Eu sempre me achei gorda. Sempre. Até quando eu tinha esse corpo (sou a da esquerda, de pé levantado, com essa sandália medonha):
Desde que me entendo por gente faço dietas. Ao engravidar, engordei módicos 30 quilos. A meta da mulherada é 9-10 quilos, e eu engordei 30. Emagreci 10 sem muita dificuldade, fiz dieta e emagreci mais 10 e pimba! Engravidei de novo! Engordei mais 20. Fiz Herbalife, emagreci tudo o que engordei da segunda gravidez e pá! Engordei tudo de novo. Quase 20 anos e 35 quilos separam essa menina da foto da mulher abaixo, que sou eu hoje:
É isso mesmo, estou começando esse post com um "antes e depois" às avessas. Estou exibindo, muito claramente, o peso que ganhei ao longo de 20 anos e duas gravidezes. Seguem mais algumas fotos:
É isso. Tem barriga, muita barriga e barriga flácida. Tem estria, tem celulite, tem culote, tem pneuzinho. E eu seria incrivelmente hipócrita se dissesse que nada disso me incomoda nunca. Se dissesse que é legal procurar roupa e não achar nada que caia bem. Não é isso que estou dizendo, gente. Estou dizendo que esse é o MEU CORPO, e que ele é o resultado da geração de duas crianças lindas e saudáveis, além, claro, da ingestão de muitas coisas deliciosamente cheias de gordura e açúcar. Não sou magrinha, mas continuo me achando bem gostosa... tenho peitão, bundão, cintura... Tenho um marido que com todas as mudanças do corpo me deseja do mesmo jeito (na verdade mais hoje), continuo recebendo cantada dos homens... Quero emagrecer? Até quero. Nunca até o corpo daquela garotinha ali de cima que um dia fui eu, mas gostaria de emagrecer uns 5-10 quilos, para perder essa papadinha ali que acho feia pra caramba. Mas preciso emagrecer? NÃO PRECISO. Meus exames estão muito bem, obrigada, inclusive melhores do que de muita gente magrinha que eu conheço. Se minha saúde está maravilhosa, qual é o outro motivo pelo qual eu DEVERIA emagrecer?
Aí eu fico pensando muito. Com 35 quilos a menos eu já me achava gorda, já era cheia de complexos. Será que o problema está na barriga ou na cabeça? Gente... fico louca com o tanto de mulheres magras, lindas, sofrendo porque estão 5 quilos acima do peso! Fazendo dietas radicais porque querem ter o corpo da panicat da TV... Já pararam pra pensar na vida de merda que essas mulheres devem levar? Com certeza sem a cervejinha, sem o doce, malhando infinitamente e certamente usando muitas drogas para conseguir aguentar tudo isso sem surtar... Não, gente... Não quero isso pra mim, não...
Tá, Elisa, mas esse blog é sobre gravidez, parto e maternidade... Que que tem isso a ver? T-U-D-O. Como doula, principalmente nesse início de ano (quando bate a culpa alimentar pelo Natal, ano novo e viagem de férias) vejo as mulheres grávidas apavoradas porque engordaram 7 quilos em 24 semanas... Comparando o quanto a outra engordou, apavoradas... Será que é o momento desse tipo de preocupação? A preocupação com uma alimentação saudável tem que existir sim, é claro, pela saúde de mãe e bebê, mas é o número de quilos que reflete isso ou são os exames que a mãe faz a cada trimestre? Por outro lado, mulheres que tiveram bebê há menos de 6 meses desesperadas com seus quilos a mais, suas estrias, seus peitos... Será que é o momento desse tipo de preocupação? A barriga cresceu durante nove meses, um bebê morou ali dentro e está há menos tempo fora da barriga do que passou dentro dela... Há um bebê demandando atenção 24 horas, uma vida profissional chamando, uma casa, um companheiro... Será que é a hora de querer ter o corpo dos sonhos de volta? Será que não é mais saudável olhar-se no espelho reconhecendo as marcas da gravidez e sentir um pouco de gratidão por esse corpo mágico que gerou uma vida? Mais tarde, quando o bebê já estiver um pouco mais independente, quando a vida profissional estiver minimamente em ordem de novo, quando a mulher estiver confortável com a nova vida e a nova rotina, aí sim, gente, e só aí, é hora de preocupar-se com a estética. E sabendo que muito dificilmente o corpo será o mesmo, até porque a mulher não é a mesma. Agora ela é mãe. Um novo status, uma nova vida, um novo corpo.
