domingo, 2 de agosto de 2015

Ah, vamos falar de enxoval também?

As futuras mamães, principalmente as de primeira viagem, costumam ficar bastante confusas com as listas de enxoval. Eu lembro que, grávida da minha primeira filha, eu não fazia ideia de quantas peças de roupa, de que tipo e de que tamanho comprar. Fora os nomes, que não me diziam nada, como “pagãozinho”, “cueiro”, “moisés”, e por aí vai...
Para ajudar, seguem algumas dicas quanto ao enxoval:
1. NÃO COMPRE. Kkkkkkkk! Mas é sério, segure o impulso! A gente fica morrendo de vontade de comprar tudo o que vê, mas depois fica cheia de itens duplicados, porque acabamos ganhando um monte de coisas de presente! Tenha paciência, adie as compras o máximo possível.
2. FAÇA UMA LISTA. Tenha uma lista, enxuta, do que precisa. Assim, quando alguém perguntar sobre o que dar de presente, em vez de responder que não sabe , você pode dar uma série de opções para a pessoa. Ter essa lista no celular, em aplicativos como o evernote, é melhor ainda, pois assim ela estará sempre à mão.
3. Lembre-se de que você vai trazer um bebê ao mundo, e não se mudar para a Sibéria. A impressão que eu tenho é de que a maioria das mães acha que vai passar o primeiro ano do bebê no alto de uma montanha no Tibet, gente... Não é preciso ter absolutamente tudo antes do bebê nascer! Por exemplo, roupinhas tamanho G – quando é que o bebê vai usar isso? Será que até lá você já não vai poder sair junto com ele e comprar? Se faltar alguma coisa nos primeiros dias, não é o fim do mundo, você vai simplesmente encarregar o papai de ir à loja de bebês mais próxima, ou à farmácia, ou ao supermercado, e comprar.
4. MENOS É MAIS. Conversando com mães de bebês de 5, 6 meses, é grande a chance de você ouvir um “Nossa, comprei e nunca usei”, “Puxa, fulaninho perdeu x roupas e y sapatinhos sem nunca usar”. Tente evitar esse desperdício, num planeta em que a escassez assola a tantos.
5. Pesquise sobre FRALDAS DE PANO MODERNAS. Temos uma imagem muito ruim das fraldas de pano, como algo ultrapassado e trabalhoso. Se você der uma googlada rápida, vai ver que as fraldas de pano modernas são práticas, sustentáveis e LIIIIIINDAS!
6. Compre um SLING. Juro pra você que ele é a coisa mais maravilhosa do mundo! No sling seu bebê vai estar em contato com você, enroscadinho, se sentindo dentro da barriga de novo, vai dormir um monte e você vai continuar com as mãos livres para fazer o que quiser.
7. Compre um BALDE ou OFURÔ para dar banho no bebê. Gente, a banheira dá um trabalho danado para encher, para esvaziar... Banho de balde é muito mais simples de dar e os bebês adora, relaxam que é uma coisa! E logo que possível experimente a delícia que é tomar banho de chuveiro com seu bebê! O primeiro banho de chuveiro da Alice, minha mais velha, foi com 1 mês de idade; do Heitor, com 3 dias, no primeiro cocô terrível de limpar.
8. Quando for decidir sobre o CARRINHO, lembre que o mais importante de tudo é você conseguir montar e desmontar COM FACILIDADE. Não dá para depender dos outros para isso, se não você vai sempre pensar dez vezes antes de sair! O carrinho tem que ser leve e prático!
9. Vá aos BRECHÓS. Sem torcer o nariz, tá?! Gente, bebê usa tudo muito pouco, porque cresce rápido demais!!! As coisas de bebês disponíveis nos brechós são super novinhas, muitas vezes nem usadas, e você compra tudo pela metade do preço das lojas! Aqui em Brasília, recomendo muito o PEÇA RARA, da 307 sul (tem em outros endereços, mas não lembro agora, se alguém puder postar nos comentários, agradeço).
10. Lembre-se de que um bebê precisa mesmo é de PEITO, COLO e CARINHO. O resto é só o resto.
Se você gostou do post, compartilhe com alguém que também possa se beneficiar dele e curta nossa página, tem sempre informações bem legais!

Já ouviu falar do chá de framboesa?

Já ouviu falar do chá de folha de framboesa?
Esse chá é conhecido por suas propriedades medicinais no sistema reprodutor feminino. Há estudos que comprovam que quem faz uso do chá a partir da 36ª semana de gestação costuma ter um trabalho de parto mais rápido, pois as contrações vem mais efetivas.
O problema é que a planta é originária do hemisfério norte, o que torna um pouco difícil encontrar o chá por aqui, mas quem quiser pode encomendar em sites estrangeiros e torcer para chegar a tempo...
Existem chás mais fáceis de encontrar que também dão aquela mãozinha, mesmo não sendo tão específicas quanto a folha de framboesa. Sálvia, noz moscada e canela são alguns exemplos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Nascimento de Heitor



Eu sentia que ele não ia demorar. Iara, minha parteira, sentia o mesmo. Heitor crescia dentro de mim, e eu estava só esperando a hora de ele chegar. Curtia cada dia de barriga como se fosse o último e corria com os preparativos para o meu parto domiciliar. 

Foi longo o caminho que me trouxe Heitor. Alice, minha primeira filha, foi parida no hospital, com todo o acompanhamento e parafernalha médicos, embora eu sonhasse em tê-la em casa – faltou coragem. Com Heitor, já sobrava confiança, e a equipe me foi “revelada” quando recebi um convite para uma palestra com Iara, Ana Cyntia e Paloma, parteiras. Não sabia como convenceria o marido e os meus pais (que moram praticamente junto comigo), mas já sabia mais do que bem o que queria. 

