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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Roda de paridas

E na quarta-feira, 21/10, tivemos mais uma linda roda de paridas. Cinco bebês e nove mulheres compartilhando sobre as experiências dos partos reais frente as expectativas da gestação, a nova interação entre os membros da família, as rotinas e desafios do puerpério. Gratidão Ana Paula por ter nos acolhido em sua casa. Gratidão mulheres pela partilha e aprendizado.





sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Vamos falar sobre amamentação?



Acho que, no Brasil, a maioria das mães deseja amamentar seu filho. Talvez não da forma como a Organização Mundial de Saúde recomenda (amamentação exclusiva até 6 meses, como principal alimento até 1 ano e como suplementar PELO MENOS até 2 anos de idade), mas querem amamentar. E acham que a amamentação é algo simples, belo e intuitivo: põe o bebê no peito, ele suga. Pronto, resolvido.

Manas, não é bem assim que funciona...! Primeiro que, quando o bebê nasce, você não ganha automaticamente peitos fartos de leite; o leite só vai descer mesmo lá pelo terceiro dia após o parto. Antes disso, temos o colostro: ele é bem líquido, pouquinho, amarelado quase transparente. O colostro deve ser dado ao bebê o mais rapidamente possível após o nascimento do bebê, pois ele é repleto de anticorpos que protegem a criança, transmitindo para o bebê informações sobre os micro-organismos com os quais a mãe teve em contato ao longo da vida. Além disso, é rico em proteínas, água e gorduras essenciais, bem adaptado às necessidades do recém-nascido. Esse colostro é o alimento que os bebês precisam ao nascer, sem tirar nem pôr. Não é necessário oferecer complemento porque o leite ainda não veio, é só deixar bastante o bebê no seio para mamar o colostro - o que estimula o leite a descer. Em muitos hospitais, é oferecido o complemento para os recém-nascidos. Mas, futuras mamães, o leite é produzido por estímulo: quanto menos o bebê sugar, mais o leite demora para descer. E se ele estiver de barriguinha mega cheia de complemento, não vai querer sugar. Entenderam o círculo vicioso que o complemento gera? E sempre vai ter alguém que vai dizer que o leite é fraco, que o bebê está com fome, etc. Mas já pararam para pensar que um bebê que acabou de sair do útero tem muitos, muitos motivos para chorar além da fome?

O segundo ponto de dificuldade em estabelecer a amamentação é o raio da pega. A pega é a base de uma amamentação tranquila. Se o bebê pega corretamente o seio, consegue mamar tudo o que precisa e não machuca a mãe. Se a pega não estiver correta, pode mamar pouco, engolir muito ar, machucar o seio materno. Só que (pode acreditar!) o bebê não nasce sabendo pegar o seio. Mãe e bebê precisam aprender a fazer isso juntos! Pode ser que, principalmente no início, você tenha que retirar e colocar o seio várias vezes até que seu bebê acerte a pega, e que isso se repita a cada vez que ele for mamar. É importante essa correção, para que você não se machuque, a dor ao amamentar não é normal! Para a pega ser feita corretamente, é preciso que o bebê abocanhe boa parte da aréola, e não apenas o bico. A boquinha tem que ficar bem aberta. https://www.youtube.com/watch?v=scsAp3CaKfA
Se estiver doendo, provavelmente a pega está errada. Peça ajuda! Muitas mães só chegam ao banco de leite quando o mamilo já está rachado, muito ferido, quando ela já não aguenta mais de dor. Não espere chegar a esse ponto! Se estiver difícil, vá logo a um banco de leite com seu bebê, que você será super bem orientada.