Vamos tentar aceitar melhor nossas mudanças? Ninguém tem 14 anos para sempre... Querer ter o mesmo corpo é insano, gente... Que tal aprendermos a nos amar, do jeito que somos?
Página para divulgar meus serviços de doula e informações relativas à gravidez, parto humanizado e maternidade
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Gravidez
É isso. Não importa se a sua gravidez foi super planejada e desejada ou se foi aquele escorregão mor, olhar para o teste e ver o positivo gera uma sensação de total e completa perplexidade. Ficamos olhando aqueles dois tracinhos ou aqueles números elevados e tentando entender se aquilo que estamos vendo é mesmo aquilo que estamos vendo. E rimos, ou choramos, ou rimos e choramos, tentando absorver a mudança fenomenal que nossa vida vai ter nos próximos meses.
Os três primeiros meses da gestação são marcados por uma confusão de marca maior! Visualmente, não há nada que indique que há uma criança se formando em nosso ventre. Acordamos sempre nos perguntando se é aquilo mesmo, se estamos grávidas de verdade. Muitos medos começam a nos assaltar: medo de perder a criança, medo da relação do pai do bebê com nossa(o) filha(o), medo do parto, medo de perder o emprego, medo de não conseguir cuidar... No caso de gravidez por escorregão, ainda há toda a confusão de aceitar ou não a gravidez, de não querer o bebê, de pensar que não é a hora...
Pois é, minhas lindas! Essa confusão mental, esses sentimentos tão antagônicos e controvertidos, vão se juntar às incríveis transformações físicas (aumento GIGANTESCO da produção de hormônios, início do crescimento do útero, multiplicação desenfreada das células que formarão o feto, aumento do volume das mamas, etc., etc., etc.) e gerar os famosos sintomas do primeiro trimestre, a partir dos quais muitas descobrem a gravidez. Enjoos, vômitos, sonolência, cólicas, dores nas pernas... Engraçado como uma coisinha tão pequena vira nossa vida de cabeça para baixo. Então o primeiro trimestre é um momento da grávida se voltar para ela mesma... Refletir muito, entrar em contato com esses sentimentos confusos, aceitá-los, processá-los; descansar quando o corpo pedir, manter-se bem hidratada, relaxar, meditar... É hora de a gente tentar reduzir um pouco o ritmo frenético do cotidiano e olhar para nós mesmas e para nosso pequeno bebezinho.
O segundo trimestre é considerado o mais gostoso da gravidez. Aqui começamos a fisicamente parecer grávidas. A gravidez já é um fato consolidado, os medos e sentimentos antagônicos do início da gestação estão apaziguados, já aparece a barriguinha, começamos a sentir o bebê mexendo, mas ainda não temos os incômodos de quando ele está mais perto de nascer. Normalmente é nesse momento que a grávida sente um aumento considerável de energia, de vitalidade. Esse é um bom momento para preparar o enxoval do bebê, arrumar o quartinho (ou cantinho do nosso quarto, hehehe), planejar um chá de bebê e, principalmente, planejar o nascimento dessa criança. Buscar muuuuuuita informação sobre todas as vias e locais de parto, cuidados ao recém-nascido, e pensar no que nos deixa seguras. Uma doula e as rodas de grávidas vão ajudar demais nisso!
