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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Os 8 meses e um século da gravidez

Estar no nono mês da gestação é ouvir todos os dias perguntas como “Pra quando é, mesmo?!”, “Já marcou o parto?”, “Não passou da hora dessa criança nascer, não?” e as minhas preferidas: “Nossa, esse bebê não vai nascer mais não?” e “Ainda não nasceu?” (Nasceu, claro! É que eu deixei em casa e coloquei aqui essa prótese de barriga pra poder passear no shopping de boa...).
Estar grávida de nove meses é viver batendo a barriga nas coisas porque a gente simplesmente não tem mais noção do próprio tamanho. É não achar posição para dormir e sentir saudade da época em que conseguia dormir de bruços. É viver entre cólicas, pressão na vagina, dor nos seios e pernas inchadas. É sentir vontade de que o bebê nasça logo e medo de que o bebê nasça logo. É querer arrumar a bolsa da maternidade e não achar coragem. É sentir falta de ar com quaisquer dois degraus que se suba. É se sentir uma bomba relógio prestes a explodir.
É muito intenso, é muito conflitoso, é muito desconfortável, é muito difícil. Isso é chegar às 36 semanas de gestação.
Imagine que você esteja participando de uma corrida. São 10km. Você se prepara, se alimenta, se hidrata, coloca as roupas adequadas, e inicia seu percurso. Conforme vai vencendo a distância, a empolgação inicial vai dando lugar ao cansaço, às dores, e você vai persistentemente se vencendo passo a passo. Agora pense na sensação do último quilômetro... Falta tão pouco, mas o cansaço é tão grande... Você se preparou muito para aquilo, mas a dor é tão forte... Depois que cruza a linha de chegada, tudo é felicidade e você esquece toda a dor, mas se concentra nesse último quilômetro: é MUITO DIFÍCIL. É assim que a mulher grávida se sente no último quilômetro da gravidez dela.
No último mês, o que a mulher precisa é TIRAR um pouco o foco da gestação. Porque a verdade é que ela pensa nisso praticamente o tempo inteiro e, quando esquece, os incômodos a lembram. O que ela precisa é RELAXAR, mudar o foco, fazer aquilo que dá prazer.
Essa semana, conversando com uma doulanda nessa fase, perguntei a ela o que a desestressava e ela não soube me responder. De fato, a gente às vezes vai tocando a vida tão no automático que não sabe identificar exatamente quais são as nossas válvulas de escape. Então, se esse for também o seu caso, segue uma listinha de coisas a fazer nesse último mês para desestressar, tirar o foco da gestação, relaxar:
1. Meditação guiada. No youtube tem um monte. Procure um lugar silencioso, se coloque em uma posição confortável, escolha uma das meditações guiadas do youtube (no celular, mesmo) e vá seguindo as instruções. Quando acabar, você já estará em outro estado de espírito.
2. Ir ao cinema. Com bebê pequeno isso vai ser difícil por um tempo, então escolha um filme bem bacana (ontem fui assistir “A Bela e a Fera”, recomendo, ficou lindo e mexe muito com as emoções de quem curtia o clássico da Disney na infância).
3. Natureza. Estar em contato com a natureza ajuda a mulher a se reconectar com ela mesma. Vale andar descalça na grama, banho de cachoeira, ler um livro encostada em uma árvore, tomar um sol no quintal, qualquer coisa que te ajude a aterrar.
4. Um banho. Aliás, um banho, não: O banho. Avise que não quer ser incomodada, tranque a porta, apague a luz, acenda umas velas, coloque uma música suave e aproveite o momento.
5. Listas. Tenha um aplicativo de listas no celular (tipo evernote ou wonderlist – prefiro este último porque dá pra compartilhar com alguém que possa dividir as tarefas com você). Quando lembrar de alguma coisa que falta resolver ou que está faltando, coloque na lista na mesma hora. Isso evita que você fique a cada 40 minutos lembrando que tem que colocar a toalha na bolsa da maternidade, por exemplo.
6. Sexo. Não dá vontade, às vezes é incômodo, mas pense que são suas últimas oportunidades antes de o bebê nascer. Geralmente dá uma preguicinha de começar, mas quando a gente goza gostoso relaaaaaaxa que é uma beleza.
7. Encontrar com as amigas. Marque um café para bater papo com pessoas que você gosta. Estar com outras mulheres é um alívio para as tensões.
8. Ouça música. Coloque músicas alegres, pra cima, que te fazem bem. Assim o baixo astral vai pra longe e você sorri.
9. Entre em contato com a sua espiritualidade. Se você tem uma religião, vá à celebração correspondente e aproveite para desabafar suas angústias e tensões.
10. Lembre-se sempre do mantra das mães: VAI PASSAR.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Vamos falar sobre baby blues?