Graças a Deus, tudo se encaminhou em paz e harmonia. Meu marido foi meu super parceiro, como sempre. Meus pais aceitaram sem maiores resistências, após uma conversa com as parteiras e com meu tio, o que muito me surpreendeu. Só a ação divina poderia explicar a simplicidade, a facilidade como tudo se desenrolou. Logo após a conversa, Iara me chamou num cantinho e disse para eu apressar os preparativos para o parto, pois ela sentia que Heitor não ia demorar. Para evitar que as pessoas tentassem me convencer do contrário e eu tivesse que ficar argumentando e reargumentando, explicando como o parto domiciliar é seguro, só compartilhei a decisão com as pessoas que estariam presentes no dia. Para a maioria da família e dos amigos, a chegada de Heitor em casa foi um grande susto. 

 Às 2h40 da madrugada do dia 24 de julho, tive uma ruptura parcial da bolsa, e acordei com o molhado na cama. A partir daí, comecei a ter uma cólica leve. Lá pelas 4h, as contrações começaram, e chamei Iara. Ela chegou às 5h, ouviu o coraçãozinho do Heitor, fez um exame de toque, eu já estava com 4 cm de dilatação, com contrações ainda bem leves e plenamente suportáveis. Ao amanhecer, chegaram a Ana Cyntia (minha segunda parteira), minha irmã e meu tio (que é enfermeiro e um grande parceiro). Tomamos um café da manhã muito animado, todos rindo muito e super felizes com a iminente chegada do mais novo membro da família.

Depois do café, sentimos que a agitação da casa estava demais. Iara e Ana Cyntia sugeriram uma caminhada só com as parteiras pelos arredores de casa. Um sol delicioso, um dia lindo, e as contrações a partir daí ficaram mais doloridas. Iara fez uma nova avaliação: 6 cm. Fiquei bem chateada: achei que as coisas estavam mais adiantadas, pois as contrações estavam bem mais doloridas do que durante a madrugada. Devia ser por volta das 10h30, e a noite não dormida estava me vencendo. Ana Cyntia me disse para tentar dormir. Duvidei que conseguisse, mas as contrações deram, então, uma espaçada de uns 15 minutos, durante os quais eu até ronquei. Mais umas três contrações fortes e resolvi tentar deitar e dormir, mais uns 15 minutos de sossego até que uma contração fortíssima me sacudiu e me levantou de vez. Sentei ao sol com as parteiras e fiquei conversando, eram umas 11h. 

As contrações estavam ainda irregulares, mas realmente intensas. Decidi, então, entrar na piscina montada na minha sala. Imaginei que a água quente fosse aliviar aquela sensação dolorosa e me tranquilizar um pouco. Fiquei sentada e, a cada contração, apoiava as mãos no fundo e levantava os quadris. Quando fazia algum barulho, sentia mais dor, então as fortes contrações transformaram-se num silencioso mergulho dentro de mim. A cada onda, meus olhos se fechavam e eu pensava em Heitor, permitindo-me dilatar, abrir, permitindo a chegada de meu príncipe sem lhe opor resistência. Alice, minha pequena de 1 ano e 8 meses, entrou comigo na piscina. Achei que ela fosse se assustar, vendo a mãe sentir dor, mas que nada! Brincou com a água, curtiu muito o momento piscina dela. 

Durante esse tempo de mergulhos silenciosos e, nos intervalos, paparicos de filhota, as pessoas foram voltando para perto de mim, mas num respeitoso silêncio. De alguma forma, todos sabiam que o momento estava próximo. Iara me pediu, então, que introduzisse um dedo na vagina e tentasse sentir a cabecinha dele. Me emocionei ao ver que estava assustadoramente perto, e me liberei ainda mais para curtir aquela dor, que trazia meu filho cada vez para mais perto de mim. Nesse momento, outra mágica aconteceu: senti Heitor virar-se inteiro dentro de mim. Sabia que ele estava encontrando seu caminho, que faltava muito pouco!

Tiraram, então, Alice da piscina, pois ela volta e meia esbarrava na minha barriga, o que doía muito. O escândalo que ela fez foi de cortar o coração. Quase parei tudo para ir buscá-la, mas sabia que ela estava em boas mãos, e que logo estaria vendo o irmãozinho nascer. Comecei a sentir a pressão da cabecinha dele chegando. Iara me pediu para mudar de posição, para que houvesse espaço para a saída dele. Com muita dificuldade, consegui ficar de joelhos, não era, em teoria, uma boa posição, mas eu já não conseguia mudar. Senti uma forte ardência e uma contração bem forte, e a cabecinha de Heitor saiu de dentro de mim. Mais do que depressa, meu marido lindo entrou na água. Ele se posicionou à minha frente, e Iara colocou a mão de forma a impedir que, na saída, Heitor fosse para trás em vez de para os braços do pai.

Mais uma contração (ou duas) e meu pequeno príncipe nasceu, às 12h06min, acompanhado do grito emocionado da minha mãe, das lágrimas abundantes da minha irmã e do olhar curioso da maninha Alice. Meu marido pegou Heitor da água, e entregou aquele pequeno tesouro nas minhas mãos. Eu olhava para ele sem acreditar que havia acabado, que meu neném já estava nos meus braços, e só conseguia repetir: “Bem-vindo, meu filho, bem-vindo!”. 