Por fim, chega o terceiro trimestre. Nosso amontoadinho de células já virou um bebezinho, e pesa! A barriga fica enorme, o umbigo salta, fica difícil respirar, comer, dormir, sentar, levantar, trabalhar, buscar um copo d’água... Os seios ficam enormes, os mamilos ficam grossos, a aréola cresce... Começa aquela dorzinha sofrida na “perseguida”... Emocionalmente, voltamos a ter medo... Medo de esquecer alguma coisa, medo de engordar demais, medo do parto, medo de sermos desrespeitadas em nossas escolhas, medo da grande mudança que irá se operar... No final da gravidez, ficamos frágeis e vulneráveis. Queremos ver logo o rostinho da nossa criança, mas ao mesmo tempo tememos esse momento. Por isso é tão importante que tenhamos ao nosso redor uma rede de proteção, que segure nossa mão e nos acalme, que nos diga que tudo está como tem que ser... Por isso é fundamental ter uma doula, uma boa equipe médica, uma família bem informada.
Toda a gravidez nos leva para este momento, para estarmos física e emocionalmente equilibradas para receber uma nova vida. Os nove meses não são apenas o tempo necessário para a criança se formar e se desenvolver: são também o tempo necessário para processar, aceitar, planejar e organizar a chegada de um novo ser.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
São tantos conselhos...
Cada mãe tem uma história e uma vivência. Quando nos descobrimos grávidas, os conselhos vêm aos montes e não param mais, mesmo quando não pedimos. Às vezes é profundamente irritante, alguns conselhos são baseados em meras crendices, alguns - quando pesquisamos - sabemos serem flagrantemente errados e, principalmente, temos vontade de descobrir nossa própria maneira, de trilhar nosso caminho como mães e pais sem tanta interferência.
A primeira coisa é compreendermos que quem fala, fala pelo nosso bem, fala para ajudar. O acesso à informação era mais complicado para nossas mães e avós, e isso gerava uma série de mitos e costumes que iam sendo passados de mãe para filha. Hoje, pela internet, sabendo buscar em sites confiáveis, conseguimos informação qualificada sobre qualquer dúvida, e acabamos descobrindo que muito do que nossas muitíssimo bem intencionadas mulheres não é bem como elas pensam. E essa é a hora em que temos que pensar que o que elas dizem é sempre pensando no nosso melhor, sempre querendo nos ajudar. Convém não bater de frente, não discutir, tentar ter diplomacia, desconversar. Quando isso não der certo, tentar a conversa franca e sincera, explicar os quês e os porquês. Em último caso, de mães e avós muito insistentes, dizer que "o obstetra recomendou", "o pediatra disse que tem que ser assim", também funciona muito bem. Tente não se irritar e focar sempre que as pessoas só querem ajudar.
Um exemplo prático: amamentação e introdução de alimentos. A Organização Mundial de Saúde já preconiza que o leite materno é o único alimento necessário ao bebê até os seis meses de idade. APENAS o leite materno, em livre demanda. Sem água, sem chá, sem nada. O leite hidrata, sustenta, mata a fome, nutre. Ah, mas é só o bebê começar a chorar sem que a causa seja facilmente identificada, que alguém vai sugerir um chazinho para cólica, vai dizer que está muito quente e o bebê está com sede, vai dizer que o leite da mãe é fraco e já não sustenta. A Organização Mundial de Saúde também diz que os bebês devem ser alimentados com leite materno até PELO MENOS dois anos de idade. Pois eu duvido que alguma mãe consiga amamentar seu filho até os dois anos sem ouvir de alguém que já está na hora de tirar o peito da criança...
O importante é buscar SEMPRE informação de qualidade, e uma vez de posse das evidências científicas mais modernas, fazer o que sabe ser melhor para si e para a criança. Agora, pra o bem da convivência familiar, naquilo que não for fundamental é legal honrar nossas mães e avós, manter as tradições familiares. Por exemplo, em algumas regiões é hábito guardar o coto umbilical quando ele cai. Pode não ser importante para você, mas se for importante para sua mãe ou para sua avó, não custa nada guardar (outras regiões usam enterrar).
Então, resumindo, a dica de hoje é: não vá prejudicar a saúde do seu bebê só porque a sua mãe ou a sua avó acham que tem que ser dessa ou daquela maneira, mas procure sempre um caminho de conciliação com essas mulheres que são as responsáveis pela sua existência.
Posições
É muito interessante acompanhar um trabalho de parto. Assim como cada mulher é única, cada nascimento vem imbuído das suas particularidades, da sua individualidade. Cada mulher encontra a sua maneira de lidar com a dor e de conseguir descansar nos intervalos.
