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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O bebê não larga o peito? Leia isso!




Hoje vim conversar sobre um assunto importante e preparar as futuras mamães para algo que gera sempre aquela chuva de palpites não solicitados e que interfere muito na amamentação dos nossos bebezinhos: o bebê não quer soltar o peito.

A cena se repete na maioria dos lares, com a maioria dos bebês: o pequeno acabou de mamãe há menos de meia hora e começa a chorar, nada o acalma senão o peito. "Ué, mas não era para ser mais ou menos de 3 em 3 horas?", pensa a mãe. Ou então de repente o bebê simplesmente não larga mesmo. "Agarra" no peito e vai ficando... meia hora, uma, uma e meia, duas... E quando a mãe tenta tirar é aqueeeeele berreiro.

Preciso dizer, e dizer gritando, pra ver se falo mais alto do que os palpites que você vai escutar quando isso acontecer: ISSO É PERFEITAMENTE NORMAL! AMAMENTAR NÃO É SÓ NUTRIÇÃO!

Vamos tentar encarar isso pela ótica do bebê um pouquinho? Foram meses de crescimento e formação dentro de um ambiente quentinho, escuro, barulhento, apertado e protegido. De repente, tudo o que era a segurança do neném desapareceu. É muita luz, pouco som, muito espaço, muitos cheiros e vozes desconhecidos. Adivinha onde vai ser, para esse bebê, o lugar de maior tranquilidade e aconchego? Sim, acertou. No colo da mãe, sentindo o calor e o cheiro dela, ouvindo a voz tão familiar para ele. E adivinha uma coisa que deixa os bebês bem mais calmos? Acertou de novo, sugar. Logo, a amamentação vai muito além de deixar seu bebê sem fome e sem sede: é transmitir para ele segurança e aconchego.

Dos pitacos, o mais terrível e de consequências desastrosas é o de que o leite da mãe "é fraco" e "não está sustentando o bebê". Vocês acham que a natureza seria mesmo tão falha assim a ponto de nutrir um bebê dentro da mãe por 40 semanas para depois mandar um leite véio fraco que não sustenta? Galeeeeera, please!!! Leite materno é a maior perfeição da natureza! Todos os estudos mostram que ele tem a composição ideal para a criança e que, inclusive, essa composição vai mudando ao longo do crescimento do bebê para oferecer os nutrientes adequados a cada fase! O leite materno vem em versão mais leve para matar a sede (o do início da mamada) e mais densa para matar a fome (o leite posterior, que o bebê suga depois do leite leve); vem na temperatura ideal e supre sim todas as necessidades do bebê. Então vamos repetir gritando também? NÃO EXISTE LEITE FRACO! Então acredite em mim: não adianta dar lucro para as empresas que fabricam aqueles substitutos para leite materno (que só devem ser dados em situações muito específicas) porque o seu bebê vai ter uma baita indigestão e continuar te querendo.

Então assim... na boa... o melhor a fazer para a sua sanidade mental é aceitar. Sabe "aceita que dói menos"? É isso... nenhum bebê vai querer ficar pra sempre pendurado no peito não... é uma fase até que ele se sinta mais confiante para querer explorar o mundo. Sozinho ele vai começar a espaçar as mamadas, a perceber o mundo em volta e a te deixar respirar. E, para isso, cada bebê tem seu tempo: uns conseguem em dias, outros em semanas, outros em meses. Vão começar a querer o papai... a se distraírem com a cortina, com o pé, com o cachorro... Vai melhorar.

Então assim... livre demanda é isso. É dar o peito sempre que o bebê quiser. Para amenizar o sofrimento, recomendo que você procure conforto e distração, então amamentar deitada (muito mais confortável), usar sling (bebê mamando e você fazendo as unhas, por exemplo, olha que delícia?), ler alguma coisa... tudo isso ajuda a passar o tempo quando você já cansou de contemplar a cria, hehehe. Além disso instrua todo mundo à sua volta a te trazer água sempre, porque dá uma sede danada e a gente não consegue levantar.

Eu sei, minha linda, cansa muito, cansa demais. Mas olhe... passa. E passa rápido. Conte comigo para conversar a respeito, pode mandar WhatsApp no (61)84890293. "Tamo junta" nessa!





quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Amamentação

Se amamentar o filho ao seio, nutrindo-o com o alimento mais completo que existe, é pobrice, minhas doulandas estão me matando de tanto orgulho, fazendo muita pobrice todo dia!
Vai ter bebê mamando no peito, sim! Nós, da Poder de Parir, incentivamos demais as mães a amamentarem seus filhos em livre demanda, a amamentarem onde quiserem (porque se a mulher precisa se ausentar para dar de mamar sozinha num canto, a amamentação tende a ser algo bem mais pesado do que se ela puder simplesmente botar os peitos pra fora e pendurar o bebê, hehehe), a amamentarem pelo maior tempo possível.
Leite materno é saúde! Bebê pendurado no peito está recebendo alimentação completa e muito amor!
Adoro vocês, minhas pobres preferidas!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Vamos falar sobre amamentação?


