, por puro instinto, escolher posições, movimentos, sons que a ajudarão a parir da forma mais confortável possível.
Assim, a doula vai ajudar essa mulher a ter o máximo possível de privacidade e tranquilidade durante o seu trabalho de parto, preparando um ambiente confortável e orientando os presentes a respeitarem esse momento tão grandioso. Eu perco a conta de quantas vezes apago a luz e de quantas vezes digo "Espera a contração passar?" para a equipe de enfermagem. E todas as mulheres que já pariram podem confirmar o quanto isso é importante! Doula já! kkkkkkkk
(Elisa Costa, com imagem do blog felizparto.blogspot.com.br)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Nascimento de Alice, filha de Raquel, neta de Júlia

Raquel me mandou mensagem na segunda-feira cedinho, dizendo que estava com contrações desde 2h da manhã, com dores fortes, mas suportáveis, e sem perda de líquido. Ela mora em Santo Antônio do Descoberto e eu em Águas Claras, mas fiquei preocupada por ser a primeira vez que ela entrava em trabalho de parto, quis tranquilizar a família e ensinar a ela como lidar com as contrações. Então tomei um banho, café da manhã, deixei meu filho na escola e fui encontrá-la.
Chegando lá, a casa estava cheia. Marido, duas irmãs, sobrinha, logo chegou a mãe também. Conversei com ela, acompanhei algumas contrações, ensinei aos acompanhantes como aliviar a dor, tranquilizei a família. Vi que as contrações estavam bem irregulares, então deixei Raquel nas boas mãos da família e fui buscar meu filho, almoçar e descansar um pouco.
Voltei para a casa da Raquel lá pelas 15h. As contrações continuavam irregulares e a casa continuava cheia. As contrações estavam bem mais doloridas, então fiz bastante massagem para aliviar e, quando ela estava mais tranquila, saímos para caminhar. Durante toda a caminhada, com direito a parada para agachamentos no parquinho, as contrações param totalmente. Quando voltamos para casa e o corpo dela esfriou, elas começaram a vir fortes e entrando em um ritmo de uma a cada 6, 7 minutos, mais doloridas. Achei que o trabalho de parto fosse engrenar ali, mas elas perderam o ritmo.
Já eram umas 19h quando chamei Raquel e o marido no quarto, apaguei a luz, coloquei uma música e deixei os dois namorando e ela com a missão de rebolar e agachar pra ver se as contrações engrenavam. Ela logo se queixou de cansaço e sono, então falei para ela deitar e descansar, e tive a sensação de que não seria aquele o dia do nascimento da Alice. Ela foi deitar, mas não ficou meia hora deitada e foi pro banho. No meu entendimento, era hora de ela descansar e poupar energia para o parto, sossegar. Mas a família estava começando a ficar visivelmente tensa e com medo de algo estar errado. Reuni todos na sala para explicar que ela não estava ainda em trabalho de parto ativo, que eram apenas os pródromos, e que aquele estado podia durar muitos dias. Orientei a, caso eles se sentissem inseguros, que fossem ao posto de Santo Antônio mesmo para que o médico ouvisse os batimentos cardíacos do bebê e fui para casa descansar.
Pouco depois, ela me mandou mensagem dizendo que estava indo para o Hospital da Samambaia. Aí começou o circo de horrores... No hospital da Samambaia, não queriam atendê-la porque o pré-natal tinha sido eito na Ceilândia. Insisti muito e eles a avaliaram. Ela estava cm 1cm de dilatação apenas. Ela ficou desesperada, mesmo eu explicando que no primeiro parto a dilatação demora mais porque primeiro o colo do útero tem que apagar para depois dilatar. A madrugada em claro e a falta de sono durante o dia começaram a pesar. Eram cerca de 23h quando ela decidiu ir para o Hospital de Ceilândia, para onde ela não queria ir, mas concluiu que seria a única opção. Falei que seria melhor ela ir para casa e esperar pelo menos até a manhã seguinte, descansar, mas ela estava mesmo muito nervosa e decidiu tentar ser atendida no HRC e pedir a cesárea, que imaginei que seria feita por ela já estar com 41+3 semanas.
No Hospital da Ceilândia, um daqueles espécimes de "profissional" que faz a gente temer pelo futuro dos seres humanos. Um médico tosquíssimo, que não deixou ela entrar acompanhada, que fez um toque brutal dizendo "Tava com 1 cm? Peraí! (forçando a abertura na marra) Agora tá com três!". Ela gritou de dor com o 'toque' cruel, e ouviu "Cala essa boca! Levanta da maca e senta naquela cadeira! Rápido!". O resto de tranquilidade e sanidade que a Raquel tinha a abandonou nesse momento e ela chorava muito. Resolveu que naquele hospital, com aquele médico, ela não ficaria mais e foi para o HMIB. Lá, o médico queria induzir o parto. Já estava quase amanhecendo, 28 horas com contrações e segunda noite sem dormir, ela implorou por uma cesariana, mas não a ouviram, dizendo que ela "ainda aguentava muito".
Ela decidiu, então, fazer um sacrifício nada pequeno e pagar pela realização de uma cesariana em um hospital particular. Foi, então, internada e, às 9h25min, nasceu Alice, com 51cm e 3.865kg. Forte, gordinha, linda demais da conta. Mãe e filha passam bem, Raquel provavelmente dormirá o resto do dia de tão exausta.
E a doula aqui, vai passar o dia digerindo, sabe?! Tentando digerir esse sistema que maltrata, que humilha, que rebaixa a mulher num momento tão importante. Tentando entender o medo que as pessoas têm do parto e a necessidade de estar em um hospital. Tentando absorver a quantidade de procedimentos cruéis e desnecessários que é feita num recém-nascido. Tentando compreender porque esses procedimentos não podem ser feitos ao lado da mãe, por que essa criança é levada para outra sala. Tentando aceitar que, por risco de infecção, assim que o bebê nasce a mulher não pode mais ter um acompanhante ao seu lado. Tentando crer que toda vez que eu, como doula, quiser ver um bebê de doulanda minha nascer vou ter que implorar e aceitar pacificamente ser deixada de lado na hora que aquela mulher mais precisa do meu apoio. A doula está aqui de estômago embrulhado, percebendo claramente como são duros os limites de sua profissão.