O terceiro ponto complicado é a apojadura, ou seja, quando o leite desce. Porque manas, quando o leite desce, ele DEEEEEESCE.... kkkkkk! Seu organismo ainda não sabe o quanto seu bebê irá mamar, então ele se prepara para um super bebê mega esganado que vai querer mamar litros a cada minuto! As mamas ficam muito cheias e duras, e se você não souber lidar com esse momento, pode acabar tendo leite empedrado ou até mesmo uma mastite. Vamos lá: se o seio estiver muito cheio e muito duro, o bebê não consegue pegar direito. Então é bom massagear o seio e ordenhar um pouco de leite (no momento: vamos nos sentir vaquinhas) e só depois oferecer ao bebê. https://www.youtube.com/watch?v=gW7jqzdX1hc

Aos poucos, a produção de leite entra em um equilíbrio, os seios não enchem tanto, e aí vem o quarto ponto difícil na amamentação: a crise do "não tenho leite". Tem sim! Você só está produzindo leite de forma adequada ao seu bebê, não está mais jorrando leite do peito, mas pode crer que, quando ele mama, sai leite, se não ele abriria o berreiro. E se mesmo assim ficar cismada, lembre-se de que quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz, então coloque-o para mamar com mais frequência.

E o quinto momento difícil da amamentação: seguir amamentando! Porque olhe, minha gente... É tanto palpite... É tanta gente querendo dizer quando, como, onde ou que tanto esse bebê deve mamar... Lembre-se das recomendações da Organização Mundial de Saúde: livre demanda, amamentação exclusiva até 6 meses e seguir amamentando por 2 anos ou mais. Qualquer pitaco diferente disso pode - e deve - ser ignorado. Mas atenção: eu disse que os pitacos devem ser ignorados, não aquilo que a sua intuição te diz. Cada mãe sabe exatamente o momento de desmamar sua cria. É o momento do "não dá mais". "Não aguento mais dar peito de madrugada!" É quando você tira a mamada noturna. "Não aguento mais dar o peito o tempo todo!" É quando você interrompe a livre demanda. De alguma forma, a gente sabe.


Por fim, lembrem-se de que, principalmente no início, amamentar exige concentração. Procure um lugar tranquilo, em silêncio. Olhe bem nos olhos do bebê, tenha paciência com esse momento. Se estiverem com dificuldades, procure antes de oferecer o seio colocar seu filho pele a pele com você, e ir guiando para o seio aos poucos. Desejo que tenham uma linda lua-de-leite!!!

domingo, 9 de agosto de 2015

Placenta e cordão umbilical

A placenta é um órgão que só existe durante a gravidez. Ela serve principalmente para nutrir o bebê no útero – os nutrientes chegam até ele pelo cordão umbilical-, mas também para aconchega-lo dentro do útero (e protegê-lo de impactos) e para liberar alguns hormônios essenciais durante a gravidez e o parto. Ela não nasce com o corpo da mulher, mas nasce nesse corpo durante a gestação  e não pertence a ele, já que após o nascimento a placenta – já tendo cumprido a sua missão – vai embora. Ela é a protetora, a mantenedora , a cuidadora do bebê durante a gravidez, e quando esse bebê nasce ela também não o acompanha, pois agora ele já pode ser protegido, mantido e cuidado pela mãe.



Quando o bebê nasce, a placenta não para imediatamente de alimentar e nutrir o bebê. Se logo após o nascimento você reparar no cordão, vai ver que ainda há pulso, sangue correndo por ele. Isso porque o nascimento é uma transição: o bebê recebia oxigênio e nutrientes pelo cordão e vai passar a respirar ar e receber o alimento do leite materno. Se o cordão não for cortado logo após o nascimento, essa transição acontecerá de modo suave – aos poucos o bebê para de receber oxigênio da placenta e começa a respirar, ou seja, aprende a respirar tranquilamente; se ele é cortado assim que o bebê nasce, a respiração ocorre de forma muito mais brusca e dolorida. Só que esse “restinho” de sangue que o bebê recebe se o cordão não é clampeado imediatamente faz MUITA diferença: garante um suprimento de ferro e reduz muito o risco de o bebê ter anemia – inclusive na vida adulta . O cordão pode pulsar durante vários minutos (há relatos de cordão que seguiu pulsando por 40 minutos após o nascimento do bebê), e eu só posso concluir que ele pulsa enquanto o bebê ainda precisa. Vale lembrar que o cordão costuma ter tamanho suficiente para que o bebê vá para o colo da mãe após o nascimento. É bom questionar as razões dessa pressa em cortar o cordão, se deixá-lo pulsar não traz nenhum malefício para a mãe.