 Da piscina, saímos para a minha cama, onde esperamos a saída da placenta e o papai (do Heitor, não o meu, hehehe) cortou o cordão umbilical. As parteiras fizeram um rápido exame, em seguida Heitor mamou. Não tive nenhuma laceração, nenhuma complicação, nenhum problema. Curti meus filhos, juntos, logo após o parto, e tive os dois junto a mim durante todo o tempo posterior. Comi da comida da minha casa e tomei banho no meu chuveiro. Dormi na minha cama, com meu filhote do meu lado. Essas coisas não têm preço!!!!

E estamos vivendo uma linda lua-de-leite, nos amando, todos, mais a cada minuto!

"Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão". (Salmos 127:3)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Amamentação Prolongada

Por Enfermeira Isabel Pedro – Lisboa

O início e duração da amamentação supõem uma decisão pessoal sobre a qual influem múltiplos fatores. Para Applebaum(1975), o sucesso da amamentação parece estar dependente da interligação de três variáveis, cada uma delas absolutamente necessárias à existência das outras: uma mãe e um pai motivados e decididos a amamentar; um lactente saudável e com boa capacidade de sucção; e pessoal compreensivo, encorajador e competente.

Porque é que chegados ao ano de 2005, ainda técnicos de saúde indicam o desmame no primeiro ano de vida?

Recentemente, uma mãe conversava com uma enfermeira acerca da duração da amamentação, quando esta técnica lhe respondeu “sabemos todos muito bem que a partir de um ano de vida do bebé se deve introduzir o leite de vaca”. A resposta desta enfermeira reflete uma ideia errada mas comum entre nós. É predominante na nossa cultura, entender a amamentação somente como um meio para fornecer nutrição e protecção imunológica adequadas. Nas culturas onde é permitido à criança a amamentação por mais tempo, encontrou-se que o desmame natural ocorre entre os três e quatro anos de idade (Davies, 1993).

A OMS e a UNICEF expressam a importância da amamentação prolongada na “Declaração de Innocenti” de 1 de Agosto de 1990 nos seguintes termos: “Para otimizar a saúde e a nutrição materno-infantil, todas as mulheres devem estar capazes de praticar o aleitamento materno exclusivo e todas as crianças devem ser alimentadas exclusivamente com leite materno, desde o nascimento até aos primeiros 4 a 6 meses de vida. Até aos dois anos de idade, ou mais, mesmo depois de começarem a ser alimentadas adequadamente, as crianças devem continuar a amamentação.”

Felizmente e/ou infelizmente, em Portugal, ao abrigo do nº2 do Artº 12 do Decreto Lei nº 142/99, publicado no Diário da República nº 203 de 31 de Agosto de 1999 é salvaguardado o direito da “trabalhadora lactante” durante todo o tempo que durar a amamentação.

Os benefícios da amamentação, em termos de saúde do bébé estendem-se durante todo o tempo no qual esta decorre. Crianças amamentadas são beneficiadas nutricionalmente
O leite materno é o alimento perfeito para bebês humanos. Contém todas as proteínas, gorduras, hidratos de carbono, minerais e vitaminas necessários ao crescimento humano nas proporções correctas para um bébé humano. Estas proporções ajustam-se ao longo do tempo para corresponder às necessidades do bébé (Davies,1993).

Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida é muito similar ao leite do primeiro ano (Victora, 1984). No segundo ano de vida, 500 ml de leite materno proporcionam à criança:

95% do total de vitamina C necessária;
45% do total de vitamina A necessária;
38% do total de proteínas necessárias;
31% de calorias necessárias.

Os fatores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam a receber os benefícios da imunidade (Goldman et al, 1983).

O leite materno continua a evitar doenças e a facilitar a recuperação de outras durante o segundo e terceiro anos de vida. Isto porque o leite materno é estéril, isento de bactérias e contém factores anti-infecciosos que incluem:

- leucócitos (células brancas vivas) que matam bactérias;
- imunoglobulinas, que são proteínas muito especiais que transportam os anticorpos para proteger o bebé das doenças contra as quais a mãe desenvolveu uma imunidade;
- factor bífido que facilita o crescimento de uma bactéria especial (lactobacillus bifidus) no intestino da criança, impedindo que outras bactérias cresçam e causem diarreia;
- lactoferrina, uma proteína anti-infecciosa que se junta ao ferro, ajudando a eliminar bactérias patogénicas pois nega-lhes esse elemento de que necessitam para crescer (King y Thomson y Gordon, 1991).

Portanto, a amamentação prolongada continua a reduzir a morbi-mortalidade infantil ao diminuir a incidência de doenças infecciosas. O que significa menos idas ao pediatra, menos medicação, proporcionando benefícios económicos para a família e à nação.

Está bem documentado que quanto mais tarde se introduzir leite de vaca, e outros alimentos alergênicos, menos probabilidades essas crianças terão de apresentar reações alérgicas (Savilahti,1987).As pessoas alimentadas, na primeira infância (entre 1 a 6 anos de idade), ao peito, são mais tarde menos atreitas a doenças cardíacas e a desarranjos do aparelho digestivo. Os bebês alimentados ao peito também têm menos probabilidade de vir a ter excesso de peso do que os que são alimentados a biberão e têm menos probabilidades de sofrer de uma forma de apodrecimento dos dentes que atinge as crianças muito jovens conhecido por cárie de mamadeira. Também o mecanismo de sucção é diferente do dos bebês alimentados a mamadeira, e é mais difícil. Isso pode contribuir para o desenvolvimento de maxilares saudáveis; certas anormalidades da boca e dos maxilares são mais raras nas crianças que foram amamentadas (Davies,1993).