domingo, 2 de agosto de 2015

E na bolsa da doula...

Minha bolsinha de atendimento para o parto! Ser doula é tentar pensar em tuuuudo, prever soluções... Tipo um aroma gostoso para disfarçar aquele cheiro de hospital, ou um canudo para facilitar que a mulher ingira líquidos...

Por que ter uma doula?

Bom, gente, pra começar é importante dizer que doula não é acompanhante. E que, por consequência, marido não é doula, mãe não é doula. Cada um tem seu papel, sua importância e seu momento de agir.
O processo de parto e nascimento, principalmente no contexto hospitalar, é marcado muitas vezes por uma atmosfera de risco, com dor, sofrimento, frustração, insatisfação e mesmo violência, sendo muitas as histórias de mulheres que viram o momento mágico do nascimento de seu bebê se tornar uma experiência dolorosa e muito distante do que elas gostariam que fosse. A presença do acompanhante e da doula servem para minimizar ao máximo essas experiências negativas, permitindo que o parto seja experimentado como deve ser.
O apoio oferecido pelo acompanhante e pela doula se complementam. O acompanhante tem um vínculo emocional com a mulher, e isso torna mais difícil que ele se mantenha calmo diante dos desconfortos e queixas da parturiente. Neste mesmo momento, a doula consegue calmamente ajudar essa mulher a lidar com seu trabalho de parto, ao mesmo tempo em que tranquiliza o acompanhante.
A palavra doula vem do grego, significando mulher que serve. Seu papel começa durante a gestação. Seu primeiro papel é ouvir a mulher. Essa mulher que está, em seu turbilhão hormonal, cumprindo as várias tarefas de seu cotidiano, na correria de sempre, e muitas vezes com dificuldades de entrar em contato com as próprias emoções. Não somos psicólogas, mas somos também mulheres, acostumadas a lidar com grávidas, e gostamos de ouvir. Além disso, a doula vai ajudar a grávida a se informar sobre os vários aspectos relacionados ao parto, a fim de encontrar e analisar suas opções e decidir sobre o nascimento da criança. Ela vai também incentivar a elaboração do plano de parto e de pós-parto, em que a mulher registra suas opções para o trabalho de parto, parto e puerpério. Não cabe a ela tomar as decisões, mas sim deixar o casal livre para fazer suas escolhas.
Durante o trabalho de parto, a doula será aquela pessoa que apoia fisicamente a grávida com técnicas não farmacológicas para o alívio da dor – massagens, água quente, dança de posição, etc. É ela também que vai incentivar com palavras e carinho essa mulher, para que ela consiga se concentrar no processo e lembrar das escolhas feitas. Ela não é médica ou enfermeira, logo sua atenção não estará nos procedimentos médicos e técnicos. Sua atenção estará, principalmente, na mulher. Ela é quem vai lembrar de oferecer líquidos, de contar para a mulher como está o seu processo, de incentivá-la. Ela é quem vai ajudar a mulher a visualizar o bebê abrindo seu caminho, quem vai vocalizar junto com ela, quem vai sugerir um banho quente. A presença da doula é carinho, conforto, acolhimento, alívio. E de uma forma que o acompanhante, sozinho, muitas vezes se atrapalha em fazer, justamente por estar muito envolvido emocionalmente com o processo.
Após o nascimento, a doula continua seu suporte, ajudando na adaptação da nova família, alertando sobre o baby blues e a depressão pós-parto, ajudando no estabelecimento da amamentação. Esse vínculo tão forte, estabelecido com a mulher, vai então se desvanecendo, mas pode ser prolongado por um mês, um ano ou até mesmo pela vida toda.
Se você está grávida, procure o quanto antes uma doula. Se não está, divulgue essa página e esse texto para suas amigas grávidas e estimule-as a procurarem uma. Todos os estudos apontam para uma satisfação muito maior com todo o processo de gravidez, parto e puerpério das mulheres que foram acompanhadas por doula, e esse cuidado a gente deseja pra todo mundo!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Não vá carregada para o parto