Acho que, no Brasil, a maioria das mães deseja amamentar seu filho. Talvez não da forma como a Organização Mundial de Saúde recomenda (amamentação exclusiva até 6 meses, como principal alimento até 1 ano e como suplementar PELO MENOS até 2 anos de idade), mas querem amamentar. E acham que a amamentação é algo simples, belo e intuitivo: põe o bebê no peito, ele suga. Pronto, resolvido.
Manas, não é bem assim que funciona...! Primeiro que, quando o bebê nasce, você não ganha automaticamente peitos fartos de leite; o leite só vai descer mesmo lá pelo terceiro dia após o parto. Antes disso, temos o colostro: ele é bem líquido, pouquinho, amarelado quase transparente. O colostro deve ser dado ao bebê o mais rapidamente possível após o nascimento do bebê, pois ele é repleto de anticorpos que protegem a criança, transmitindo para o bebê informações sobre os micro-organismos com os quais a mãe teve em contato ao longo da vida. Além disso, é rico em proteínas, água e gorduras essenciais, bem adaptado às necessidades do recém-nascido. Esse colostro é o alimento que os bebês precisam ao nascer, sem tirar nem pôr. Não é necessário oferecer complemento porque o leite ainda não veio, é só deixar bastante o bebê no seio para mamar o colostro - o que estimula o leite a descer. Em muitos hospitais, é oferecido o complemento para os recém-nascidos. Mas, futuras mamães, o leite é produzido por estímulo: quanto menos o bebê sugar, mais o leite demora para descer. E se ele estiver de barriguinha mega cheia de complemento, não vai querer sugar. Entenderam o círculo vicioso que o complemento gera? E sempre vai ter alguém que vai dizer que o leite é fraco, que o bebê está com fome, etc. Mas já pararam para pensar que um bebê que acabou de sair do útero tem muitos, muitos motivos para chorar além da fome?
O segundo ponto de dificuldade em estabelecer a amamentação é o raio da pega. A pega é a base de uma amamentação tranquila. Se o bebê pega corretamente o seio, consegue mamar tudo o que precisa e não machuca a mãe. Se a pega não estiver correta, pode mamar pouco, engolir muito ar, machucar o seio materno. Só que (pode acreditar!) o bebê não nasce sabendo pegar o seio. Mãe e bebê precisam aprender a fazer isso juntos! Pode ser que, principalmente no início, você tenha que retirar e colocar o seio várias vezes até que seu bebê acerte a pega, e que isso se repita a cada vez que ele for mamar. É importante essa correção, para que você não se machuque, a dor ao amamentar não é normal! Para a pega ser feita corretamente, é preciso que o bebê abocanhe boa parte da aréola, e não apenas o bico. A boquinha tem que ficar bem aberta. https://www.youtube.com/watch?v=scsAp3CaKfA
Se estiver doendo, provavelmente a pega está errada. Peça ajuda! Muitas mães só chegam ao banco de leite quando o mamilo já está rachado, muito ferido, quando ela já não aguenta mais de dor. Não espere chegar a esse ponto! Se estiver difícil, vá logo a um banco de leite com seu bebê, que você será super bem orientada.
O terceiro ponto complicado é a apojadura, ou seja, quando o leite desce. Porque manas, quando o leite desce, ele DEEEEEESCE.... kkkkkk! Seu organismo ainda não sabe o quanto seu bebê irá mamar, então ele se prepara para um super bebê mega esganado que vai querer mamar litros a cada minuto! As mamas ficam muito cheias e duras, e se você não souber lidar com esse momento, pode acabar tendo leite empedrado ou até mesmo uma mastite. Vamos lá: se o seio estiver muito cheio e muito duro, o bebê não consegue pegar direito. Então é bom massagear o seio e ordenhar um pouco de leite (no momento: vamos nos sentir vaquinhas) e só depois oferecer ao bebê. https://www.youtube.com/watch?v=gW7jqzdX1hc
Aos poucos, a produção de leite entra em um equilíbrio, os seios não enchem tanto, e aí vem o quarto ponto difícil na amamentação: a crise do "não tenho leite". Tem sim! Você só está produzindo leite de forma adequada ao seu bebê, não está mais jorrando leite do peito, mas pode crer que, quando ele mama, sai leite, se não ele abriria o berreiro. E se mesmo assim ficar cismada, lembre-se de que quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz, então coloque-o para mamar com mais frequência.
E o quinto momento difícil da amamentação: seguir amamentando! Porque olhe, minha gente... É tanto palpite... É tanta gente querendo dizer quando, como, onde ou que tanto esse bebê deve mamar... Lembre-se das recomendações da Organização Mundial de Saúde: livre demanda, amamentação exclusiva até 6 meses e seguir amamentando por 2 anos ou mais. Qualquer pitaco diferente disso pode - e deve - ser ignorado. Mas atenção: eu disse que os pitacos devem ser ignorados, não aquilo que a sua intuição te diz. Cada mãe sabe exatamente o momento de desmamar sua cria. É o momento do "não dá mais". "Não aguento mais dar peito de madrugada!" É quando você tira a mamada noturna. "Não aguento mais dar o peito o tempo todo!" É quando você interrompe a livre demanda. De alguma forma, a gente sabe.
Por fim, lembrem-se de que, principalmente no início, amamentar exige concentração. Procure um lugar tranquilo, em silêncio. Olhe bem nos olhos do bebê, tenha paciência com esse momento. Se estiverem com dificuldades, procure antes de oferecer o seio colocar seu filho pele a pele com você, e ir guiando para o seio aos poucos. Desejo que tenham uma linda lua-de-leite!!!
Motivos para amamentar:
1. O leite materno é PERFEITO. Sério, gente! É o alimento que sacia tanto a fome quanto a sede, que tem a composição nutricional ideal para o bebê, que vem na temperatura certa para ele!
2. É de graçaaaaaa! Fórmula artificial é caro, mamadeira é caro, você gasta uma grana por algo que tem de graça de melhor qualidade.
3. O bebê recebe anticorpos e fica mais protegido contra doenças e alergias.
4. O leite materno é de fácil digestão.
5. O ato de mamar melhora a formação da boca e o alinhamento dos dentes do bebê.
6. Amamentar queima calorias. Emoticon smile
7. O sangramento pós parto dura menos em mulheres que amamentam.
8. Os leites artificiais aumentam o risco de alergia a leite de vaca.
9. A UNICEF calcula que um milhão e meio de crianças morrem por ano por falta de aleitamento materno. E não se pense que é só nos países do terceiro mundo. Mesmo nos países industrializados muitas mortes se poderiam evitar com o aleitamento materno.
10. Aumenta o vínculo afetivo entre mãe e bebê.
Mas Elisa... olha só, eu estou com dificuldades para a amamentar... O bico do meu peito é invertido, está rachado, dói muito, está empedrando... Eu só tenho três dias para te dar:
1. Vá a um banco de leite.
2. VÁ A UM BANCO DE LEITE!
3. VÁ-A´-UM-BANCO-DE-LEITEEEEEEEEE!!!!!!
Quero pedir aqui a gentileza de, se alguém com dificuldade de amamentar foi pedir socorro no banco de leite, que conte sua experiência. Todos os relatos que ouço é como a visita ao banco de leite fez com que se corrigisse pega, que se entendesse como ordenhar, enfim, sempre uma orientação bem feita, carinhosa e efetiva.
Também quero abrir o post para todas que queiram postar fotos amamentando. Vamos comemorar a SEMANA MUNDIAL DA AMAMENTAÇÃO!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Pobre fazendo pobrice