Horwood e Fergusson (1998) consideram que crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas. Os autores sustentam esta opinião num estudo que seguiu mais de 1000 crianças da Nova Zelândia com idades compreendidas entre os 8 e 18 anos de idade. No estudo realizado, as crianças foram sujeitas a umas séries de avaliações das habilidades cognitivas e êxitos académicos que incluíam medição do coeficiente intelectual infantil, avaliações dos professores sobre rendimento escolar; provas de compreensão da leitura, matemáticas e habilidades escolares. Concluíram que havia umas tendências pequenas mas consistentes para a duração crescente da amamentação estar associada com um coeficiente intelectual aumentado, e um desempenho aumentado em testes estandardizados. As crianças obtinham avaliações mais elevadas do seu desempenho na sala de aula e melhores notas em exames finais.
Os autores, professores David M. Fergusson e L. Jonh Horwood da Escola de Medicina de Christchurch subscrevem a teoria de que as gorduras insaturadas encontradas no leite humano são importantes para o crescimento do cérebro e do sistema nervoso.
Crianças amamentadas são mais ajustadas socialmente

Um estudo com bebés amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período da amamentação e o ajustamento social avaliado por mães e professores) em crianças de 6 a 8 anos de idade (Freguson et al, 1987). Nas palavras dos pesquisadores: “Existem tendências estatisticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação”.

Mamar durante a infância ajuda os bebés a fazer uma transição gradual no desenvolvimento da sua personalidade individual e maturidade.

Muitas das afirmações feitas por médicos e autores sobre a superioridade da amamentação baseiam-se na convicção de que a amamentação é melhor para o bebê/criança do ponto vista psicológico. Amamentar é atender às necessidades de dependência da criança, de acordo com o tempo único da criança. Esta é a chave para ajudar a criança a alcançar a sua independência. As crianças que conquistam a sua independência em seu próprio ritmo, são mais seguras dessa independência que as crianças forçadas a isso prematuramente.

A amamentação de bebês mais velhos proporciona uma oportunidade de brincar e uma bebida de conforto, serenidade para bebês cansados, doentes, assustados, contrariados, ajudando-os a superar o stress diário da infância. Porque a amamentação se torna uma forma agradável de bem-estar emocional entre o bebé e a mãe. Muitos bebés gostam, compreensivelmente, de continuar a gozá-la por vezes durante o segundo, o terceiro ou até o quarto ano de vida (Davies,1993).

Mas será que todos os profissionais de saúde baseiam os seus conselhos sobre desmame em resultados de pesquisa científica?
Aparentemente não, porque não existe nenhuma indicação que amamentar para além do primeiro ano de vida tenha efeitos negativos. Aliás o que existe é a evidência ampla dos seus benefícios. Então, qual é a base do frequentemente ouvido “desmame ao um ano de vida”?

Há provavelmente diversos factores envolvidos. Um deles pode ser simplesmente expectativas culturais. Os técnicos de saúde estão sujeitos a pensar em conformidade com as tendências culturais. Isto é, presentemente parece que esperamos todos pelo desenvolvimento precoce e a independência adiantada nas crianças. Assim sendo, dar ênfase ao desmame precoce parece estar de acordo com a tendência atual. Ironicamente, um desmame precoce, forçado pode realmente impedir as necessidades emocionais de dependência no desenvolvimento, retardando assim a independência da criança.

Uma outra influência em atitudes para o desmame precoce pode ser o ritmo apressado da nossa sociedade. Amamentar um bebê mais velho não é compatível com os estilos de vida moderna. Aliás já se ouve falar no alargamento dos horários das creches/infantários.

Um outro fator prende-se com mais um preconceito baseado no fascínio da nossa cultura com o peito como estímulo sexual. Uma criança que já saiba andar ou mesmo que já saiba falar pode ser considerada demasiada velha para encontrar o conforto físico no peito da sua mãe. No entanto, segundo Davies(1993), uma vantagem de amamentar uma criança que fala e compreende a linguagem é poder-lhe explicar porque é que não pode dar-lhe de mamar no jardim infantil, nem na casa da tia, nem no carro. Nesta fase, ele compreende a palavra “não” e pode ser distraído com outras coisas. Ela pode protestar ou ter uma birra, mas as outras crianças que não são amamentadas, também têm birras. É importante distinguir entre um desejo muito natural de conforto e contacto e o comportamento exigente não razoável exibido, ás vezes, por todas as crianças quando começam a andar.

Existe mais um fator que leva os técnicos de saúde a recomendar o desmame precoce. Este factor assenta unicamente em ideias erradas. Alguns médicos podem pensar que a amamentação prolongada vai interferir com o apetite da criança para outros alimentos. Contudo, não existem pesquisas indicando que a criança amamentada tem maior tendência a recusar outros alimentos que a criança que já desmamou. Na verdade, a maioria dos pesquisadores em países subdesenvolvidos, onde o apetite de uma criança desnutrida pode ser de importância vital, recomendam que a amamentação continue (Rhode,1988).

As mães que amamentam, por mais tempo, têm benefícios. O leite materno é capaz de:

- contribuir para a saúde da mulher, reduzindo os riscos de certos tipos de doenças/cancros e ampliar os intervalos entre os partos;
- proporcionar benefícios econômicos para a família e a nação;
- quando bem adoptado, proporcionar satisfação á maioria das mulheres (Declaração de Innocenti, 1990).