Então o bebê nasce, é levado diretamente para o colo da mãe e começa a sugar o seio; o cordão não foi clampeado e a criança ainda está ligada à placenta e recebendo nutrientes dela enquanto for necessário. Essa secção estimula o útero a se contrair e a mãe a produzir ocitocina, o que faz com que a placenta seja expulsa naturalmente. A expulsão natural da placenta diminui os riscos de hemorragia ou de ficarem pedaços da placenta para trás, o que pode causar infecção. Não se deve, portanto, puxar a placenta, mas sim esperar que ela saia naturalmente.



Após o parto, nos hospitais, a placenta costuma ser descartada sem que a mulher sequer a veja. Muitas mulheres não querem mesmo vê-la, naquela coisa de que tudo que sai do nosso corpo é sujo e é nojento. Mas quando você parir, lembre-se de que aquele órgão foi o responsável por manter seu filho vivo dentro de você, que ele foi criado e viveu apenas para isso. Que tal levá-la com você após o parto, enterrá-la e no local plantar uma árvore? Ela servirá para nutrir uma nova vida, que nascerá na mesma época do seu filho. Sempre que vocês olharem para essa árvore, poderão se lembrar da experiência mágica e transformadora que foi, para ambos, a gravidez e o nascimento.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Motivos para amamentar e histórias de amamentação



1. O leite materno é PERFEITO. Sério, gente! É o alimento que sacia tanto a fome quanto a sede, que tem a composição nutricional ideal para o bebê, que vem na temperatura certa para ele!
2. É de graçaaaaaa! Fórmula artificial é caro, mamadeira é caro, você gasta uma grana por algo que tem de graça de melhor qualidade.
3. O bebê recebe anticorpos e fica mais protegido contra doenças e alergias.
4. O leite materno é de fácil digestão.
5. O ato de mamar melhora a formação da boca e o alinhamento dos dentes do bebê.
6. Amamentar queima calorias. Emoticon smile
7. O sangramento pós parto dura menos em mulheres que amamentam.
8. Os leites artificiais aumentam o risco de alergia a leite de vaca.
9. A UNICEF calcula que um milhão e meio de crianças morrem por ano por falta de aleitamento materno. E não se pense que é só nos países do terceiro mundo. Mesmo nos países industrializados muitas mortes se poderiam evitar com o aleitamento materno.
10. Aumenta o vínculo afetivo entre mãe e bebê.
Mas Elisa... olha só, eu estou com dificuldades para a amamentar... O bico do meu peito é invertido, está rachado, dói muito, está empedrando... Eu só tenho três dias para te dar:
1. Vá a um banco de leite.
2. VÁ A UM BANCO DE LEITE!
3. VÁ-A´-UM-BANCO-DE-LEITEEEEEEEEE!!!!!!
Quero pedir aqui a gentileza de, se alguém com dificuldade de amamentar foi pedir socorro no banco de leite, que conte sua experiência. Todos os relatos que ouço é como a visita ao banco de leite fez com que se corrigisse pega, que se entendesse como ordenhar, enfim, sempre uma orientação bem feita, carinhosa e efetiva.
Também quero abrir o post para todas que queiram postar fotos amamentando. Vamos comemorar a SEMANA MUNDIAL DA AMAMENTAÇÃO!


Essa sou eu amamentando Alice, minha mais velha, um dia depois do aniversário dela, em Gramado-RS. A amamentação sempre foi muito mais para nós duas do que alimentação, qualquer chorinho dela eu colocava no peito e resolvia! 


Essa é a Luégela Lourenço amamentando a Agnes Sofia. Depoimento dela: "Graças a Deus não tive problema nenhum pra amamentar. Meu leite não é aquele que jorra mas nutre bem minha pequena... pretendo amamentar até os 2 anos. Amo amamentar e ela ama o pepê"


Thaís Araujo amamentando Isabela. Depoimento dela: "Amamentando a minha Bela, de 47 dias! Isso só foi possível por causa da assistência do Banco de Leite. Na nossa primeira semana juntas, Isabela perdeu peso. Em sua primeira consulta ao pediatra, fui aconselhada a procurar o banco de leite, pois além da perda de peso, meu peito estava hiper machucado. Estava tbm cheio demais, empedrando! Tive até febre! Fui até lá e Descobri que minha filha estava com a pega errada. Me ensinaram a corrigir a pega, fazer exercícios com o dedinho e fizemos translactação para recuperar o peso perdido. Além disso, descobri que estava com Cândida mamária... Recebi do banco de leite todo o suporte para cuidar do meu seio. Tive Informação, me passaram dieta, aprendi a ordenhar. Hoje, minha filha está uma bolinha! Amamentar é uma delicia e ainda dividimos o nosso leitinho com outras crianças, pois viramos doadoras. Não sei de manteria a amamentação exclusiva em livre demanda se não fosse pelo banco de leite."