Um dos papeis da doula é tentar aliviar a dor por meios não farmacológicos. Isso inclui sugerir à mulher posições diferentes, em que a dor seja aliviada. Para algumas, isso significa ficar de cócoras; para outras, de pé, debruçada sobre algo; às vezes, em quatro apoios. Não temos como saber ou prever em que posição a mulher ficará mais confortável durante as contrações. Inclusive porque a posição que agora serviu pode mudar na próxima contração. Mas uma coisa é quase certa: deitada essa mulher não vai conseguir ficar. As contrações são bem mais doloridas dessa forma, principalmente se a mulher estiver de barriga pra cima.
Isso gera duas consequências simples e que contrariam fortemente nosso sistema obstétrico. A primeira é que assim que chegamos a um hospital parindo, eles querem nos colocar no soro. Ora, se a mulher está se alimentando e bebendo bastante água (outro papel fundamental da doula – oferecer constantemente líquidos e alimentos energéticos para essa mulher), o soro é desnecessário e, quando estamos com ele, a mudança de posição e a locomoção se torna bem mais complicada.
A segunda consequência você entende em uma imagem simples. Visualize uma mulher parindo num hospital. Ótimo! Em que posição ela está? Isso mesmo: deitada de barriga pra cima. Justamente na posição que eu comentei ali em cima ser a pior, a mais dolorida, a mais sofrida para a mulher. Mas então porque raios de diabos a mulher é colocada para parir nessa posição? Elementar, meu caro Watson, para que o médico fique confortavelmente sentado e com fácil acesso a essa mulher na saída do bebê. Vê lá se médico vai sentar no chão para pegar o bebê de uma mulher parindo de cócoras? Só que essa posição, além da dor, traz outro dois problemas: a saída do bebê fica menos aberta e perde-se o auxílio da gravidade na descida e saída da criança.
É por isso que a gente, a galera roots da humanização do parto, bate tanto na tecla da liberdade de posição da mulher no trabalho de parto e nascimento. Agora você já sabe. Coloque no seu plano de parto, discuta com seu médico!
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
GRAVIDEZ – Quando contar? Pra quem contar?
Quando me sugeriram este tema para fazer um post aqui na página, fiquei pensando na minha primeira gravidez. Descobri com um teste de farmácia e imediatamente corri para o hospital para fazer um beta, confirmando, assim, a gravidez. Antes da confirmação, minha irmã, meu marido e minha sogra já sabiam. Nunca me passou pela cabeça não contar sobre a gravidez. Marquei, em seguida, a consulta com minha ginecologista, cheguei toda feliz com o beta, e ela me jogou um imenso balde de água fria. Palavras dela: “Não encare isso ainda como uma gravidez. Pode ser uma gravidez tubária, anembrionária, alteração hormonal... Gravidez só é gravidez quando você fizer uma ultra e ouvir o coraçãozinho batendo. E nem adianta fazer a ultra agora porque, pela sua idade gestacional, não vai dar pra ver nada e você vai ficar ainda mais desesperada... Então está aqui o pedido, você espera mais umas três, quatro semanas e aí faz a ultra. Não sai contando pras pessoas, não, porque além de tudo isso que eu te falei, o número de abortos espontâneos nos três primeiros meses é muito alto. Depois dos três meses você dá a notícia para as pessoas”. Fiquei tão em estado de choque que nem contestei. Afinal, eu não estava grávida? É isso que ela estava me falando? Pesquisei e vi que, quando estamos grávidas, os números do beta crescem muito, dia a dia. Repeti o exame, vi que tinha aumentado, e decidi que estava grávida e não ia pensar em todas as hipóteses levantadas pela médica. Tudo deu certo: era gravidez, não tive aborto, e nem por um momento questionei minha decisão de contar pra todo mundo e fazer a maior festa.