Se amamentar o filho ao seio, nutrindo-o com o alimento mais completo que existe, é pobrice, minhas doulandas estão me matando de tanto orgulho, fazendo muita pobrice todo dia!

Vai ter bebê mamando no peito, sim! Nós, da Poder de Parir, incentivamos demais as mães a amamentarem seus filhos em livre demanda, a amamentarem onde quiserem (porque se a mulher precisa se ausentar para dar de mamar sozinha num canto, a amamentação tende a ser algo bem mais pesado do que se ela puder simplesmente botar os peitos pra fora e pendurar o bebê, hehehe), a amamentarem pelo maior tempo possível.

Leite materno é saúde! Bebê pendurado no peito está recebendo alimentação completa e muito amor!

Adoro vocês, minhas pobres preferidas!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Vamos falar sobre amamentação?



Acho que, no Brasil, a maioria das mães deseja amamentar seu filho. Talvez não da forma como a Organização Mundial de Saúde recomenda (amamentação exclusiva até 6 meses, como principal alimento até 1 ano e como suplementar PELO MENOS até 2 anos de idade), mas querem amamentar. E acham que a amamentação é algo simples, belo e intuitivo: põe o bebê no peito, ele suga. Pronto, resolvido.

Manas, não é bem assim que funciona...! Primeiro que, quando o bebê nasce, você não ganha automaticamente peitos fartos de leite; o leite só vai descer mesmo lá pelo terceiro dia após o parto. Antes disso, temos o colostro: ele é bem líquido, pouquinho, amarelado quase transparente. O colostro deve ser dado ao bebê o mais rapidamente possível após o nascimento do bebê, pois ele é repleto de anticorpos que protegem a criança, transmitindo para o bebê informações sobre os micro-organismos com os quais a mãe teve em contato ao longo da vida. Além disso, é rico em proteínas, água e gorduras essenciais, bem adaptado às necessidades do recém-nascido. Esse colostro é o alimento que os bebês precisam ao nascer, sem tirar nem pôr. Não é necessário oferecer complemento porque o leite ainda não veio, é só deixar bastante o bebê no seio para mamar o colostro - o que estimula o leite a descer. Em muitos hospitais, é oferecido o complemento para os recém-nascidos. Mas, futuras mamães, o leite é produzido por estímulo: quanto menos o bebê sugar, mais o leite demora para descer. E se ele estiver de barriguinha mega cheia de complemento, não vai querer sugar. Entenderam o círculo vicioso que o complemento gera? E sempre vai ter alguém que vai dizer que o leite é fraco, que o bebê está com fome, etc. Mas já pararam para pensar que um bebê que acabou de sair do útero tem muitos, muitos motivos para chorar além da fome?

O segundo ponto de dificuldade em estabelecer a amamentação é o raio da pega. A pega é a base de uma amamentação tranquila. Se o bebê pega corretamente o seio, consegue mamar tudo o que precisa e não machuca a mãe. Se a pega não estiver correta, pode mamar pouco, engolir muito ar, machucar o seio materno. Só que (pode acreditar!) o bebê não nasce sabendo pegar o seio. Mãe e bebê precisam aprender a fazer isso juntos! Pode ser que, principalmente no início, você tenha que retirar e colocar o seio várias vezes até que seu bebê acerte a pega, e que isso se repita a cada vez que ele for mamar. É importante essa correção, para que você não se machuque, a dor ao amamentar não é normal! Para a pega ser feita corretamente, é preciso que o bebê abocanhe boa parte da aréola, e não apenas o bico. A boquinha tem que ficar bem aberta. https://www.youtube.com/watch?v=scsAp3CaKfA
Se estiver doendo, provavelmente a pega está errada. Peça ajuda! Muitas mães só chegam ao banco de leite quando o mamilo já está rachado, muito ferido, quando ela já não aguenta mais de dor. Não espere chegar a esse ponto! Se estiver difícil, vá logo a um banco de leite com seu bebê, que você será super bem orientada.


