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sábado, 26 de março de 2016

Relato de parto: Lucas da Silva Baptista


Na última roda a que a Jaqueline veio estavam presentes também a Rafaela e a Cláudia, ambas com 36 semanas. A Jaque, com suas 29, era, em teoria, a que mais ia demorar a ver o filhote fora da barriga. Mas se tem uma coisa que a gente aprende nessa vida de doula é que a única certeza do processo é não ter certeza de nada.

Aí na tarde do dia 21 de março, meu primo Vinícius (marido da Jaqueline) me ligou para dizer que ela estava com muita dor de cabeça. Era um dia bem quente, então recomendei água e descanso e, se não melhorasse em cerca de 1 hora, ir para o médico porque poderia ser pressão alta (até então ela não tinha tido nenhum episódio de pressão acima do normal). Não melhorou, e ela foi até o hospital São Francisco. A pressão, de fato, estava alta, e os exames apresentaram alterações importantes - presença de proteína na urina e alteração no doppler. O médico recomendou internação, mas disse que não havia vagas lá. Esse tipo de situação, pra quem não sabe, é muito comum, não é a primeira vez que acompanho uma gestante desesperada com alterações sérias nos exames sem ter onde se internar por falta de vagas.

Decidimos ir para o HRT, onde, mesmo que não houvesse vagas, tínhamos certeza de que ela seria medicada. Chegando lá, a médica disse que tentariam estabilizar a pressão e, caso não desse certo, seria necessário fazer uma cesariana, apesar da prematuridade do bebê (29 semanas, peso estimado em 800g). Ela ficou internada no próprio Centro Obstétrico.

Foram 3 dias de medicação para tentar controlar a pressão e corticoides para ajudar no amadurecimento do feto. Porém a pressão continuava descontrolada e a quantidade de proteína na urina aumentou em vez de diminuir. Sendo assim, o risco de vida para a Jaqueline foi considerado alto demais para tentar manter a gravidez, e no dia 24 de março, às 14h38min, com 35cm e 845g, nasceu o pequeno Lucas da Silva Baptista, prematuro extremo, mas forte: chorou, fez xixi, teve apgar 8/9. Foi colocado na incubadora.

Como não havia vagas na U.T.I. neonatal do HRT, nosso bebezinho foi levado para a U.T.I. neo do Hospital Regional de Santa Maria, onde segue internado. Está com os pulmões limpos, reagindo muito bem, demonstrando toda a força que gostaríamos de ver em um neném tão prematuro. Agora é concentrar nossas orações e energias positivas para que ele não contraia nenhum tipo de infecção e siga ganhando tamanho e peso para poder ir logo para os braços da mãe e depois para a casinha dele.

A conclusão? Coração de doula tem que ser forte, principalmente para doular família! Titia babona apaixonada...! :)

quarta-feira, 9 de março de 2016

Amor e revolução no nascimento de Ernesto

Cleidinho e Flávia já haviam passado há muito de doulandos para amigos. Conheci a Flavinha num grupo de doulas em que ela procurava uma doula, pois o nascimento do seu primeiro filho, o César, havia sido por uma cesariana mega desnecessária. Encontrei total empatia por parte do casal. Foram muitas rodas, encontros, conversas, até que, quando me dei conta, a amizade já transbordava das questões relativas ao parto e a identificação rolava solta em várias outras áreas das nossas vidas.

Para comprovar minhas palavras, digo que na véspera do parto estávamos nós cinco (meu marido, eu, Cleidson, Flávia e Ernesto) no teatro da Caixa, assistindo a uma peça maravilhosa. Na despedida, minha doulanda queridíssima disse que estava sentindo algumas dores, que qualquer coisa me ligava de madrugada. Estávamos torcendo muito por um nascimento no final de semana, já que Cleidinho e eu somos professores, então tentei não criar expectativas, porque ela já vinha em pródromos há algum tempo, e a maior chance era de ser um alarme falso. Pois é, não era.