Hoje, encaro um pouco diferente. Não por experiência própria, mas de pessoas muito queridas próximas a mim, vejo que contar pra todo mundo e fazer festa pode trazer ainda mais sofrimento diante do que já é sofrido. Minha médica foi muito fria e, de certa forma, cruel, diante da minha empolgação, porém ela estava certa: o índice de positivos que não evoluem para um bebê no colo é alto demais para ser simplesmente ignorado pela mulher. Creio que todas nós conhecemos alguém que já passou por essa triste experiência. Uma dessas mulheres, muito próxima a mim, tem uma rede muito grande de amigos, além de uma família grande e participativa. Ao descobrir a gravidez, ainda muito no início, essa amiga fez a maior festa: contou para todos, colocou no facebook, já saiu comprando as roupinhas... Um mês depois, quando foi fazer a primeira ultra, descobriu que não estava grávida, que não havia no corpo sinal de já ter estado. Até hoje essa amiga não sabe se foi uma alteração hormonal, um erro do laboratório, enfim... A dor foi muito grande, era o primeiro bebê, muito sonhado, planejado... Mas lembro bem dessa amiga me perguntando: “E agora, cara? Como é que eu vou contar isso pras pessoas? Tá todo mundo sabendo, todo mundo comemorando...!”. Quer dizer, além de lidar com a própria dor, esta mulher estava preocupada com toda a sua rede e com frustrar todas essas pessoas... E aí, seria melhor não ter contado?
Meninas, a verdade é que contar ou não é algo muito, muito pessoal. Não serei eu, aqui, que vou te dizer quando e pra quem contar. Mas com base nas minhas experiências, só aconselho a não colocar em redes sociais até o terceiro mês, porque essa foi uma das principais fontes de frustração. Hoje parece que tudo tem que estar no face, né?! O que comemos, para onde viajamos, com quem e onde estamos... Talvez a gravidez seja também um bom momento para repensar toda essa exposição. Ao colocarmos a grande notícia no face, ali estão amigos queridos, mas também conhecidos que quase nunca vemos – será que é tão importante assim que eles saibam da gravidez tão no início? Então nesse primeiro trimestre, que é, mesmo, o tempo de a gente se familiarizar com a ideia de estar grávida, organizar os sentimentos, compartilhe esse momento não com toda a sua rede social, mas com aquelas pessoas íntimas, queridas, que você sabe que, em caso de uma intercorrência, estarão ao seu lado dando apoio. Não contar pra ninguém é muito complicado, hehe, eu jamais conseguiria! Mas contar pra todo mundo pode ser um grande erro.
Hoje, encaro um pouco diferente. Não por experiência própria, mas de pessoas muito queridas próximas a mim, vejo que contar pra todo mundo e fazer festa pode trazer ainda mais sofrimento diante do que já é sofrido. Minha médica foi muito fria e, de certa forma, cruel, diante da minha empolgação, porém ela estava certa: o índice de positivos que não evoluem para um bebê no colo é alto demais para ser simplesmente ignorado pela mulher. Creio que todas nós conhecemos alguém que já passou por essa triste experiência. Uma dessas mulheres, muito próxima a mim, tem uma rede muito grande de amigos, além de uma família grande e participativa. Ao descobrir a gravidez, ainda muito no início, essa amiga fez a maior festa: contou para todos, colocou no facebook, já saiu comprando as roupinhas... Um mês depois, quando foi fazer a primeira ultra, descobriu que não estava grávida, que não havia no corpo sinal de já ter estado. Até hoje essa amiga não sabe se foi uma alteração hormonal, um erro do laboratório, enfim... A dor foi muito grande, era o primeiro bebê, muito sonhado, planejado... Mas lembro bem dessa amiga me perguntando: “E agora, cara? Como é que eu vou contar isso pras pessoas? Tá todo mundo sabendo, todo mundo comemorando...!”. Quer dizer, além de lidar com a própria dor, esta mulher estava preocupada com toda a sua rede e com frustrar todas essas pessoas... E aí, seria melhor não ter contado?