O terceiro ponto complicado é a apojadura, ou seja, quando o leite desce. Porque manas, quando o leite desce, ele DEEEEEESCE.... kkkkkk! Seu organismo ainda não sabe o quanto seu bebê irá mamar, então ele se prepara para um super bebê mega esganado que vai querer mamar litros a cada minuto! As mamas ficam muito cheias e duras, e se você não souber lidar com esse momento, pode acabar tendo leite empedrado ou até mesmo uma mastite. Vamos lá: se o seio estiver muito cheio e muito duro, o bebê não consegue pegar direito. Então é bom massagear o seio e ordenhar um pouco de leite (no momento: vamos nos sentir vaquinhas) e só depois oferecer ao bebê. https://www.youtube.com/watch?v=gW7jqzdX1hc

Aos poucos, a produção de leite entra em um equilíbrio, os seios não enchem tanto, e aí vem o quarto ponto difícil na amamentação: a crise do "não tenho leite". Tem sim! Você só está produzindo leite de forma adequada ao seu bebê, não está mais jorrando leite do peito, mas pode crer que, quando ele mama, sai leite, se não ele abriria o berreiro. E se mesmo assim ficar cismada, lembre-se de que quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz, então coloque-o para mamar com mais frequência.

E o quinto momento difícil da amamentação: seguir amamentando! Porque olhe, minha gente... É tanto palpite... É tanta gente querendo dizer quando, como, onde ou que tanto esse bebê deve mamar... Lembre-se das recomendações da Organização Mundial de Saúde: livre demanda, amamentação exclusiva até 6 meses e seguir amamentando por 2 anos ou mais. Qualquer pitaco diferente disso pode - e deve - ser ignorado. Mas atenção: eu disse que os pitacos devem ser ignorados, não aquilo que a sua intuição te diz. Cada mãe sabe exatamente o momento de desmamar sua cria. É o momento do "não dá mais". "Não aguento mais dar peito de madrugada!" É quando você tira a mamada noturna. "Não aguento mais dar o peito o tempo todo!" É quando você interrompe a livre demanda. De alguma forma, a gente sabe.


Por fim, lembrem-se de que, principalmente no início, amamentar exige concentração. Procure um lugar tranquilo, em silêncio. Olhe bem nos olhos do bebê, tenha paciência com esse momento. Se estiverem com dificuldades, procure antes de oferecer o seio colocar seu filho pele a pele com você, e ir guiando para o seio aos poucos. Desejo que tenham uma linda lua-de-leite!!!

domingo, 9 de agosto de 2015

Placenta e cordão umbilical

A placenta é um órgão que só existe durante a gravidez. Ela serve principalmente para nutrir o bebê no útero – os nutrientes chegam até ele pelo cordão umbilical-, mas também para aconchega-lo dentro do útero (e protegê-lo de impactos) e para liberar alguns hormônios essenciais durante a gravidez e o parto. Ela não nasce com o corpo da mulher, mas nasce nesse corpo durante a gestação  e não pertence a ele, já que após o nascimento a placenta – já tendo cumprido a sua missão – vai embora. Ela é a protetora, a mantenedora , a cuidadora do bebê durante a gravidez, e quando esse bebê nasce ela também não o acompanha, pois agora ele já pode ser protegido, mantido e cuidado pela mãe.



Quando o bebê nasce, a placenta não para imediatamente de alimentar e nutrir o bebê. Se logo após o nascimento você reparar no cordão, vai ver que ainda há pulso, sangue correndo por ele. Isso porque o nascimento é uma transição: o bebê recebia oxigênio e nutrientes pelo cordão e vai passar a respirar ar e receber o alimento do leite materno. Se o cordão não for cortado logo após o nascimento, essa transição acontecerá de modo suave – aos poucos o bebê para de receber oxigênio da placenta e começa a respirar, ou seja, aprende a respirar tranquilamente; se ele é cortado assim que o bebê nasce, a respiração ocorre de forma muito mais brusca e dolorida. Só que esse “restinho” de sangue que o bebê recebe se o cordão não é clampeado imediatamente faz MUITA diferença: garante um suprimento de ferro e reduz muito o risco de o bebê ter anemia – inclusive na vida adulta . O cordão pode pulsar durante vários minutos (há relatos de cordão que seguiu pulsando por 40 minutos após o nascimento do bebê), e eu só posso concluir que ele pulsa enquanto o bebê ainda precisa. Vale lembrar que o cordão costuma ter tamanho suficiente para que o bebê vá para o colo da mãe após o nascimento. É bom questionar as razões dessa pressa em cortar o cordão, se deixá-lo pulsar não traz nenhum malefício para a mãe.




Então o bebê nasce, é levado diretamente para o colo da mãe e começa a sugar o seio; o cordão não foi clampeado e a criança ainda está ligada à placenta e recebendo nutrientes dela enquanto for necessário. Essa secção estimula o útero a se contrair e a mãe a produzir ocitocina, o que faz com que a placenta seja expulsa naturalmente. A expulsão natural da placenta diminui os riscos de hemorragia ou de ficarem pedaços da placenta para trás, o que pode causar infecção. Não se deve, portanto, puxar a placenta, mas sim esperar que ela saia naturalmente.