Lorenna Resende amamentando o Eduardo. "O Eduardo tem 3 dias de vida e já pega direitinho o peito. Doeu muito no início mas estou amando a experiência."




Karen Barcelos amamentando Mila (1ª foto) e Duda (2ª foto). Depoimento dela: "Amamentando minha princesa Mila há 16 anos atrás e amamentando a Dudinha hoje... Olhos que me olham além do olhar,,,"




Natália Carvalho amamentando a Jéssica. Depoimento dela: "Escolhi essa foto de quando a Jessicah tinha um pouco mais de um mês para lembrar que amamentar é um ato familiar e comunitário. Dizer que a amamentação é um processo fisiológico natural, não significa dizer que seja fácil. É um processo que solicita muito da mulher fisica e emocionalmente. Para amamentar, uma mulher precisa de apoio, suporte, empatia, solidariedade. Se você apoia a amamentação, acolhe e cuide da mulher que amamenta!
Sugestões para apoiar uma mulher que amamenta no primeiro mês de vida do bebê, na humilde opinião dessa mãe aqui:
1) Ajude ela a descansar:
Cuidar de um recém nascido geralmente é exaustivo e desafiador, especialmente para mães de primeira viagem. Se ofereça para estar com o bebê por um tempo, para que a mãe possa tomar um banho mais longo e se alimentar com calma. Os pais, especialmente, podem cuidar do bebê nas primeiras horas da manhã para que a mulher consiga dormir um pouco mais depois das mamadas noturnas (que podem ser frequentes e longas).
2) Acolha os sentimentos da mãe que amamenta:
Amamentar é uma viagem hormonal e emocional, e nem sempre é fácil. Ofereça companhia, apoio e esculta empática (sem conselhos ou julgamentos).
3) Ofereça um copo de água:
Sim, é assim tão simples. Amamentar dá muita sede (e fome e as vezes até um pouco de fraqueza no início). Além disso, a hidratação é muito importante para a produção de leite. Leve um copo de água quando ver uma mulher amamentando.
4) Ofereça palavras de incentivo:
Nunca diga que uma mulher não é capaz de amamentar, que seu leite é fraco, que seus seios são inadequados, que seu bebê passa fome. Ao contrário, incentive-a a confiar em seu corpo de forma empática e não impositiva.
5) Faça a sua parte para que mãe e bebê tenham contato de qualidade:
O contato físico do bebê com a mãe auxilia na produção de leite e no estabelecimento da amamentação. Por isso muitas famílias tem adotado o quarto ou a cama compartilhada especialmente nos primeiros meses do bebê. Se você é visitante, não peça para ficar com o bebê nos braços, entenda que a mãe as vezes precisará se retirar para estar só com seu bebê no quarto, não critique a opção da mulher de ter sempre o bebê nos braços, dormir junto e/ou não usar chupeta (aliás, lição para a vida: não critique as escolhas as pessoas). Você pode ajudar lavando a louça, levando comida pronta ou cozinhando, assumindo qualquer tarefa doméstica ou prática para que a mulher fique o mais liberada possível para estar em contato físico com seu bebê e para que a dupla mãe-bebê criem vínculo e intimidade.
6) Entenda que a amamentação é um aprendizado:
Parece óbvio, mas precisa ser esclarecido que você não deve interromper os momentos em que a mulher está amentando seu bebê para solicitar qualquer coisa ou pedir para segurar a criança. Esse é um momento dos dois! É muito possível que, especialmente no começo quando a amamentação ainda está se estabelecendo, a mulher queira estar sozinha com o bebê para alimentá-lo. Dê espaço aos dois.
7) Não seja mais uma pessoa intrometida
Se você quer ajudar uma mãe que está passando por dificuldades não seja uma pessoa palpiteira dizendo o que ela deve ou não fazer. Incentive ela a buscar apoio e informação de qualidade nos BLH, consultoras de amamentação ou grupos de apoio de amamentação virutais e presenciais.
8) Quando a mulher não amamenta:
Uma mãe pode não amamentar por vários motivos, por escolha ou por dificuldades que ela considerou intransponíveis no estabelecimento da amamentação. Seja como for, ela não precisa do seu julgamento e dos seus conselhos não solicitados. Toda a mãe precisa de apoio."