Meninas, a verdade é que contar ou não é algo muito, muito pessoal. Não serei eu, aqui, que vou te dizer quando e pra quem contar. Mas com base nas minhas experiências, só aconselho a não colocar em redes sociais até o terceiro mês, porque essa foi uma das principais fontes de frustração. Hoje parece que tudo tem que estar no face, né?! O que comemos, para onde viajamos, com quem e onde estamos... Talvez a gravidez seja também um bom momento para repensar toda essa exposição. Ao colocarmos a grande notícia no face, ali estão amigos queridos, mas também conhecidos que quase nunca vemos – será que é tão importante assim que eles saibam da gravidez tão no início? Então nesse primeiro trimestre, que é, mesmo, o tempo de a gente se familiarizar com a ideia de estar grávida, organizar os sentimentos, compartilhe esse momento não com toda a sua rede social, mas com aquelas pessoas íntimas, queridas, que você sabe que, em caso de uma intercorrência, estarão ao seu lado dando apoio. Não contar pra ninguém é muito complicado, hehe, eu jamais conseguiria! Mas contar pra todo mundo pode ser um grande erro.
[Se tiver uma amiga tentando engravidar ou que acabou de descobrir a gravidez, indique para ela esta página. De repente esse post pode ser super útil para ela!]
A GRAVIDEZ NÃO DURA NOVE MESES À TOA
É isso. Não importa se a sua gravidez foi super planejada e desejada ou se foi aquele escorregão mor, olhar para o teste e ver o positivo gera uma sensação de total e completa perplexidade. Ficamos olhando aqueles dois tracinhos ou aqueles números elevados e tentando entender se aquilo que estamos vendo é mesmo aquilo que estamos vendo. E rimos, ou choramos, ou rimos e choramos, tentando absorver a mudança fenomenal que nossa vida vai ter nos próximos meses.
Os três primeiros meses da gestação são marcados por uma confusão de marca maior! Visualmente, não há nada que indique que há uma criança se formando em nosso ventre. Acordamos sempre nos perguntando se é aquilo mesmo, se estamos grávidas de verdade. Muitos medos começam a nos assaltar: medo de perder a criança, medo da relação do pai do bebê com nossa(o) filha(o), medo do parto, medo de perder o emprego, medo de não conseguir cuidar... No caso de gravidez por escorregão, ainda há toda a confusão de aceitar ou não a gravidez, de não querer o bebê, de pensar que não é a hora... Pois é, minhas lindas! Essa confusão mental, esses sentimentos tão antagônicos e controvertidos, vão se juntar às incríveis transformações físicas (aumento GIGANTESCO da produção de hormônios, início do crescimento do útero, multiplicação desenfreada das células que formarão o feto, aumento do volume das mamas, etc., etc., etc.) e gerar os famosos sintomas do primeiro trimestre, a partir dos quais muitas descobrem a gravidez. Enjoos, vômitos, sonolência, cólicas, dores nas pernas... Engraçado como uma coisinha tão pequena vira nossa vida de cabeça para baixo. Então o primeiro trimestre é um momento da grávida se voltar para ela mesma... Refletir muito, entrar em contato com esses sentimentos confusos, aceitá-los, processá-los; descansar quando o corpo pedir, manter-se bem hidratada, relaxar, meditar... É hora de a gente tentar reduzir um pouco o ritmo frenético do cotidiano e olhar para nós mesmas e para nosso pequeno bebezinho.
O segundo trimestre é considerado o mais gostoso da gravidez. Aqui começamos a fisicamente parecer grávidas. A gravidez já é um fato consolidado, os medos e sentimentos antagônicos do início da gestação estão apaziguados, já aparece a barriguinha, começamos a sentir o bebê mexendo, mas ainda não temos os incômodos de quando ele está mais perto de nascer. Normalmente é nesse momento que a grávida sente um aumento considerável de energia, de vitalidade. Esse é um bom momento para preparar o enxoval do bebê, arrumar o quartinho (ou cantinho do nosso quarto, hehehe), planejar um chá de bebê e, principalmente, planejar o nascimento dessa criança. Buscar muuuuuuita informação sobre todas as vias e locais de parto, cuidados ao recém-nascido, e pensar no que nos deixa seguras. Uma doula e as rodas de grávidas vão ajudar demais nisso!