Após o parto, nos hospitais, a placenta costuma ser descartada sem que a mulher sequer a veja. Muitas mulheres não querem mesmo vê-la, naquela coisa de que tudo que sai do nosso corpo é sujo e é nojento. Mas quando você parir, lembre-se de que aquele órgão foi o responsável por manter seu filho vivo dentro de você, que ele foi criado e viveu apenas para isso. Que tal levá-la com você após o parto, enterrá-la e no local plantar uma árvore? Ela servirá para nutrir uma nova vida, que nascerá na mesma época do seu filho. Sempre que vocês olharem para essa árvore, poderão se lembrar da experiência mágica e transformadora que foi, para ambos, a gravidez e o nascimento.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Motivos para amamentar e histórias de amamentação



1. O leite materno é PERFEITO. Sério, gente! É o alimento que sacia tanto a fome quanto a sede, que tem a composição nutricional ideal para o bebê, que vem na temperatura certa para ele!
2. É de graçaaaaaa! Fórmula artificial é caro, mamadeira é caro, você gasta uma grana por algo que tem de graça de melhor qualidade.
3. O bebê recebe anticorpos e fica mais protegido contra doenças e alergias.
4. O leite materno é de fácil digestão.
5. O ato de mamar melhora a formação da boca e o alinhamento dos dentes do bebê.
6. Amamentar queima calorias. Emoticon smile
7. O sangramento pós parto dura menos em mulheres que amamentam.
8. Os leites artificiais aumentam o risco de alergia a leite de vaca.
9. A UNICEF calcula que um milhão e meio de crianças morrem por ano por falta de aleitamento materno. E não se pense que é só nos países do terceiro mundo. Mesmo nos países industrializados muitas mortes se poderiam evitar com o aleitamento materno.
10. Aumenta o vínculo afetivo entre mãe e bebê.
Mas Elisa... olha só, eu estou com dificuldades para a amamentar... O bico do meu peito é invertido, está rachado, dói muito, está empedrando... Eu só tenho três dias para te dar:
1. Vá a um banco de leite.
2. VÁ A UM BANCO DE LEITE!
3. VÁ-A´-UM-BANCO-DE-LEITEEEEEEEEE!!!!!!
Quero pedir aqui a gentileza de, se alguém com dificuldade de amamentar foi pedir socorro no banco de leite, que conte sua experiência. Todos os relatos que ouço é como a visita ao banco de leite fez com que se corrigisse pega, que se entendesse como ordenhar, enfim, sempre uma orientação bem feita, carinhosa e efetiva.
Também quero abrir o post para todas que queiram postar fotos amamentando. Vamos comemorar a SEMANA MUNDIAL DA AMAMENTAÇÃO!


Essa sou eu amamentando Alice, minha mais velha, um dia depois do aniversário dela, em Gramado-RS. A amamentação sempre foi muito mais para nós duas do que alimentação, qualquer chorinho dela eu colocava no peito e resolvia! 


Essa é a Luégela Lourenço amamentando a Agnes Sofia. Depoimento dela: "Graças a Deus não tive problema nenhum pra amamentar. Meu leite não é aquele que jorra mas nutre bem minha pequena... pretendo amamentar até os 2 anos. Amo amamentar e ela ama o pepê"


Thaís Araujo amamentando Isabela. Depoimento dela: "Amamentando a minha Bela, de 47 dias! Isso só foi possível por causa da assistência do Banco de Leite. Na nossa primeira semana juntas, Isabela perdeu peso. Em sua primeira consulta ao pediatra, fui aconselhada a procurar o banco de leite, pois além da perda de peso, meu peito estava hiper machucado. Estava tbm cheio demais, empedrando! Tive até febre! Fui até lá e Descobri que minha filha estava com a pega errada. Me ensinaram a corrigir a pega, fazer exercícios com o dedinho e fizemos translactação para recuperar o peso perdido. Além disso, descobri que estava com Cândida mamária... Recebi do banco de leite todo o suporte para cuidar do meu seio. Tive Informação, me passaram dieta, aprendi a ordenhar. Hoje, minha filha está uma bolinha! Amamentar é uma delicia e ainda dividimos o nosso leitinho com outras crianças, pois viramos doadoras. Não sei de manteria a amamentação exclusiva em livre demanda se não fosse pelo banco de leite."

Lorenna Resende amamentando o Eduardo. "O Eduardo tem 3 dias de vida e já pega direitinho o peito. Doeu muito no início mas estou amando a experiência."




Karen Barcelos amamentando Mila (1ª foto) e Duda (2ª foto). Depoimento dela: "Amamentando minha princesa Mila há 16 anos atrás e amamentando a Dudinha hoje... Olhos que me olham além do olhar,,,"