Meninas,


o texto de hoje, aqui no blog, não é meu. Ele foi escrito por uma doula portuguesa, a Rebeca, e eu achei tão importante e verdadeiro que quis compartilhar com vocês. É impressionante o número de relatos de parto que eu já li em que o processo "travou" completamente quando a mãe sofreu pressão do tipo "você tem que dilatar em tanto tempo", ou de mulheres que estavam muito preocupadas em não dar tempo de arrumar tudo e que não entraram em trabalho de parto até que conseguissem relaxar em relação a isso. É impressionante a influência de nossos medos e de nosso estresse sobre nossa cria e nosso processo de trazê-la ao mundo. Leiam com carinho!




O medo, a insegurança, a falta de auto-confiança, a distância em relação ao corpo são pesos que carregamos para o parto e vão condicioná-lo. Preparar-se para o parto é sobretudo aliviar a carga.


A parteira mexicana Naoli Vinaver diz que carregamos muitas malas conosco para o parto. Não é só a mala com as nossas roupas e as do bebê. São as malas com tudo o que temos por resolver na nossa vida, com tudo aquilo que o que nos amarra. São malas bem pesadas, por vezes. E às vezes são imensas. Durante o trabalho de parto vamos libertando-nos de muitas delas, vamos nos desamarrando. Por isso se diz que o parto pode ser transformador. Mas se o peso for excessivo, o parto pode arrastar-se, complicar-se ou até não ter início. Por isso, a enfermeira parteira Lúcia Leite diz que "a preparação para o parto faz-se no coração e na cabeça, trabalhando os medos e a auto-confiança." Por isso, o obstetra Ricardo Jones escreve: "Tanto quanto no sexo, existe muito mais no nascimento humano do que o que se pode encontrar no corpo e suas medidas."


Apesar de a obstetrícia ainda não incorporar na sua prática esta evidência científica, a verdade é que se descobriu uma nova dimensão no nascimento, qual seja, a indissociabilidade das emoções e sentimentos ao lado dos eventos mecânicos já conhecidos. Ficou evidente que muitas mulheres falhavam em ter seus filhos de uma forma mais natural porque algo além do corpo as impedia. O medo faz com que as mulheres estejam contraídas e não deixa libertar os hormônios que estimulam as contrações e a dilatação. Isto é assim porque somos mamíferos e a natureza, que sabe o que faz, encontrou esta forma de proteger as nossas crias: elas não nasceriam em ambiente ameaçador, mas apenas quando a mãe estivesse tranquila e segura.


Tendo em conta estas evidências, vale a pena preparar-se e aliviar alguma da sua carga. Faça-o por si e pelo seu bebê. Um parto com menos intervenção é um parto mais saudável, com menos riscos, que leva a um pós-parto infinitamente mais fácil. O poder de dar à luz o seu bebê está em voc só tem de descobri-lo.


Deixamos-lhe algumas dicas:


- Converse com alguém da sua confiança, fale dos seus medos, mesmo daqueles que parecem mais inconfessáveis, mais patetas, mais simples ou mais complicados.


- Se não tem ninguém com quem falar do mais íntimo do íntimo, dos medos mais inconfessáveis, se lhe custa verbalizar, ouvir-se dizer coisas que ainda nem percebeu muito bem... escreva. Um diário de gravidez é bom, mas é para deixar para a história. Escreva num caderno que seja só seu, onde não sinta os olhares de quem vai ler. Registre sentimentos, medos, inseguranças e você vai se libertar de um grande peso. Escrever é uma excelente maneira de colocar pra fora porque ninguém nos está ouvindo, mas também de organizar as ideias, trabalhar os medos, estruturar as prioridades.


- Participe em listas de discussão sobre parto humanizado.


- Procure uma doula que poderá acompanhará-la na gravidez, no parto e no pós-parto dando-lhe apoio emocional, ajudando-a a desfazer muitos dos seus medos.


- Faça uma lista daquilo que quer fazer ou resolver antes de do parto. Não se limite às compras e à preparação do quarto do bebê.


- Pratique ioga ou pilates. Ajuda não só fisicamente, mas também mentalmente, promovendo bem-estar e a união com o bebê.


- Aprenda técnicas de relaxamento ou meditação. Para quem tem altos níveis de ansiedade, estas técnicas são uma excelente forma de encontrar mais tranquilidade e confiança no próprio corpo. Um relaxamento profundo produz ondas cerebrais alfa, diminui a tensão arterial, reduz a tensão muscular, logo reduz também o stress e a ansiedade.


- Visualização positiva: visualizar o bebê estimula a ligação com ele e acalma os medos.


- Abrande o ritmo perto do final da gestação. Se puder, suspenda o trabalho. Dedique-se a fazer o ninho e relaxar. Passeios à beira-mar e ouvir música são boas atividades para aproveitar o fim do tempo de gestação.