Por fim, chega o terceiro trimestre. Nosso amontoadinho de células já virou um bebezinho, e pesa! A barriga fica enorme, o umbigo salta, fica difícil respirar, comer, dormir, sentar, levantar, trabalhar, buscar um copo d’água... Os seios ficam enormes, os mamilos ficam grossos, a aréola cresce... Começa aquela dorzinha sofrida na “perseguida”... Emocionalmente, voltamos a ter medo... Medo de esquecer alguma coisa, medo de engordar demais, medo do parto, medo de sermos desrespeitadas em nossas escolhas, medo da grande mudança que irá se operar... No final da gravidez, ficamos frágeis e vulneráveis. Queremos ver logo o rostinho da nossa criança, mas ao mesmo tempo tememos esse momento. Por isso é tão importante que tenhamos ao nosso redor uma rede de proteção, que segure nossa mão e nos acalme, que nos diga que tudo está como tem que ser... Por isso é fundamental ter uma doula, uma boa equipe médica, uma família bem informada.
Toda a gravidez nos leva para este momento, para estarmos física e emocionalmente equilibradas para receber uma nova vida. Os nove meses não são apenas o tempo necessário para a criança se formar e se desenvolver: são também o tempo necessário para processar, aceitar, planejar e organizar a chegada de um novo ser.
domingo, 2 de agosto de 2015
10 dicas maravilhosas para as grávidas
1. Se você acorda com muito enjoo (a maioria das grávidas reclama desse enjoo logo ao levantar da cama), deixe algumas bolachas de água e sal na sua cabeceira e coma ainda deitada, devagar. Vai ajudar!
2. Pernas e pés inchados ao final do dia é normal, e colocar para cima pode dar uma boa aliviada. Agora já acordar com pernas, pés e rosto inchados é um sinal de alerta para hipertensão, por exemplo - nesse caso, procure seu médico.
3. Hidratar bem a barriga mais de uma vez por dia ajuda a prevenir as estrias. Mas olha... sem neura! Seu corpo não vai ser o mesmo de antes do bebê, que tal encontrar a beleza disso?
4. Hidroginásticaaaa! Meninas, é simplesmente libertador para uma grávida de barrigão, que mal consegue andar, em terra, a quantidade de saltos e aberturas que ela consegue fazer na água! Faz um bem danado para o corpo e para a alma!
5. Seja curiosa! Não fique com dúvidas, não se contente com as informações passadas pelo obstetra! Entre em grupos do face, faça infinitas buscas no Google, leia muuuuito, se informe muuuuuito, fique especialista em gravidez e parto. Você vai se surpreender com quantas coisas os médicos não nos contam........!
6. Não entre na onda do "gravidez não é doença", não fique se obrigando a cumprir os mesmos afazeres, com a mesma eficiência de antes de engravidar. Realmente, gravidez não é doença, mas gestar consome muuuita energia. Permite-se diminuir o ritmo, permite-se não render tanto no trabalho, permita-se dormir um pouquinho mais. Gravidez não é doença, mas gestar cansa muito!
7. Tente "desmedicalizar"! Procure entrar em contato com seu corpo e entendê-lo antes de se medicar ou correr para o médico. Então, se sentir uma dor de cabeça, procure primeiro comer alguma coisa, beber água e descansar um pouco em vez de tomar logo um analgésico. Se sentir uma cólica, tome um banho morno e deite um pouco antes de perturbar o obstetra. E assim por diante...
8. Se você planeja um parto normal, comece a fazer exercícios de preparação do períneo (procure mais informações sobre 'pompoarismo' e 'massagem do períneo'). Assim, você tem menos chance de sofrer lacerações no nascimento do bebê.
9. Minta a idade gestacional. Quando a gravidez vai chegando ao final, a pressão em relação ao nascimento aumenta muito. Então se estiver no quinto mês, diga que está no quarto. Assim, se a gravidez passar das 40 semanas, o que é MUITO comum, as pessoas vão achar que você está de 8 meses e não vão ficar te perturbando quanto ao nascimento do bebê.
10. Nunca fique de pé se puder ficar sentada. Nunca fique sentada se puder ficar deitada. E não use isso como desculpa para não praticar exercícios físicos!
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