Natália Carvalho amamentando a Jéssica. Depoimento dela: "Escolhi essa foto de quando a Jessicah tinha um pouco mais de um mês para lembrar que amamentar é um ato familiar e comunitário. Dizer que a amamentação é um processo fisiológico natural, não significa dizer que seja fácil. É um processo que solicita muito da mulher fisica e emocionalmente. Para amamentar, uma mulher precisa de apoio, suporte, empatia, solidariedade. Se você apoia a amamentação, acolhe e cuide da mulher que amamenta!
Sugestões para apoiar uma mulher que amamenta no primeiro mês de vida do bebê, na humilde opinião dessa mãe aqui:
1) Ajude ela a descansar:
Cuidar de um recém nascido geralmente é exaustivo e desafiador, especialmente para mães de primeira viagem. Se ofereça para estar com o bebê por um tempo, para que a mãe possa tomar um banho mais longo e se alimentar com calma. Os pais, especialmente, podem cuidar do bebê nas primeiras horas da manhã para que a mulher consiga dormir um pouco mais depois das mamadas noturnas (que podem ser frequentes e longas).
2) Acolha os sentimentos da mãe que amamenta:
Amamentar é uma viagem hormonal e emocional, e nem sempre é fácil. Ofereça companhia, apoio e esculta empática (sem conselhos ou julgamentos).
3) Ofereça um copo de água:
Sim, é assim tão simples. Amamentar dá muita sede (e fome e as vezes até um pouco de fraqueza no início). Além disso, a hidratação é muito importante para a produção de leite. Leve um copo de água quando ver uma mulher amamentando.
4) Ofereça palavras de incentivo:
Nunca diga que uma mulher não é capaz de amamentar, que seu leite é fraco, que seus seios são inadequados, que seu bebê passa fome. Ao contrário, incentive-a a confiar em seu corpo de forma empática e não impositiva.
5) Faça a sua parte para que mãe e bebê tenham contato de qualidade:
O contato físico do bebê com a mãe auxilia na produção de leite e no estabelecimento da amamentação. Por isso muitas famílias tem adotado o quarto ou a cama compartilhada especialmente nos primeiros meses do bebê. Se você é visitante, não peça para ficar com o bebê nos braços, entenda que a mãe as vezes precisará se retirar para estar só com seu bebê no quarto, não critique a opção da mulher de ter sempre o bebê nos braços, dormir junto e/ou não usar chupeta (aliás, lição para a vida: não critique as escolhas as pessoas). Você pode ajudar lavando a louça, levando comida pronta ou cozinhando, assumindo qualquer tarefa doméstica ou prática para que a mulher fique o mais liberada possível para estar em contato físico com seu bebê e para que a dupla mãe-bebê criem vínculo e intimidade.
6) Entenda que a amamentação é um aprendizado:
Parece óbvio, mas precisa ser esclarecido que você não deve interromper os momentos em que a mulher está amentando seu bebê para solicitar qualquer coisa ou pedir para segurar a criança. Esse é um momento dos dois! É muito possível que, especialmente no começo quando a amamentação ainda está se estabelecendo, a mulher queira estar sozinha com o bebê para alimentá-lo. Dê espaço aos dois.
7) Não seja mais uma pessoa intrometida
Se você quer ajudar uma mãe que está passando por dificuldades não seja uma pessoa palpiteira dizendo o que ela deve ou não fazer. Incentive ela a buscar apoio e informação de qualidade nos BLH, consultoras de amamentação ou grupos de apoio de amamentação virutais e presenciais.
8) Quando a mulher não amamenta:
Uma mãe pode não amamentar por vários motivos, por escolha ou por dificuldades que ela considerou intransponíveis no estabelecimento da amamentação. Seja como for, ela não precisa do seu julgamento e dos seus conselhos não solicitados. Toda a mãe precisa de apoio."

terça-feira, 10 de abril de 2012

Amamentação Prolongada

Por Enfermeira Isabel Pedro – Lisboa

O início e duração da amamentação supõem uma decisão pessoal sobre a qual influem múltiplos fatores. Para Applebaum(1975), o sucesso da amamentação parece estar dependente da interligação de três variáveis, cada uma delas absolutamente necessárias à existência das outras: uma mãe e um pai motivados e decididos a amamentar; um lactente saudável e com boa capacidade de sucção; e pessoal compreensivo, encorajador e competente.

Porque é que chegados ao ano de 2005, ainda técnicos de saúde indicam o desmame no primeiro ano de vida?

Recentemente, uma mãe conversava com uma enfermeira acerca da duração da amamentação, quando esta técnica lhe respondeu “sabemos todos muito bem que a partir de um ano de vida do bebé se deve introduzir o leite de vaca”. A resposta desta enfermeira reflete uma ideia errada mas comum entre nós. É predominante na nossa cultura, entender a amamentação somente como um meio para fornecer nutrição e protecção imunológica adequadas. Nas culturas onde é permitido à criança a amamentação por mais tempo, encontrou-se que o desmame natural ocorre entre os três e quatro anos de idade (Davies, 1993).

A OMS e a UNICEF expressam a importância da amamentação prolongada na “Declaração de Innocenti” de 1 de Agosto de 1990 nos seguintes termos: “Para otimizar a saúde e a nutrição materno-infantil, todas as mulheres devem estar capazes de praticar o aleitamento materno exclusivo e todas as crianças devem ser alimentadas exclusivamente com leite materno, desde o nascimento até aos primeiros 4 a 6 meses de vida. Até aos dois anos de idade, ou mais, mesmo depois de começarem a ser alimentadas adequadamente, as crianças devem continuar a amamentação.”

Felizmente e/ou infelizmente, em Portugal, ao abrigo do nº2 do Artº 12 do Decreto Lei nº 142/99, publicado no Diário da República nº 203 de 31 de Agosto de 1999 é salvaguardado o direito da “trabalhadora lactante” durante todo o tempo que durar a amamentação.

Os benefícios da amamentação, em termos de saúde do bébé estendem-se durante todo o tempo no qual esta decorre. Crianças amamentadas são beneficiadas nutricionalmente
O leite materno é o alimento perfeito para bebês humanos. Contém todas as proteínas, gorduras, hidratos de carbono, minerais e vitaminas necessários ao crescimento humano nas proporções correctas para um bébé humano. Estas proporções ajustam-se ao longo do tempo para corresponder às necessidades do bébé (Davies,1993).

Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida é muito similar ao leite do primeiro ano (Victora, 1984). No segundo ano de vida, 500 ml de leite materno proporcionam à criança:

95% do total de vitamina C necessária;
45% do total de vitamina A necessária;
38% do total de proteínas necessárias;
31% de calorias necessárias.