São aproximadamente 40 semanas de preparação e, principalmente no último mês, muita ansiedade. Casa pronta, roupinhas prontas, fraldas, tudo ajeitadinho, só à espera da chegada da/o nova/o integrante da família. Enfim chega a hora, e a criança vem ao mundo. Nessa hora, a mulher se sente finalmente completa, plena, realizada, capaz, feliz... Será???
O baby blues, também conhecido como blues puerperal ou tristeza materna, atinge até 70% das mães e costuma iniciar entre o 3º e 5º dia do nascimento do bebê. Ele é caracterizado por dificuldades para dormir, choro excessivo (inclusive por pequenas coisas, tipo a roupinha não servir), mudanças de humor repentinas, irritabilidade, sentimentos de inadequação (não nasci pra isso, não sei cuidar dessa criança...), não se reconhecer mais.
A verdade é que o sistema patriarcal da nossa sociedade prega sempre que as mulheres foram feitas para o casamento e para a maternidade. Desde muito pequenas somos treinadas para cuidarmos dos afazeres domésticos e das crianças, brincamos de boneca, mamãe e filhinha... E crescemos tendo incutida em nossa mente a ideia de que é na maternidade que a mulher se torna plena, que ser mãe e criar os seres humanos da próxima geração é a nossa missão na vida. Antes de termos filhos, idealizamos e glamourizamos demais a maternidade, com imagens de uma criança tranquilamente adormecida em nossos braços e uma lagrimazinha de amor e felicidade escorrendo no canto dos nossos olhos, com um companheiro amoroso registrando as cenas e nos auxiliando em tudo. Em teoria, estamos prontas. Em teoria, sabemos exatamente o que fazer quando tivermos nosso bebê no colo.
Só que na prática não é assim que funciona. As crianças não vêm com manual de instruções e geralmente não seguem o script dos nossos sonhos. E a verdade é que a adaptação de mãe e bebê não é tão simples e mágica como crescemos acreditando.
Primeiro: as alterações hormonais pós-parto são violentíssimas! Os hormônios da gestação desaparecem e os da produção de leite começam a trabalhar. Segundo: há uma sensação de incerteza sobre o que vem a seguir. Terceiro: de repente as responsabilidades do cuidado com a criança podem parecer pesadas demais, afinal, você é a responsável por manter vivo, limpo, bem alimentado e acalentado aquele novo ser. Isso considerando-se que tudo corra conforme o esperado. Mas, além disso, muitas mães enfrentam dificuldades na amamentação, por exemplo, o que torna tudo um pouco mais complicado.
Essa sensação de melancolia pode se estender por algumas semanas após o nascimento, e pode ir e vir ao longo dos dias. Para atravessá-la, a mulher precisa APRENDER A PEDIR AJUDA. O ideal é que haja, no mínimo nos 40 dias que se seguem ao parto, alguém responsável por tudo o que não for o cuidado com o bebê, e que a mãe se concentre no vínculo e cuidado com o recém-nascido e em seu próprio descanso. Se isso não estiver acontecendo e bater esse blues, a mulher deve ligar pra mãe, pra doula, pra tia, pra prima... e dizer que precisa de um socorro. É esse auxílio, bastante descanso e o próprio tempo que vão reequilibrar as emoções e mandar a tristeza pra longe.
Ah, sim, muito importante! Cuidado para não confundir o baby blues com depressão pós-parto! Se esses sintomas forem acompanhados de ideias suicidas ou incapacidade de cuidar do bebê, ou se você tem histórico de depressão na família e perceber que os sintomas estão muito intensos, procure apoio especializado!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Até quando esperar se há diabetes gestacional?

Essa da foto é a Mônica, sou doula dela. Durante a gravidez, ela desenvolveu diabetes gestacional, e desde então vem se cuidando super bem, com uma alimentação bem balanceada e sempre monitorando os níveis de açúcar no sangue. Faz acompanhamento pelo convênio, e a opinião do médico sobre ela querer entrar em trabalho de parto está aí na foto.
O mais interessante não é o que ele disse para ela, embora absurdo. É, na consulta seguinte, ele sequer se lembrar de quem ela era e dizer que ela poderia esperar até as 40 semanas.
Alguém me explica o que aconteceu? Ele mudou a conduta médica dele de uma semana para outra e resolveu que não era mais irresponsabilidade esperar mais de 39 ou será que a agenda dele para a semana em que ela completaria 39 não estava propícia e aí subitamente 40 era seguro?
Em tempo, as evidências científicas modernas indicam que, se as taxas de açúcar da mãe estão sob controle e o bebê está sendo monitorado, não há por que interromper precocemente a gravidez, podendo-se chegar a 42 como qualquer outra gestação.


domingo, 2 de agosto de 2015

Como relaxar?