Telefone tocou às 2:15 da manhã. Era Cleidinho, dizendo que as contrações estavam ritmadas, de 4 em 4 minutos. Troquei de roupa, catei minha malinha e fui pra lá. Tinha muita gente no apartamento (família de fora de Brasília que tinha vindo para conhecer o bebê quando nascesse e dar apoio ao casal), mas todos dormiam. Flávia estava fazendo um lanche no quarto. As contrações estavam bem tranquilas até, então propus que todos descansássemos o máximo possível. Apagamos a luz, deitamos e tentamos relaxar, mas a calmaria logo passou, interrompida por um "Ai, meu Deus... Acho que a bolsa estourou...". Tinha estourado, sem dúvida uma rotura baixa: muita água de ensopar o colchão e seguir escorrendo pelas pernas.



A partir daí, as contrações se intensificaram, mas ainda estavam bem suportáveis. Cleidinho e eu nos alternávamos nas pequenas tarefas e na companhia a Flávia. E assim fomos seguindo madrugada adentro, uma noite de muita chuva, até que as contrações começaram a vir a cada 2 minutos e estavam bem longas e intensas, chegando a durar 1'30". Pegamos as coisas, acordamos as avós de Ernesto para um beijo de despedida e seguimos para o HMIB com o dia já claro.

Demoraram muito, muito tempo mesmo para chamar a Flávia para ser examinada. Então, no corredor do hospital, seguimos rebolando, respirando, caminhando. Ela "lutava por cada contração", como ela mesma disse, pois, além do hospital ser um ambiente que não favorece o relaxamento, as pessoas em geral se mostraram de fato inconvenientes, perguntando, interrompendo, passando informações óbvias, desrespeitando as contrações... enfim, "cheios de assunto", kkkkkkk.



Quando passamos pelo exame, Ernesto com os batimentos cardíacos maravilhosos, Flávia com 4 cm de dilatação. Após alguma negociação, conseguimos exercer nosso direito e Cleidson e eu entramos com ela, apesar de o HMIB só autorizar um acompanhante. A felicidade e a paz reinaram nas duas horas seguintes à internação. Vários pequenos milagres estavam fazendo com que tudo transcorresse exatamente do modo como sonháramos que seria. As contrações da Flávia se intensificaram com o ambiente mais favorável, e ela começou a se queixar da dor e do cansaço.

Um novo exame de toque mostrou que a contração não havia progredido e que Ernesto estava muito alto. Então embora a Flávia estivesse mais querendo descansar, seguimos a sugestão da médica, caminhando e agachando de tempos em tempos. Mais duas horas se seguiram nesses exercícios, nesse parto super ativo. Flavinha demonstrava sinais de cansaço, mas ainda reclamava muito pouco e conseguia rir e brincar durante as contrações.

No exame seguinte, Ernesto seguia firme e forte, desceu um pouco e a dilatação evoluiu para 5-6cm. Comemoramos a vitória. A médica disse, entretanto, que ele ainda tinha que descer bastante, disse que passássemos as duas horas seguintes exercitando na bola. Mandei mensagem para minhas doulandas dando notícias sobre o parto e elas ficaram um pouco preocupadas, porque já eram 14h, ou seja, 12 horas de trabalho de parto. Pedi pra tirarmos uma foto com cara de "olha como parir é fácil" e Flávia ganhou o prêmio parturiente artista do ano, olha que carinha mais de boa:



Aí deu-se o momento mais tenso de todo o nosso trabalho de parto. Até então, só nos deparamos com anjos. Toda a equipe muito carinhosa, simpática, humanizada e respeitando os desejos do casal, um cenário idílico mesmo. Mas a médica que veio então pareceu um trator. Já chegou reclamando, nos destratando a cada pergunta, dizendo que só estava fazendo um favor para a outra médica, quase me expulsando do quarto quando falei que era a doula. Auscultou os batimentos cardíacos do bebê, que continuavam super bem, e fez um exame de toque, saiu resmungando que nada tinha mudado e que teríamos que escolher entre ocitocina e cesariana. Cleidinho ficou transtornado. Exigiu acesso ao prontuário e à discussão quanto aos procedimentos, negou a ocitocina. Quando a médica disse que ele teria que se responsabilizar por não seguir a conduta indicada por ela, simplesmente respondeu: "Me diga onde eu assino". Todos estávamos muito tensos. Eu tentando apaziguar os ânimos, mas, no fundo, muito cheia de orgulho desse meu amigo, um companheiro e pai consciente, lutando para defender os direitos da companheira e do seu filho.