Os fatores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam a receber os benefícios da imunidade (Goldman et al, 1983).

O leite materno continua a evitar doenças e a facilitar a recuperação de outras durante o segundo e terceiro anos de vida. Isto porque o leite materno é estéril, isento de bactérias e contém factores anti-infecciosos que incluem:

- leucócitos (células brancas vivas) que matam bactérias;
- imunoglobulinas, que são proteínas muito especiais que transportam os anticorpos para proteger o bebé das doenças contra as quais a mãe desenvolveu uma imunidade;
- factor bífido que facilita o crescimento de uma bactéria especial (lactobacillus bifidus) no intestino da criança, impedindo que outras bactérias cresçam e causem diarreia;
- lactoferrina, uma proteína anti-infecciosa que se junta ao ferro, ajudando a eliminar bactérias patogénicas pois nega-lhes esse elemento de que necessitam para crescer (King y Thomson y Gordon, 1991).

Portanto, a amamentação prolongada continua a reduzir a morbi-mortalidade infantil ao diminuir a incidência de doenças infecciosas. O que significa menos idas ao pediatra, menos medicação, proporcionando benefícios económicos para a família e à nação.

Está bem documentado que quanto mais tarde se introduzir leite de vaca, e outros alimentos alergênicos, menos probabilidades essas crianças terão de apresentar reações alérgicas (Savilahti,1987).As pessoas alimentadas, na primeira infância (entre 1 a 6 anos de idade), ao peito, são mais tarde menos atreitas a doenças cardíacas e a desarranjos do aparelho digestivo. Os bebês alimentados ao peito também têm menos probabilidade de vir a ter excesso de peso do que os que são alimentados a biberão e têm menos probabilidades de sofrer de uma forma de apodrecimento dos dentes que atinge as crianças muito jovens conhecido por cárie de mamadeira. Também o mecanismo de sucção é diferente do dos bebês alimentados a mamadeira, e é mais difícil. Isso pode contribuir para o desenvolvimento de maxilares saudáveis; certas anormalidades da boca e dos maxilares são mais raras nas crianças que foram amamentadas (Davies,1993).

Horwood e Fergusson (1998) consideram que crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas. Os autores sustentam esta opinião num estudo que seguiu mais de 1000 crianças da Nova Zelândia com idades compreendidas entre os 8 e 18 anos de idade. No estudo realizado, as crianças foram sujeitas a umas séries de avaliações das habilidades cognitivas e êxitos académicos que incluíam medição do coeficiente intelectual infantil, avaliações dos professores sobre rendimento escolar; provas de compreensão da leitura, matemáticas e habilidades escolares. Concluíram que havia umas tendências pequenas mas consistentes para a duração crescente da amamentação estar associada com um coeficiente intelectual aumentado, e um desempenho aumentado em testes estandardizados. As crianças obtinham avaliações mais elevadas do seu desempenho na sala de aula e melhores notas em exames finais.
Os autores, professores David M. Fergusson e L. Jonh Horwood da Escola de Medicina de Christchurch subscrevem a teoria de que as gorduras insaturadas encontradas no leite humano são importantes para o crescimento do cérebro e do sistema nervoso.
Crianças amamentadas são mais ajustadas socialmente

Um estudo com bebés amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período da amamentação e o ajustamento social avaliado por mães e professores) em crianças de 6 a 8 anos de idade (Freguson et al, 1987). Nas palavras dos pesquisadores: “Existem tendências estatisticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação”.

Mamar durante a infância ajuda os bebés a fazer uma transição gradual no desenvolvimento da sua personalidade individual e maturidade.

Muitas das afirmações feitas por médicos e autores sobre a superioridade da amamentação baseiam-se na convicção de que a amamentação é melhor para o bebê/criança do ponto vista psicológico. Amamentar é atender às necessidades de dependência da criança, de acordo com o tempo único da criança. Esta é a chave para ajudar a criança a alcançar a sua independência. As crianças que conquistam a sua independência em seu próprio ritmo, são mais seguras dessa independência que as crianças forçadas a isso prematuramente.

A amamentação de bebês mais velhos proporciona uma oportunidade de brincar e uma bebida de conforto, serenidade para bebês cansados, doentes, assustados, contrariados, ajudando-os a superar o stress diário da infância. Porque a amamentação se torna uma forma agradável de bem-estar emocional entre o bebé e a mãe. Muitos bebés gostam, compreensivelmente, de continuar a gozá-la por vezes durante o segundo, o terceiro ou até o quarto ano de vida (Davies,1993).

Mas será que todos os profissionais de saúde baseiam os seus conselhos sobre desmame em resultados de pesquisa científica?
Aparentemente não, porque não existe nenhuma indicação que amamentar para além do primeiro ano de vida tenha efeitos negativos. Aliás o que existe é a evidência ampla dos seus benefícios. Então, qual é a base do frequentemente ouvido “desmame ao um ano de vida”?

Há provavelmente diversos factores envolvidos. Um deles pode ser simplesmente expectativas culturais. Os técnicos de saúde estão sujeitos a pensar em conformidade com as tendências culturais. Isto é, presentemente parece que esperamos todos pelo desenvolvimento precoce e a independência adiantada nas crianças. Assim sendo, dar ênfase ao desmame precoce parece estar de acordo com a tendência atual. Ironicamente, um desmame precoce, forçado pode realmente impedir as necessidades emocionais de dependência no desenvolvimento, retardando assim a independência da criança.

Uma outra influência em atitudes para o desmame precoce pode ser o ritmo apressado da nossa sociedade. Amamentar um bebê mais velho não é compatível com os estilos de vida moderna. Aliás já se ouve falar no alargamento dos horários das creches/infantários.

