domingo, 2 de agosto de 2015

E na bolsa da doula...

Minha bolsinha de atendimento para o parto! Ser doula é tentar pensar em tuuuudo, prever soluções... Tipo um aroma gostoso para disfarçar aquele cheiro de hospital, ou um canudo para facilitar que a mulher ingira líquidos...

Por que ter uma doula?

Bom, gente, pra começar é importante dizer que doula não é acompanhante. E que, por consequência, marido não é doula, mãe não é doula. Cada um tem seu papel, sua importância e seu momento de agir.
O processo de parto e nascimento, principalmente no contexto hospitalar, é marcado muitas vezes por uma atmosfera de risco, com dor, sofrimento, frustração, insatisfação e mesmo violência, sendo muitas as histórias de mulheres que viram o momento mágico do nascimento de seu bebê se tornar uma experiência dolorosa e muito distante do que elas gostariam que fosse. A presença do acompanhante e da doula servem para minimizar ao máximo essas experiências negativas, permitindo que o parto seja experimentado como deve ser.
O apoio oferecido pelo acompanhante e pela doula se complementam. O acompanhante tem um vínculo emocional com a mulher, e isso torna mais difícil que ele se mantenha calmo diante dos desconfortos e queixas da parturiente. Neste mesmo momento, a doula consegue calmamente ajudar essa mulher a lidar com seu trabalho de parto, ao mesmo tempo em que tranquiliza o acompanhante.
A palavra doula vem do grego, significando mulher que serve. Seu papel começa durante a gestação. Seu primeiro papel é ouvir a mulher. Essa mulher que está, em seu turbilhão hormonal, cumprindo as várias tarefas de seu cotidiano, na correria de sempre, e muitas vezes com dificuldades de entrar em contato com as próprias emoções. Não somos psicólogas, mas somos também mulheres, acostumadas a lidar com grávidas, e gostamos de ouvir. Além disso, a doula vai ajudar a grávida a se informar sobre os vários aspectos relacionados ao parto, a fim de encontrar e analisar suas opções e decidir sobre o nascimento da criança. Ela vai também incentivar a elaboração do plano de parto e de pós-parto, em que a mulher registra suas opções para o trabalho de parto, parto e puerpério. Não cabe a ela tomar as decisões, mas sim deixar o casal livre para fazer suas escolhas.
Durante o trabalho de parto, a doula será aquela pessoa que apoia fisicamente a grávida com técnicas não farmacológicas para o alívio da dor – massagens, água quente, dança de posição, etc. É ela também que vai incentivar com palavras e carinho essa mulher, para que ela consiga se concentrar no processo e lembrar das escolhas feitas. Ela não é médica ou enfermeira, logo sua atenção não estará nos procedimentos médicos e técnicos. Sua atenção estará, principalmente, na mulher. Ela é quem vai lembrar de oferecer líquidos, de contar para a mulher como está o seu processo, de incentivá-la. Ela é quem vai ajudar a mulher a visualizar o bebê abrindo seu caminho, quem vai vocalizar junto com ela, quem vai sugerir um banho quente. A presença da doula é carinho, conforto, acolhimento, alívio. E de uma forma que o acompanhante, sozinho, muitas vezes se atrapalha em fazer, justamente por estar muito envolvido emocionalmente com o processo.
Após o nascimento, a doula continua seu suporte, ajudando na adaptação da nova família, alertando sobre o baby blues e a depressão pós-parto, ajudando no estabelecimento da amamentação. Esse vínculo tão forte, estabelecido com a mulher, vai então se desvanecendo, mas pode ser prolongado por um mês, um ano ou até mesmo pela vida toda.
Se você está grávida, procure o quanto antes uma doula. Se não está, divulgue essa página e esse texto para suas amigas grávidas e estimule-as a procurarem uma. Todos os estudos apontam para uma satisfação muito maior com todo o processo de gravidez, parto e puerpério das mulheres que foram acompanhadas por doula, e esse cuidado a gente deseja pra todo mundo!