No meio de todo esse estresse, chegou mais um anjo, creio que o mais iluminado de todos. Lissandra. Até roubei uma fotinho do site da equipe de parto domiciliar dela, Nascentia, para colocar aqui. Vê se não é iluminada, essa mulher?



Ela chegou com o maior carinho, acalmou o Cleidson, disse para não nos preocuparmos porque nada nos seria imposto. Verificou que as contrações da Flávia não estavam mesmo tão eficazes quanto poderiam estar, mas se dispôs a negociar as opções que tínhamos. Ela se assegurou de que a médica anterior não mais nos atenderia, e conversou com a médica seguinte. Nos mostrou alguns pontos de acupuntura para estimular as contrações e combinou de esperarmos mais uma hora e, se a dilatação não mudasse, colocarmos ocitocina.

Depois do tempo combinado, a dilatação não evoluiu além do que já estava, coisa de 7cm. O horário do plantão delas estava no fim e elas disseram que certamente a equipe seguinte encaminharia a Flávia para uma cesariana e que, por isso, colocar a ocitocina seria nossa melhor chance de ter o nascimento via vaginal. Cleidson e Flávia toparam, mas consegui ver o pânico nos olhos da Flavinha. Afinal, eu já havia dito várias vezes que a ocitocina intensifica demais as contrações, causando muito mais dor. A essa altura, ela já estava muito cansada do prolongado trabalho de parto, já quase no limite. Conversando, expliquei que a vantagem da ocitocina era justamente abreviar o trabalho de parto e que, naquele cenário, eu concordava ser nossa melhor opção.

Aí o bicho pegou, né?! Contrações "pacabá" com qualquer mulher.



A essa altura a Flávia já estava pálida, mole, triste. Durante as contrações, gritava, arfava; entre elas chorava. Fazia força. Realmente achei que ela estava no período expulsivo, pelas posições que adotava e pela força que fazia, além de várias vezes dizer que queria fazer o número 2. Não chamamos ninguém e deixamos ela fazer força, na esperança de que Ernesto nascesse sem a intervenção da equipe.

Coisa de uma hora depois, a médica veio examinar: ela continuava com os mesmos 7cm, embora Ernesto tivesse descido. Eram 21h, já. A Flávia já não tinha mais forças para nada, estava física e emocionalmente exausta. A médica sugeriu então a cesariana, que foi prontamente acatada por ela, pelo Cleidson e com a qual concordei plenamente. Todos havíamos chegado ao nosso limite e se eu, que era só a doula, estava exausta, imagina a Flávia? Não havia a menor condição de ela continuar passando por aquele nível de contração até dilatar mais 3cm e o bebê nascer. Com o coração tranquilo por termos feito tudo o que podíamos, aceitei o inevitável, embora, claro, tenha ficado um pouco triste porque queria muito ver a Flávia tendo a experiência do expulsivo.

Aí, cara, é aquela coisa da cesariana, né?! Tudo tão rápido que a gente mal consegue processar... Levaram-na para o centro cirúrgico tão rápido que eu sequer consegui dizer tchau. Sentei no corredor, cansada, pensando em quanto tempo levaria até que nos víssemos de novo. De repente me chega Cleidinho, furioso, com toda razão, porque não o deixaram assistir ao nascimento. Disseram que em procedimentos cirúrgicos não pode entrar ninguém, nem mesmo o pai do bebê. Ficamos ali, então, naquela agonia, até que trouxeram a notícia de que Ernesto havia nascido e de que tanto ele quanto a Flávia estavam bem. Deixaram Cleidinho entrar e tirar foto, mas logo o botaram pra fora dizendo que ele encontraria a companheira e o bebê na maternidade, duas horas depois.



Nos olhamos, ainda bestas entre frustração, raiva, gratidão, mas principalmente muito, muito, muito amor. Levei ele pra casa dele, então, para que ele pudesse tomar um banho, comer e dar notícias aos familiares antes de voltar para junto dos amados que o esperavam.

Desse processo todo, tirei várias lições valorosas, mas ainda não consigo elaborá-las em palavras. Mesmo esse relato demorou muito mais do que o de costume (Ernesto nasceu dia 06/03) porque eu saí muito mexida, muito tocada, e foi uma sequência de acontecimentos fortes, um parto muito marcante do início ao fim.