domingo, 2 de agosto de 2015

Baby Blues

Vamos falar sobre baby blues?
São aproximadamente 40 semanas de preparação e, principalmente no último mês, muita ansiedade. Casa pronta, roupinhas prontas, fraldas, tudo ajeitadinho, só à espera da chegada da/o nova/o integrante da família. Enfim chega a hora, e a criança vem ao mundo. Nessa hora, a mulher se sente finalmente completa, plena, realizada, capaz, feliz... Será???
O baby blues, também conhecido como blues puerperal ou tristeza materna, atinge até 70% das mães e costuma iniciar entre o 3º e 5º dia do nascimento do bebê. Ele é caracterizado por dificuldades para dormir, choro excessivo (inclusive por pequenas coisas, tipo a roupinha não servir), mudanças de humor repentinas, irritabilidade, sentimentos de inadequação (não nasci pra isso, não sei cuidar dessa criança...), não se reconhecer mais.
A verdade é que o sistema patriarcal da nossa sociedade prega sempre que as mulheres foram feitas para o casamento e para a maternidade. Desde muito pequenas somos treinadas para cuidarmos dos afazeres domésticos e das crianças, brincamos de boneca, mamãe e filhinha... E crescemos tendo incutida em nossa mente a ideia de que é na maternidade que a mulher se torna plena, que ser mãe e criar os seres humanos da próxima geração é a nossa missão na vida. Antes de termos filhos, idealizamos e glamourizamos demais a maternidade, com imagens de uma criança tranquilamente adormecida em nossos braços e uma lagrimazinha de amor e felicidade escorrendo no canto dos nossos olhos, com um companheiro amoroso registrando as cenas e nos auxiliando em tudo. Em teoria, estamos prontas. Em teoria, sabemos exatamente o que fazer quando tivermos nosso bebê no colo.
Só que na prática não é assim que funciona. As crianças não vêm com manual de instruções e geralmente não seguem o script dos nossos sonhos. E a verdade é que a adaptação de mãe e bebê não é tão simples e mágica como crescemos acreditando.
Primeiro: as alterações hormonais pós-parto são violentíssimas! Os hormônios da gestação desaparecem e os da produção de leite começam a trabalhar. Segundo: há uma sensação de incerteza sobre o que vem a seguir. Terceiro: de repente as responsabilidades do cuidado com a criança podem parecer pesadas demais, afinal, você é a responsável por manter vivo, limpo, bem alimentado e acalentado aquele novo ser. Isso considerando-se que tudo corra conforme o esperado. Mas, além disso, muitas mães enfrentam dificuldades na amamentação, por exemplo, o que torna tudo um pouco mais complicado.
Essa sensação de melancolia pode se estender por algumas semanas após o nascimento, e pode ir e vir ao longo dos dias. Para atravessá-la, a mulher precisa APRENDER A PEDIR AJUDA. O ideal é que haja, no mínimo nos 40 dias que se seguem ao parto, alguém responsável por tudo o que não for o cuidado com o bebê, e que a mãe se concentre no vínculo e cuidado com o recém-nascido e em seu próprio descanso. Se isso não estiver acontecendo e bater esse blues, a mulher deve ligar pra mãe, pra doula, pra tia, pra prima... e dizer que precisa de um socorro. É esse auxílio, bastante descanso e o próprio tempo que vão reequilibrar as emoções e mandar a tristeza pra longe.
Ah, sim, muito importante! Cuidado para não confundir o baby blues com depressão pós-parto! Se esses sintomas forem acompanhados de ideias suicidas ou incapacidade de cuidar do bebê, ou se você tem histórico de depressão na família e perceber que os sintomas estão muito intensos, procure apoio especializado!