Baby Blues

Vamos falar sobre baby blues?
São aproximadamente 40 semanas de preparação e, principalmente no último mês, muita ansiedade. Casa pronta, roupinhas prontas, fraldas, tudo ajeitadinho, só à espera da chegada da/o nova/o integrante da família. Enfim chega a hora, e a criança vem ao mundo. Nessa hora, a mulher se sente finalmente completa, plena, realizada, capaz, feliz... Será???
O baby blues, também conhecido como blues puerperal ou tristeza materna, atinge até 70% das mães e costuma iniciar entre o 3º e 5º dia do nascimento do bebê. Ele é caracterizado por dificuldades para dormir, choro excessivo (inclusive por pequenas coisas, tipo a roupinha não servir), mudanças de humor repentinas, irritabilidade, sentimentos de inadequação (não nasci pra isso, não sei cuidar dessa criança...), não se reconhecer mais.
A verdade é que o sistema patriarcal da nossa sociedade prega sempre que as mulheres foram feitas para o casamento e para a maternidade. Desde muito pequenas somos treinadas para cuidarmos dos afazeres domésticos e das crianças, brincamos de boneca, mamãe e filhinha... E crescemos tendo incutida em nossa mente a ideia de que é na maternidade que a mulher se torna plena, que ser mãe e criar os seres humanos da próxima geração é a nossa missão na vida. Antes de termos filhos, idealizamos e glamourizamos demais a maternidade, com imagens de uma criança tranquilamente adormecida em nossos braços e uma lagrimazinha de amor e felicidade escorrendo no canto dos nossos olhos, com um companheiro amoroso registrando as cenas e nos auxiliando em tudo. Em teoria, estamos prontas. Em teoria, sabemos exatamente o que fazer quando tivermos nosso bebê no colo.
Só que na prática não é assim que funciona. As crianças não vêm com manual de instruções e geralmente não seguem o script dos nossos sonhos. E a verdade é que a adaptação de mãe e bebê não é tão simples e mágica como crescemos acreditando.
Primeiro: as alterações hormonais pós-parto são violentíssimas! Os hormônios da gestação desaparecem e os da produção de leite começam a trabalhar. Segundo: há uma sensação de incerteza sobre o que vem a seguir. Terceiro: de repente as responsabilidades do cuidado com a criança podem parecer pesadas demais, afinal, você é a responsável por manter vivo, limpo, bem alimentado e acalentado aquele novo ser. Isso considerando-se que tudo corra conforme o esperado. Mas, além disso, muitas mães enfrentam dificuldades na amamentação, por exemplo, o que torna tudo um pouco mais complicado.
Essa sensação de melancolia pode se estender por algumas semanas após o nascimento, e pode ir e vir ao longo dos dias. Para atravessá-la, a mulher precisa APRENDER A PEDIR AJUDA. O ideal é que haja, no mínimo nos 40 dias que se seguem ao parto, alguém responsável por tudo o que não for o cuidado com o bebê, e que a mãe se concentre no vínculo e cuidado com o recém-nascido e em seu próprio descanso. Se isso não estiver acontecendo e bater esse blues, a mulher deve ligar pra mãe, pra doula, pra tia, pra prima... e dizer que precisa de um socorro. É esse auxílio, bastante descanso e o próprio tempo que vão reequilibrar as emoções e mandar a tristeza pra longe.
Ah, sim, muito importante! Cuidado para não confundir o baby blues com depressão pós-parto! Se esses sintomas forem acompanhados de ideias suicidas ou incapacidade de cuidar do bebê, ou se você tem histórico de depressão na família e perceber que os sintomas estão muito intensos, procure apoio especializado!

GRAVIDEZ - Quando contar? Para quem contar?

Quando me sugeriram este tema para fazer um post aqui na página, fiquei pensando na minha primeira gravidez. Descobri com um teste de farmácia e imediatamente corri para o hospital para fazer um beta, confirmando, assim, a gravidez. Antes da confirmação, minha irmã, meu marido e minha sogra já sabiam. Nunca me passou pela cabeça não contar sobre a gravidez. Marquei, em seguida, a consulta com minha ginecologista, cheguei toda feliz com o beta, e ela me jogou um imenso balde de água fria. Palavras dela: “Não encare isso ainda como uma gravidez. Pode ser uma gravidez tubária, anembrionária, alteração hormonal... Gravidez só é gravidez quando você fizer uma ultra e ouvir o coraçãozinho batendo. E nem adianta fazer a ultra agora porque, pela sua idade gestacional, não vai dar pra ver nada e você vai ficar ainda mais desesperada... Então está aqui o pedido, você espera mais umas três, quatro semanas e aí faz a ultra. Não sai contando pras pessoas, não, porque além de tudo isso que eu te falei, o número de abortos espontâneos nos três primeiros meses é muito alto. Depois dos três meses você dá a notícia para as pessoas”. Fiquei tão em estado de choque que nem contestei. Afinal, eu não estava grávida? É isso que ela estava me falando? Pesquisei e vi que, quando estamos grávidas, os números do beta crescem muito, dia a dia. Repeti o exame, vi que tinha aumentado, e decidi que estava grávida e não ia pensar em todas as hipóteses levantadas pela médica. Tudo deu certo: era gravidez, não tive aborto, e nem por um momento questionei minha decisão de contar pra todo mundo e fazer a maior festa.