A essa família sensacional, que conquistou meu coração de um modo único, meu abraço apertado de doula, minhas lágrimas de felicidade pela chegada de Ernesto, meu carinho e minha amizade, no que depender de mim, para o resto da vida.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Gabriel

Gabriela me ligou por volta das 3h dizendo estar sentindo contrações de 4 em 4 minutos. Não esperávamos o Gabriel para antes do dia 10, inclusive a despedida de barriga dela seria hoje na nossa roda, mas parto normal tem dessas coisas: quem sabe a hora certa de vir melhor do que o bebê? 
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Como ela ainda não havia completado as 38 semanas, o plano original de ir para a casa de parto foi por água abaixo e ela optou por um hospital particular coberto pelo convênio dela, então combinamos de nos encontrar no Santa Helena. Cheguei lá às 6h, e já comecei com muito estresse: ela havia sido admitida, estava naqueles boxes da emergência e, como a irmã dele estava junto, não quiserem me deixar entrar apesar da lei garantir à mulher o direito e acompanhante E doula. Fiquei então sem nenhuma notícia dela, esperando a ouvidoria abrir para fazer barraco. Após toda a discussão, mil ligações, mil tudo, finalmente consegui entrar.
A Gabi estava com 5cm de dilatação, bem tranquila, dores suportáveis. Logo o marido dela chegou e a irmã foi embora. Ficamos os três num box mega apertado, super desconfortáveis, durante toda a manhã. Perto do meio dia ela foi novamente avaliada e tinha dilatado só mais um centímetro, estava nos 6. Finalmente nos mudaram para o centro cirúrgico onde pelo menos tínhamos bola, cavalinho e espaço. E Gabriela se movimentava bastante, agachava durante as contrações, sempre tranquila, aceitando as dores, apoiada pelo marido. Muita paz.
Só que a dilatação ia evoluindo muito lentamente. Foram três horas para ela chegar aos 7cm, o que a colocou na linha de alerta do partograma. Os médicos estavam muito tranquilos e pacientes, apenas avaliando os batimentos do bebê e a dilatação dilatação cada uma hora, mas sem pressionar em momento algum.
Por volta das 17h, o médico fez nova avaliação e vou que, apesar do bebê estar ok, a dilatação não havia evoluído nada, o que colocava a situação na linha de ação do partograma. Ele nos deixou à vontade para conversar se a opção seria a ocitocina, a cesariana ou uma transferência de hospital. O casal decidiu que a administração da ocitocina seria a melhor das opções e enquanto o médico não voltava Gabi e eu fizemos vários exercícios para favorecer a descida e encaixe do bebê, na esperança de dispensar a ocitocina.
Aí vem a parte interessante: o médico nunca voltou. Chegou a troca de plantão e o novo responsável estava enrolado no consultório, então só às 19:30 (2 horas é meia após a linha de ação, vejam como é importante agir rápido ‪#‎modoironicoon‬) uma médica que fez uma cesariana na sala ao lado da nossa reparou que ele estava há muito tempo sem avaliação e veio ouvir os batimentos e fazer o toque. Como apesar de todos os nossos esforços a dilatação continuava nos 7cm, a Gabriela foi colocada na ocitocina.
Juro que escorreu uma lágrima de pena na primeira contração pós ocitocina: a Gabriela quase virou do avesso com tanta dor. Caiu de joelhos no chão, chorou, gritou... muito ruim... então diminuíram o gotejamento do soro, que é o correto, e as contrações continuaram vindo muito fortes, muito doloridas.
O médico que assumiu o plantão veio cerca de uma hora depois para avaliar e logo eu soube que o parto não iria acontecer. Dentre as frases que me passaram essa informação estão: "esse bebê não vai morrer no meu plantão" e "ao menor indício, por menor que seja, que o bebê pode vir a ficar numa situação desconfortável, nós vamos para a cesariana". Muito grosseiro, visivelmente irritado com minha presença como doula. Mas o bebê estava bem, a dilatação havia evoluído para 8-9 cm e ele concordou em continuar acompanhando, o que me deu esperança. Eram cerca de 21h.
Gabriela e Sirlei, exemplos e força, tranquilidade e de não se deixarem abater pelo cansaço, continuaram andando pelo quarto, agachando, rebolando, com uma disposição invejável. O médico retornou por volta das 22h, fez o toque e disse que ia indicar a cesariana porque o bebê estava com a cabeça em forma de cone, o que indicava que não ia ter passagem, e que ele não nasceria de jeito nenhum. Eu fiquei arrasada porque eu sei que isso é uma grande MENTIRA. A cabeça em forma de cone é algo que acontece com TODO BEBÊ que nasce de parto normal, e volta ao normal após algumas horas ou no máximo uns 2 dias após o parto.
Gabriela foi para a cesariana e eu fiquei, literalmente, chorando do lado e fora, porque apesar de saber como é bom para a mãe e o bebê todo o processo do trabalho e parto, de saber o valor de cada contração para a saúde do bebê, aquele desfecho era muito injusto para uma mulher tão forte.
Porém, durante a cirurgia, o médico viu que a placenta estava descolada (provavelmente devido às contrações violentas que só a ocitocina sintetica é capaz de proporcionar) me consolou, porque as chances de ela terminar numa cesariana de qualquer forma eram bastante altas. Na minha opinião, o médico indicou cesárea por motivos falsos mas acabou acertando sem querer, tanto que colocou como causa da cesariana o descolamento de placenta e não a cabeça em forma de cone....
Gabriel nasceu às 22:46, com 3.285kg, com os olhos da mãe e com a covinha na bochecha do pai. Nasceu forte e muito saudável, sem sustos.
Na minha opinião de doula, a dilatação difícil da Gabriela tem relação direta com o ambiente hospitalar. Ela nunca havia tomado qualquer remédio na veia ou sido internada, porém tanto o pai quanto a mãe morreram hospitalizados e ela visivelmente ficou traumatizada em relação a procedimentos médicos. Se o hospital é naturalmente um ambiente hostil, que associamos a doença, e que tende a dar uma travada no trabalho de parto, imagina em um caso como o dela? Ela mesma no fundo sempre soube disso, porque desde o início estava convicta de querer parir na casa de parto.
Enfim, minha gente... a ocitocina se fez necessária pela progressão lenta, a cesárea se fez necessária pelo descolamento da placenta e apesar de não ser o desfecho que queríamos, foi uma cirurgia tranquila, mãe mãe bebê estão ótimos e meu coração de doula está tranquilo.
Gabriel, bem vindo a esse mundo doido. Sirlei, Gabriela, vocês são um casal maravilhoso! Muito orgulho de vocês e dessa nova família!