Um outro fator prende-se com mais um preconceito baseado no fascínio da nossa cultura com o peito como estímulo sexual. Uma criança que já saiba andar ou mesmo que já saiba falar pode ser considerada demasiada velha para encontrar o conforto físico no peito da sua mãe. No entanto, segundo Davies(1993), uma vantagem de amamentar uma criança que fala e compreende a linguagem é poder-lhe explicar porque é que não pode dar-lhe de mamar no jardim infantil, nem na casa da tia, nem no carro. Nesta fase, ele compreende a palavra “não” e pode ser distraído com outras coisas. Ela pode protestar ou ter uma birra, mas as outras crianças que não são amamentadas, também têm birras. É importante distinguir entre um desejo muito natural de conforto e contacto e o comportamento exigente não razoável exibido, ás vezes, por todas as crianças quando começam a andar.

Existe mais um fator que leva os técnicos de saúde a recomendar o desmame precoce. Este factor assenta unicamente em ideias erradas. Alguns médicos podem pensar que a amamentação prolongada vai interferir com o apetite da criança para outros alimentos. Contudo, não existem pesquisas indicando que a criança amamentada tem maior tendência a recusar outros alimentos que a criança que já desmamou. Na verdade, a maioria dos pesquisadores em países subdesenvolvidos, onde o apetite de uma criança desnutrida pode ser de importância vital, recomendam que a amamentação continue (Rhode,1988).

As mães que amamentam, por mais tempo, têm benefícios. O leite materno é capaz de:

- contribuir para a saúde da mulher, reduzindo os riscos de certos tipos de doenças/cancros e ampliar os intervalos entre os partos;
- proporcionar benefícios econômicos para a família e a nação;
- quando bem adoptado, proporcionar satisfação á maioria das mulheres (Declaração de Innocenti, 1990).

Como já vimos, a amamentação não é apenas um método de alimentação, também pode ser o que cessa um choro, o que é uma benção para a maioria de nós, que ficamos profundamente perturbadas pelo barulho de uma criança a chorar, especialmente de noite. A conveniência da amamentação torna-se mais óbvia, à medida que o tempo passa, o que é uma pena, pois muitas mães desistem durante as dificuldades dos primeiros dias e nunca chegam a experimentar o conforto e o prazer de dar a um bebê uma refeição completa ou um suplemento a uma refeição incompleta de uma criança, com um braço livre para acariciar um filho mais velho, um marido, ou para segurar um livro. Além disso, também incita a mãe a sentar-se ou deitar-se e descontrair/descansar ao mesmo tempo, no quente da sua cama.

Através da amamentação, a mãe recebe uma resposta da boca do seu filho, das mãos dele, do corpo e dos olhos dele. Isso dá-lhe informação sobre como ele se sente e sobre o que ele está a fazer. Quase todas as mães que amamentam até mais tarde, afirmam que esta intimidade com o bebé é o elemento mais satisfatório da amamentação. Quando a mãe está a ter este tipo de prazer, ele transmite-se, por sua vez, ao seu filho. Os sorrisos dela, as carícias e o relaxamento do seu corpo, tudo isso ajuda a tornar a experiência da amamentação mais agradável para o seu filho, também.
O contacto da pele entre mãe e filho, estimula a hormona prolactina que pode aumentar os sentimentos maternais. Estes sentimentos maternais e de protecção em relação ao filho defende a criança de possíveis maus tratos e abandono por parte da mãe. Em países onde se tem melhorado e aumentado a amamentação devido às mudanças nas práticas hospitalares para que não haja separação entre a mãe e o bebé, encontrou-se uma redução no abandono de bebés por parte das mães.

O aleitamento materno pode atrasar em muitos meses o retorno da menstruação e da ovulação em algumas mulheres, sendo portanto uma forma importante de retardar uma nova gravidez. Deste modo, evita a redução dos intervalos entre os partos que podem comprometer o estado de saúde e nutrição da mulher assim como a nutrição dos seus filhos (Davies,1993).

Blaauw (1994) acrescenta que a amamentação protege contra a osteoporose. A densidade óssea de uma mãe que amamenta, pode estar reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta ou até mesmo ter um aumento, quando o bebê for desmamado. Não dependendo isso, de um suplemento adicional na alimentação da mãe.
A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética (Le Roy).

Em conclusão, amamentar crianças maiores é normal e traz benefícios para ambos. Actualmente, tenta-se compensar o desmame precoce no primeiro ano de vida através de vacinas, antibióticos e medidas higiénico-sanitárias. No entanto, as necessidades psico-emocionais, de afecto e contacto físico íntimo persistem, e são de difícil substituição.

O desmame definitivo deve ser natural, não abrupto e fruto de um consenso familiar (mãe, bebê e pai) e do pessoal técnico de saúde, ambos devem chegar a um acordo. É especialmente importante, a mãe referir aos profissionais de saúde que quer continuar a amamentar a sua criança, justificando que não é um incómodo, mas antes um prazer de que ambos gostam e sente que o seu filho ainda precisa, por uma questão de especial conforto, ficando terrivelmente angustiado se lho negar.

Nesta linha de pensamento, parece-nos ser fundamental que tanto médicos como enfermeiros deixem de ter uma atitude indiferente, passiva ou mesma inadequada em relação à informação relativa ao aleitamento materno e a alimentação infantil, pois tais atitudes apenas podem conduzir ao desmame precoce com as consequências negativas que daí possam advir.