Hoje, encaro um pouco diferente. Não por experiência própria, mas de pessoas muito queridas próximas a mim, vejo que contar pra todo mundo e fazer festa pode trazer ainda mais sofrimento diante do que já é sofrido. Minha médica foi muito fria e, de certa forma, cruel, diante da minha empolgação, porém ela estava certa: o índice de positivos que não evoluem para um bebê no colo é alto demais para ser simplesmente ignorado pela mulher. Creio que todas nós conhecemos alguém que já passou por essa triste experiência. Uma dessas mulheres, muito próxima a mim, tem uma rede muito grande de amigos, além de uma família grande e participativa. Ao descobrir a gravidez, ainda muito no início, essa amiga fez a maior festa: contou para todos, colocou no facebook, já saiu comprando as roupinhas... Um mês depois, quando foi fazer a primeira ultra, descobriu que não estava grávida, que não havia no corpo sinal de já ter estado. Até hoje essa amiga não sabe se foi uma alteração hormonal, um erro do laboratório, enfim... A dor foi muito grande, era o primeiro bebê, muito sonhado, planejado... Mas lembro bem dessa amiga me perguntando: “E agora, cara? Como é que eu vou contar isso pras pessoas? Tá todo mundo sabendo, todo mundo comemorando...!”. Quer dizer, além de lidar com a própria dor, esta mulher estava preocupada com toda a sua rede e com frustrar todas essas pessoas... E aí, seria melhor não ter contado?

Meninas, a verdade é que contar ou não é algo muito, muito pessoal. Não serei eu, aqui, que vou te dizer quando e pra quem contar. Mas com base nas minhas experiências, só aconselho a não colocar em redes sociais até o terceiro mês, porque essa foi uma das principais fontes de frustração. Hoje parece que tudo tem que estar no face, né?! O que comemos, para onde viajamos, com quem e onde estamos... Talvez a gravidez seja também um bom momento para repensar toda essa exposição. Ao colocarmos a grande notícia no face, ali estão amigos queridos, mas também conhecidos que quase nunca vemos – será que é tão importante assim que eles saibam da gravidez tão no início? Então nesse primeiro trimestre, que é, mesmo, o tempo de a gente se familiarizar com a ideia de estar grávida, organizar os sentimentos, compartilhe esse momento não com toda a sua rede social, mas com aquelas pessoas íntimas, queridas, que você sabe que, em caso de uma intercorrência, estarão ao seu lado dando apoio. Não contar pra ninguém é muito complicado, hehe, eu jamais conseguiria! Mas contar pra todo mundo pode ser um grande erro.
[Se tiver uma amiga tentando engravidar ou que acabou de descobrir a gravidez, indique para ela esta página. De repente esse post pode ser super útil para ela!]

Que filmes eu devo assistir?

Opa! Que post gostoso! Dica de filmes para as gravidinhas!
Os dois obrigatórios são 'RENASCIMENTO DO PARTO' e 'PARTO ORGÁSMICO'. O primeiro mostra bem a realidade dos nascimentos hoje no Brasil e como nascer se tornou mais um fenômeno mercadológico e capitalista do que algo natural; o segundo, traz vários nascimentos e destaca a importância da conexão entre os pais e como o momento de nascer pode ser algo realmente sublime.
Mas, além desses dois, há alguns filmes que envolvem esse universo de gravidez, parto e maternidade e são gostosos para passar o tempo e refletir.
1. O que esperar quando se está esperando - cinco casais lidando com as surpresas e dificuldades da gestação. É bastante divertido.
2. Ligeiramente grávidos - a história de uma gravidez por acidente e como se adaptar a ela.
3. Olha quem está falando - retrata a vida amorosa da mãe pelos olhos de seu filho.
4. Juno - mostra os dilemas de uma adolescente grávida tentando encontrar soluções.
5. Nove meses - conta a história de um terapeuta infantil e sua reação diante de uma gravidez inesperada.
6. Júnior - o filmes mostra um pesquisador que acabou grávido para testar uma droga inovadora.
7. Bebês - documentário mega master blaster ultra fofo que mostra a rotina de quatro bebês de diferentes lugares, com diferentes costumes.
E aí, lindas? Quais vocês já assistiram? Que impressão causaram? Gostaram? Recomendam?