Como já vimos, a amamentação não é apenas um método de alimentação, também pode ser o que cessa um choro, o que é uma benção para a maioria de nós, que ficamos profundamente perturbadas pelo barulho de uma criança a chorar, especialmente de noite. A conveniência da amamentação torna-se mais óbvia, à medida que o tempo passa, o que é uma pena, pois muitas mães desistem durante as dificuldades dos primeiros dias e nunca chegam a experimentar o conforto e o prazer de dar a um bebê uma refeição completa ou um suplemento a uma refeição incompleta de uma criança, com um braço livre para acariciar um filho mais velho, um marido, ou para segurar um livro. Além disso, também incita a mãe a sentar-se ou deitar-se e descontrair/descansar ao mesmo tempo, no quente da sua cama.

Através da amamentação, a mãe recebe uma resposta da boca do seu filho, das mãos dele, do corpo e dos olhos dele. Isso dá-lhe informação sobre como ele se sente e sobre o que ele está a fazer. Quase todas as mães que amamentam até mais tarde, afirmam que esta intimidade com o bebé é o elemento mais satisfatório da amamentação. Quando a mãe está a ter este tipo de prazer, ele transmite-se, por sua vez, ao seu filho. Os sorrisos dela, as carícias e o relaxamento do seu corpo, tudo isso ajuda a tornar a experiência da amamentação mais agradável para o seu filho, também.
O contacto da pele entre mãe e filho, estimula a hormona prolactina que pode aumentar os sentimentos maternais. Estes sentimentos maternais e de protecção em relação ao filho defende a criança de possíveis maus tratos e abandono por parte da mãe. Em países onde se tem melhorado e aumentado a amamentação devido às mudanças nas práticas hospitalares para que não haja separação entre a mãe e o bebé, encontrou-se uma redução no abandono de bebés por parte das mães.

O aleitamento materno pode atrasar em muitos meses o retorno da menstruação e da ovulação em algumas mulheres, sendo portanto uma forma importante de retardar uma nova gravidez. Deste modo, evita a redução dos intervalos entre os partos que podem comprometer o estado de saúde e nutrição da mulher assim como a nutrição dos seus filhos (Davies,1993).

Blaauw (1994) acrescenta que a amamentação protege contra a osteoporose. A densidade óssea de uma mãe que amamenta, pode estar reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta ou até mesmo ter um aumento, quando o bebê for desmamado. Não dependendo isso, de um suplemento adicional na alimentação da mãe.
A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética (Le Roy).

Em conclusão, amamentar crianças maiores é normal e traz benefícios para ambos. Actualmente, tenta-se compensar o desmame precoce no primeiro ano de vida através de vacinas, antibióticos e medidas higiénico-sanitárias. No entanto, as necessidades psico-emocionais, de afecto e contacto físico íntimo persistem, e são de difícil substituição.

O desmame definitivo deve ser natural, não abrupto e fruto de um consenso familiar (mãe, bebê e pai) e do pessoal técnico de saúde, ambos devem chegar a um acordo. É especialmente importante, a mãe referir aos profissionais de saúde que quer continuar a amamentar a sua criança, justificando que não é um incómodo, mas antes um prazer de que ambos gostam e sente que o seu filho ainda precisa, por uma questão de especial conforto, ficando terrivelmente angustiado se lho negar.

Nesta linha de pensamento, parece-nos ser fundamental que tanto médicos como enfermeiros deixem de ter uma atitude indiferente, passiva ou mesma inadequada em relação à informação relativa ao aleitamento materno e a alimentação infantil, pois tais atitudes apenas podem conduzir ao desmame precoce com as consequências negativas que daí possam advir.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

E está chegando...

As mães que optam por deixar seus filhos virem ao mundo por parto normal tem um final de gestação um tanto conturbado. O "elemento-surpresa" - ninguém sabe quando as coisas vão acontecer - costumam encher as mães de ansiedade a partir das 38 semanas. O que fazer?

- Lembrar que a gravidez pode ir até as 42 semanas. E se pode ir até as 42 semanas, faça de conta que o bebê só pode chegar com 42 semanas, imagine o fim das 42 como sendo a data da sua cesárea, ou algo assim. Eu sei que a gravidez dura 8 meses e 1 eternidade, mas trabalhe sempre com o foco na data mais distante possível.

- Aproveite para verificar os detalhes do plano de parto. Onde você vai ganhar neném? Quem vai te acompanhar nessa empreitada? Quem vai dirigir? Os telefones do médico e do hospital estão à mão? Tem comidinhas fáceis para serem contrabandeadas para dentro do hospital (alguns insistem em não deixar a mulher em TP comer, prática antiquada e desnecessária que comento futuramente)? Se já tem outros filhos, quem vai ficar com as crianças?

- Aproveite para cuidar dos últimos detalhes para a chegada da criança. As malas para a maternidade já estão prontas? As roupinhas de recém-nascido já estão lavadas e passadas? As fraldas e produtos de higiene estão todos comprados?

- Exercite-se. A ansiedade costuma travar o trabalho de parto. Então, se estiver difícil de controlar, aproveite para caminhar, em ritmo de exercício mesmo, nadar, enfim, qualquer coisa que te ajude a tirar a tensão.

- Pratique os 3 "hots" (quentes). Comida quente (apimentada), banhos quentes e sexo quente. Dizem por aí que são excelentes indutores naturais do parto. No caso do sexo quente, o efeito é muito melhor se a mulher tem orgasmos... hummmmm...

- Se nada estiver adiantando e o raio do trabalho de parto não chegar nunca, experimente conversar com seu bebê dentro da barriga e explicar porque quer que ele saia logo. Eu escrevi inclusive uma longa carta para a Alice, que nasceu com 40 semanas e 6 dias (ufffff). Ela chegou no dia seguinte!