Uma das principais queixas da mulher, principalmente do meio para o final da gravidez, é a ansiedade. Ansiedade em ver tudo pronto para chegada da criança, se preparar para o parto, ansiedade com o momento do nascimento, para ver logo o rostinho... Só que essa ansiedade toda é um grande problema, porque o nosso corpo reage à nossa mente, e a ansiedade, principalmente se combinada com má alimentação e ausência de atividades físicas, pode desencadear problemas como hipertensão e diabetes gestacional. Então, é fundamental que a grávida aprenda a relaxar, e por isso o post de hoje vai trazer técnicas e dicas para te ajudar nessa difícil missão:

1. Meditação
a) Essa técnica de meditação em 1 minuto é ótima para quem, como eu, é ansiosa demais até para meditar, e fica agoniada querendo saber quando termina. É rápido e você só precisa fechar os olhos e prestar atenção na respiração:

b) Se você tem um pouco mais de paciência, tem esse relaxamento para gestantes. Tem uns 20 minutos e consiste em ficar atenta à música e respirar calmamente enquanto olha as imagens da gestação mês a mês:


2. Bola
Recomendo muitíssimo a compra de uma bola de pilates. Ela é maravilhosa para a grávida se exercitar e relaxar durante a gravidez e faz milagres no trabalho de parto. Exemplo movimentos com bola para relaxar:


3. Yoga
a) Uma aulinha de 13 minutos, para iniciantes mesmo:

b) Se quiser uma aula mais longa, tem essa:


4. Dançar!
Gente, se tem uma coisa que ajuda a tirar a tensão e a ansiedade é dançar! Aí depende muito do seu gosto musical, né, mas vou colocar aqui algumas coisinhas que eu curto muito (lembrando que toda essa coisa de rebolar e agachar é óóótimo para ir preparando para o trabalho de parto):


5. Aterrar
Andar descalço em contato com a grama, com a areia, enfim, pisar diretamente em contato com a natureza.


6. Chás
Tem gente que acha que não pode tomar chá nenhum durante a gravidez. Mentiraaaa! Tem um monte de chá calmante, delicioso e sem contraindicação que vocês podem tomar aos montes! Camomila, capim-limão e erva doce estão entre eles!


7. Escalda-pés
Nossa, uma delícia para relaxar! Principalmente mais pro final da gravidez, quando a gente começa a inchar... Ferva uma água e coloque hortelã, capim-limão ou calêndula, só para dar alguns exemplos... Assim que a temperatura da água estiver suportável, coloque os pezinhos e curta o relaxamento!


8. Faça sexo
O bebê está mais que bem protegido pela bolsa das águas, colo do útero, tampão... Aproveite para fazer amor... Pouca coisa relaxa tanto quanto um bom orgasmo... =]

segunda-feira, 9 de abril de 2012

E está chegando...

As mães que optam por deixar seus filhos virem ao mundo por parto normal tem um final de gestação um tanto conturbado. O "elemento-surpresa" - ninguém sabe quando as coisas vão acontecer - costumam encher as mães de ansiedade a partir das 38 semanas. O que fazer?

- Lembrar que a gravidez pode ir até as 42 semanas. E se pode ir até as 42 semanas, faça de conta que o bebê só pode chegar com 42 semanas, imagine o fim das 42 como sendo a data da sua cesárea, ou algo assim. Eu sei que a gravidez dura 8 meses e 1 eternidade, mas trabalhe sempre com o foco na data mais distante possível.

- Aproveite para verificar os detalhes do plano de parto. Onde você vai ganhar neném? Quem vai te acompanhar nessa empreitada? Quem vai dirigir? Os telefones do médico e do hospital estão à mão? Tem comidinhas fáceis para serem contrabandeadas para dentro do hospital (alguns insistem em não deixar a mulher em TP comer, prática antiquada e desnecessária que comento futuramente)? Se já tem outros filhos, quem vai ficar com as crianças?

- Aproveite para cuidar dos últimos detalhes para a chegada da criança. As malas para a maternidade já estão prontas? As roupinhas de recém-nascido já estão lavadas e passadas? As fraldas e produtos de higiene estão todos comprados?

- Exercite-se. A ansiedade costuma travar o trabalho de parto. Então, se estiver difícil de controlar, aproveite para caminhar, em ritmo de exercício mesmo, nadar, enfim, qualquer coisa que te ajude a tirar a tensão.

- Pratique os 3 "hots" (quentes). Comida quente (apimentada), banhos quentes e sexo quente. Dizem por aí que são excelentes indutores naturais do parto. No caso do sexo quente, o efeito é muito melhor se a mulher tem orgasmos... hummmmm...

- Se nada estiver adiantando e o raio do trabalho de parto não chegar nunca, experimente conversar com seu bebê dentro da barriga e explicar porque quer que ele saia logo. Eu escrevi inclusive uma longa carta para a Alice, que nasceu com 40 semanas e 6 dias (ufffff). Ela chegou no dia seguinte!

E é isso. 5 dicazinhas simples, mas que dão uma forcinha no final da gestação. Mantenha o foco! =]