A gravidez não dura nove meses à toa

É isso. Não importa se a sua gravidez foi super planejada e desejada ou se foi aquele escorregão mor, olhar para o teste e ver o positivo gera uma sensação de total e completa perplexidade. Ficamos olhando aqueles dois tracinhos ou aqueles números elevados e tentando entender se aquilo que estamos vendo é mesmo aquilo que estamos vendo. E rimos, ou choramos, ou rimos e choramos, tentando absorver a mudança fenomenal que nossa vida vai ter nos próximos meses.
Os três primeiros meses da gestação são marcados por uma confusão de marca maior! Visualmente, não há nada que indique que há uma criança se formando em nosso ventre. Acordamos sempre nos perguntando se é aquilo mesmo, se estamos grávidas de verdade. Muitos medos começam a nos assaltar: medo de perder a criança, medo da relação do pai do bebê com nossa(o) filha(o), medo do parto, medo de perder o emprego, medo de não conseguir cuidar... No caso de gravidez por escorregão, ainda há toda a confusão de aceitar ou não a gravidez, de não querer o bebê, de pensar que não é a hora... Pois é, minhas lindas! Essa confusão mental, esses sentimentos tão antagônicos e controvertidos, vão se juntar às incríveis transformações físicas (aumento GIGANTESCO da produção de hormônios, início do crescimento do útero, multiplicação desenfreada das células que formarão o feto, aumento do volume das mamas, etc., etc., etc.) e gerar os famosos sintomas do primeiro trimestre, a partir dos quais muitas descobrem a gravidez. Enjoos, vômitos, sonolência, cólicas, dores nas pernas... Engraçado como uma coisinha tão pequena vira nossa vida de cabeça para baixo. Então o primeiro trimestre é um momento da grávida se voltar para ela mesma... Refletir muito, entrar em contato com esses sentimentos confusos, aceitá-los, processá-los; descansar quando o corpo pedir, manter-se bem hidratada, relaxar, meditar... É hora de a gente tentar reduzir um pouco o ritmo frenético do cotidiano e olhar para nós mesmas e para nosso pequeno bebezinho.
O segundo trimestre é considerado o mais gostoso da gravidez. Aqui começamos a fisicamente parecer grávidas. A gravidez já é um fato consolidado, os medos e sentimentos antagônicos do início da gestação estão apaziguados, já aparece a barriguinha, começamos a sentir o bebê mexendo, mas ainda não temos os incômodos de quando ele está mais perto de nascer. Normalmente é nesse momento que a grávida sente um aumento considerável de energia, de vitalidade. Esse é um bom momento para preparar o enxoval do bebê, arrumar o quartinho (ou cantinho do nosso quarto, hehehe), planejar um chá de bebê e, principalmente, planejar o nascimento dessa criança. Buscar muuuuuuita informação sobre todas as vias e locais de parto, cuidados ao recém-nascido, e pensar no que nos deixa seguras. Uma doula e as rodas de grávidas vão ajudar demais nisso!
Por fim, chega o terceiro trimestre. Nosso amontoadinho de células já virou um bebezinho, e pesa! A barriga fica enorme, o umbigo salta, fica difícil respirar, comer, dormir, sentar, levantar, trabalhar, buscar um copo d’água... Os seios ficam enormes, os mamilos ficam grossos, a aréola cresce... Começa aquela dorzinha sofrida na “perseguida”... Emocionalmente, voltamos a ter medo... Medo de esquecer alguma coisa, medo de engordar demais, medo do parto, medo de sermos desrespeitadas em nossas escolhas, medo da grande mudança que irá se operar... No final da gravidez, ficamos frágeis e vulneráveis. Queremos ver logo o rostinho da nossa criança, mas ao mesmo tempo tememos esse momento. Por isso é tão importante que tenhamos ao nosso redor uma rede de proteção, que segure nossa mão e nos acalme, que nos diga que tudo está como tem que ser... Por isso é fundamental ter uma doula, uma boa equipe médica, uma família bem informada.
Toda a gravidez nos leva para este momento, para estarmos física e emocionalmente equilibradas para receber uma nova vida. Os nove meses não são apenas o tempo necessário para a criança se formar e se desenvolver: são também o tempo necessário para processar, aceitar, planejar e organizar a chegada de um novo ser.

Playlist de parto

Vou colocar abaixo uma lista de músicas que eu adoro e que super combinam com a gravidez e com o momento do parto:

1. A estrada - Cidade Negra
2. Agora eu já sei - Ivete Sangalo
3. Venha - Luiza Possi
4. Vilarejo - Marisa Monte
5. Para tu amor - Juanes
6. Ser pequeño - Nano Stern com Jorge Drexler
7. Sabemos parir - Rosa Zaragoza
8. Anunciação - versão da Ellen Oléria
9. Boas Vindas - Caetano
10. A idade do céu - Paulinho Moska
11. Final feliz - Jorge Vercillo
12. Paciência - Lenine
13. Quando fecho os olhos - Chico César
14. Mainha me ensinou - Maria Rita
15. Pra você guardei o amor - Nando Reis e Ana Cañas
16. Debaixo d'água - Maria Bethânia
17. Reconhecimento - Isadora Canto
18. Um amor puro - Djavan