E é isso. 5 dicazinhas simples, mas que dão uma forcinha no final da gestação. Mantenha o foco! =]

quarta-feira, 7 de março de 2012

O parto e a montanha russa

"Tem gente que acha loucura sentir dor para parir.

Muitas coisas na vida são mais loucas e as pessoas fazem. E sem que haja bem estar algum em jogo. Pense no seu parto como se fosse um passeio de montanha russa. Essa foi a melhor metáfora que encontrei! Imagine a sua gestação como uma daquelas filas enormes em dia de excursão de escola no Playcenter. No verão. Você ali esperando aquela fila se deslocado devagar... muito devagar. Você cansada, os pés doendo. Você vê gente com medo, apreensiva. Gente empolgada que descreve como vai ser para quem nunca andou. E você ali. Sem saber o que esperar. Você também escuta alguns: você é louca! Andar nisso aí??? Nunca!!! Você não viu aquela montanha russa lá em Ximbiquinha do Sudoeste que quebrou e matou todo mundo? E o pior foram os que ficaram mutilados pro resto da vida!

Você faz ouvido mouco e continua ali. Avançando devagarinho. Não tem pra onde ir, é tarde pra pular fora, as grades que separam a fila são altas, só dá pra seguir em frente. Aí você vê quem está saindo, gente meio tonta, com uma expressão que você não entende, cambaleando, passando mal. E você pensa: onde é que eu fui me meter?

Quando você está chegando perto o cansaço está maior, você tem que ficar encostada quase o tempo todo. Ai, não chega nunca. Pra melhorar no finalzinho ainda tem uma baita escada pra subir na plataforma de embarque. Bem que podia ter uma escadazinha rolante aqui...Você chega na ultima parte da fila. De repente parece que toda aquela morosidade foi embora. A fila anda muito mais rápido agora. Ou será que você é quem acha isso porque a hora de embarcar está se aproximando? Subir as escadas exige um esforço extra. Parece que seu peso aumentou uns quinze quilos.

Você não sabe se é o calor, o tempo de pé, ou se foi aquele combo gigante de hambúrguer fritas e balde de refrigerante que estão pesando.

Mas você sobe, um degrau de cada vez. E o topo vai se aproximando. É quando você avista: tem uma saída de emergência lá em cima. Saída estratégica pela esquerda. Acho que é nessa que eu vou! Mas aí você pensa. Já vim até aqui... e se for tudo o que dizem mesmo? Como é que eu vou saber? Que o destino decida então: vou jogar uma moeda. Se der cara eu vou. Cara! Melhor de três então. Cara de novo. Ai, ai... Continua avançando. Ah, se aquela mocinha desmilinguida embarcar, eu vou também. Se ela consegue eu também. Ela embarca.

Ok, acho que vou. a não ser é claro que chova. Se não for totalmente seguro não vou. E eu acho que estou vendo uma nuvenzinha lá longe. Se o carrinho que vier for vermelho também não! Vermelho me dá um azar! E eu não vou arriscar. Sua vez está chegando, você já vai chegar na plataforma. Uma moça amarela bem na sua frente, sai correndo pela saída de emergência. Você se estica e consegue enxergá-la lá embaixo, na saída da lojinha... tem alguma coisa na mão, mas o olhar parece meio distante. Eu vou! Não quero ficar imaginando como teria sido.

Chega a sua vez. O coração sobe na boca. O fôlego fica suspenso alguns instantes. Mas você respira fundo e sobe no carrinho. E pensa: ainda bem que não era um vermelho!

A viagem começa devagarinho. Tec tec tec. O carrinho vai subindo devagar. Tranquilo. Não é tudo aquilo! Que povo medroso! Dá até pra tirar a mão. Ainda bem que não desisti! A brisa no rosto. A paisagem tão linda. Ainda bem que fui forte!


Sobe, sobe, sobe. Puxa, mas que alto... dá uma vertigem de leve... De repente você se vê no final da subida. C******, que altura, ai, eu vou morrer. Me deixa descer, me deixa sair daqui. F***** da P*** daquela professora que yoga que disse que eu não ia me arrepender. Se estivesse aqui agora, eu matava!!! Será que aquela doula ia fazer muita diferença segurando aqui a minha mão??? Bando de louca... ah, eu mato se eu sair viva daqui! E a minha prima, aquela V*** que me convenceu a vir. Vai ser legal, você vai ver, você vai querer ir de novo. Ai, eu mato, eu mato. Cadê ela? Porque não está aqui? Duvido que quando ela andou foi nessa tão alta, aposto que foi na menor!!!

E vem a descida. O looping, uma subidinha, curva, mais curva, outra curva. Você já não está vendo nada direito, está meio tonta, parece meio fora de si. Tem mais gente gritando, ou será que é você mesma? Está doendo tudo, esse bate bate no carrinho vai doer ainda mais amanhã. Vai parecer que fui atropelada.. . Você nem sabe mais se está de ponta cabeça. Dá medo de olhar. Você espia, fecha o olho de novo. Não quero nem ver. Não vou olhar. Se eu olhar é pior!

Vai chegando no final. O carrinho desacelera. Você está meio abobada, grogue. Alguém ajuda a descer. Você nem vê quem é. Podia ser o Brad Pitt e você não ia nem notar. Seu cabelo está parecendo uma piaçava depois da faxina, mas você esqueceu de prendê-lo. E agora nem lembra mais que tem cabelo. Mas tem alguma coisa diferente. Algo a mais em você. Vim, vi e venci. Sou praticamente um Julio Cesar! Suas pernas cambaleiam um pouco, mas você anda. A brisa bate e aos poucos você se recobra. Levanta a cabeça e sorri. Era só isso? Porque tive tanto medo?

Vou pra fila de novo!

Quem já andou de montanha russa sabe do que estou falando. Quem passou por um trabalho de parto também.

E você, já andou de montanha russa?"


Katia Barga
(louca de pedra)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sete razões para não marcar o seu parto

Retirado de "a maequequeroser.wordpress.com

Compreendo a opção pela cesárea; entendo de onde vem o receio de parir um bebê, sei da falta de informação e de apoio (do médico, da família, da sociedade) ao parto normal e me conformei com a visão vigente de que a via cirúrgica é uma alternativa aceitável. O que não entendo e não vou aceitar nunca é a banalização das cirurgias agendadas sem indicação, às vezes com 36 semanas, como no caso de uma amiga virtual de Facebook, que revelou seu desespero ao saber que sua cunhada, por sugestão do obstetra, havia agendado sua cesária para antes das 37 semanas. Essa criança provavelmente nascerá prematura, precisará passar tempo na UTI neonatal, terá dificuldades iniciando a amamentação, receberá complemento… Enfim, sua vida não terá um começo fácil. O mais triste é que tudo poderia ter sido evitado se seus pais tivessem esperado sua hora de nascer.

Abaixo, ofereço sete motivos para você esperar os primeiros sinais de que o seu bebê esteja pronto para vir ao mundo ao invés de cair no conto do vigário (ou seja, do “lobo cesarista”) e marcar uma cesárea “de emergência” para daqui a uma semana (isso não é emergência – é conveniência, tá?).

1. Saúde

A saúde sempre vem em primeiro lugar, não é mesmo? Toda mãe deseja, antes de mais nada, que o filho seja saudável. Todo obstetra se orgulha em dizer que preza pela saúde do bebê (muitos até usam isso como desculpa para desencorajar o parto normal, o que é uma ignorância e uma covardia sem tamanho, mas isso é outra história). A literatura médica é categórica: cesáreas eletivas feitas antes de completar 39 ou 40 semanas aumentam significativamente (entre 300 e 500%) o risco de problemas de saúde no bebê, especialmente respiratórios (que podem persistir durante toda a infância), mas também de icterícia (que dá ao recém-nascido um aspecto amarelado e está relacionado ao acúmulo de bilirrubina no sangue) e dificuldades para amamentar. Para todo bebê que nasceu “sem sequelas” numa cesárea de 37 semanas (que não é considerado prematuro, mas que poderia ter ido até 40, 41 ou 42 semanas – ou seja, é sim pré-termo), há vários que precisaram de ficar “em observação” por dificuldades respiratórias ou precisaram receber complemento no berçário ou que precisaram de fototerapia por icterícia e achamos isso “normal” porque, infelizmente, a prematuridade tardia (entre 34 e 36 semanas +6 dias) e o a termo precoce (entre 37 e 39 semanas) se tornaram comuns na nossa sociedade. Porém as evidências demonstram algo inconveniente: os males de saúde aumentaram depois que nós começamos a adiantar o nascimento dos nossos filhos. O que me leva, necessariamente, ao próximo ponto.

2. Ética

Clamamos por um mundo com muito mais ética. Demandamos isso dos políticos e dos empresários, mas, por alguma razão, simplesmente acreditamos piamente na ética do nosso médico. De certo modo, faz sentido. Afinal, o médico é alguém que escolheu preservar e proteger a vida e, teoricamente, por uma causa nobre. Fez o milenar juramento hipocrático, onde promete “não causar dano ou mal a alguém”. A verdade, pelo menos na obstetrícia, não é bem assim. A prematuridade iatrogênica (causada pelo procedimento médico e não natural – ou seja, por partos agendados) está aumentando assustadoramente. É por causa dela que os índices de prematuridade são muito maiores nas regiões sul e sudeste (curiosamente, aonde tem mais cesáreas). Infelizmente, a lei do mercado se sobrepôs ao juramento de não fazer mal e muitos médicos (não todos, mas muitos) – para maximizarem seus rendimentos e para não precisarem acordar de madrugada nem deixarem de viajar no feriado – agendam partos na 37a semana, mesmo conhecendo as estatísticas acima. Há uma falta de punição para esse tipo de comportamento e, portanto, cada vez mais profissionais agem desta maneira condenável. Se você acredita na ética e no que é correto, você pode ajudar o seu médico a não desrespeitar o juramento que fez e não concordar em marcar uma cesárea antes da data. E lembre-se: mesmo que 37 semanas não seja considerado prematuro, a não ser que você tenha feito tratamento para engravidar e saiba exatamente o dia em que ovulou e/ou engravidou, a idade gestacional do seu filho é meramente uma estimativa. Uma gestação a termo é 40-42 semanas (somente depois de 42 semanas é que o bebê é considerado pós-termo).

3. Respeito

Como relatei no post O nascimento, do ponto de vista do sujeito, o bebê não é um mero produto do parto, mas um agente ativo. É ele quem envia os sinais para o cérebro da mãe, assim iniciando o trabalho de parto. O anúncio (ao lado) da ONG americana March of Dimes, instituição empenhada em melhorar a saúde materna e infantil, mostra claramente como algumas semanas fazem uma diferença enorme no desenvolvimento do cérebro fetal. Portanto, fica claro que agendar um parto é desrespeitoso à fisiologia do bebê. Sem contar que, muitas vezes, na hora da cirurgia o bebê está dormindo, totalmente despreparado para “ser nascido”, e, assim, o nascimento se torna um choque e, ao meu ver, uma agressão. Você quer que o primeiro contato do seu filho amado com o mundo fora de você seja assim, um susto e, possivelmente, um trauma? Não é melhor respeitar o tempo dele e deixar que os abraços (contrações) do seu útero o preparem para nascer, mesmo que seja via abdominal?

4. Amor

Você já ouviu falar na ocitocina? Também conhecido como “o hormônio do amor”, a ocitocina é uma das substâncias responsáveis pela sensação de conexão, confiança e empatia. O orgasmo depende da secreção desse hormônio e a amamentação também, mas a maior concentração sanguínea do hormônio do amor na vida de uma mulher ocorre durante o trabalho de parto. Não é incrível? Estima-se que essa é a razão pela qual mulheres que parem naturalmente alegam sentir uma ligação profunda e imediata com o filho (um amor instantâneo) enquanto muitas mulheres que não tiveram esse privilégio admitem que a amor visceral pelo filho foi construído. Calma – não estou dizendo que quem tem parto normal ama mais o filho, por favor! O amor é muito mais do que simplesmente hormônios – é social, espiritual e um esforço diário – mas passar pelo trabalho de parto e sentir pelo menos uma fração dessas substâncias prazerosas e incríveis circulando pelo corpo deve ser o máximo. E pode tornar o conturbado período pós-parto um pouco mais ameno.

5. Paciência

A paciência é uma virtude que está se perdendo. Hoje em dia tudo é urgente, é “pra agora”, e a pressa é quase universal. Até quando estamos entre compromissos, no trânsito ou no metrô, sentimos uma pressão por estar “produzindo” – checando emails no smartphone, lendo jornal, resolvendo um problema no telefone… (In)Felizmente, um bebê chega para mudar tudo isso. Crianças requerem paciência. Elas têm o próprio ritmo e tempo, e testam nossa paciência constantemente, seja com suas constantes necessidades (mamadas, fraldas, choros) ou no processo natural de aprendizado (já reparou como precisam repetir tudo infinitas vezes?). Portanto, ter a paciência para esperar a hora de seu filho nascer, conforme manda a natureza e a fisiologia, pode ser uma boa forma de se acostumar com sua nova realidade como mãe – uma realidade onde a paciência será imprescindível para a sua felicidade e sanidade.

6. Espírito de aventura

Eu adoro ouvir a história de como nasci. Minha mãe acordou de madrugada toda molhada, sentindo somente “umas cólicas” e achando que tivesse feito xixi na cama. Precisou ser convencida pela sogra de que estava em trabalho de parto e que a bolsa havia rompido. Chegou no hosptial com 8 cm de dilatação e pariu algumas horas depois. Deve ter sido uma aventura e tanto! Pessoalmente, acho triste que a grande maioria das crianças sendo nascidas hoje teve essa primeira aventura “roubada” – e suas mães também! As mães não vão deixar uma plateia inteira na expectativa, com cara de “quero mais”, ao contarem como sentiram as primeiras contrações, a dúvida de estarem ou não em trabalho de parto, a saída do tampão, o frio na barriga ao perceberem que chegou a hora, os telefonemas de madrugada, o taxista/marido nervoso… Elementos de uma verdadeira história de ação! Quando a geração de hoje perguntar como foi seu nascimento, vai ouvir que o parto foi marcado para o dia tal na hora tal e que ponto final. Pode me chamar de romântica, mas eu encaro a vida como uma grande aventura e da mesma forma que não escolhemos o dia da nossa morte, acho que ao escolherem para nós o dia do nascimento, roubamos um pouco da magia de viver. Deixe o seu filho embarcar nessa vida com o espírito de aventura que ele precisará para aproveitar ao máximo sua temporada aqui na terra.

7. Paz

Tem gente que diz que quando nasce um mãe, nasce junto a mãe culpada, sempre se perguntando se está fazendo o certo, cheia de ansiedades sobre a saúde e bem estar do filhote, com mil e uma perguntas para fazer ao pediatra, à sua mãe, às amigas (íntimas e virtuais)… Tudo isso é normal. A insegurança, as dúvidas e os questionamentos fazem parte do processo. Mas o nível pode ser tolerável ou patológico. Quando você adentra a maternidade impondo conveniências alheias ao processo, negando a seu filho o direito de determinar a hora certa para ele, você já começa “brincando com fogo”, mexendo num processo natural e aumentando o risco de ter problemas mais na frente. Você quer acrescentar mais essa culpa? Não é simplesmente mais fácil respeitar a infinita sabedora desse processo milenar e aguardar, paciente e respeitosamente, o dia e a hora que o destino lhe reservou para dar a luz?

Como você pode ver, numa gravidez normal, de um bebê saudável, o melhor mesmo é esperar a hora “P” chegar. Seu médico pode alegar várias coisas – placenta grau 3, feto macrossómico (grande), cordão enrolado, pressão alta (sem pré-eclampsia), cesárea prévia: nada disso é indicação de cesárea, muito menos de cesárea agendada. Exceto em casos de pré-eclampsia, placenta prévia, placenta abrupta e outras (poucas) ocorrências emergenciais, qualquer cesárea pode ser feita durante o trabalho de parto, com melhores resultados para a saúde do bebê. Enfim, esperar o trabalho de parto é muito mais do que “simplesemente” mais seguro. É sinônimo das virtudes acima: saúde, ética, respeito, amor, paciência, espírito de aventura e paz.