Júlia

Apresento para vocês a mais nova flor que desabrochou em Brasília, a Júlia! 
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 Quando comecei a fazer o curso de doula e educadora perinatal pela Matriusca, tínhamos que escolher uma mulher grávida para iniciar a prática de acompanhamento. Logo pensei na Maristela, minha colega de trabalho que havia descoberto a gravidez há pouco tempo. Ela, mãe marinheira de primeira viagem e eu, começando o percurso de formação na doulagem... Tudo foi muito novo nesta nossa relação, por isso tão bonito também! Cada dia um novo aprendizado, dúvidas que viraram conhecimento e uma parceria que rendeu boas risadas e silêncios bem compreendidos. A linda filha de Maristela nasceu de cesárea no Hospital Santa Luzia no dia 2 de dezembro, com 3,285 Kg e 51 cm. Seu parto teve a colaboração do médico Marcondes, e vale dizer que Mari adorou seu atendimento durante toda gestação. Infelizmente não pude acompanhar o parto, devido às limitações do hospital, mas me senti muito feliz da Mari ter aceito meu convite para ser sua doula, inclusive participando de algumas rodas da Poder de Parir. O mais lindo da doulagem é isso, a relação vai para além da maternidade....é para vida toda! Gratidão a todas mulheres grávidas que nos permitem participar de seu círculo de vida, agregando mais e mais amor à nossa existência 
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Relato de parto da Rosana e do Miguel - visão da doula


Eu e Rosana nos conhecemos a pouco menos de um mês. Ela já é mãe da linda Lavignia (parto normal sem indução), de três anos, e estava a espera do Laerte Miguel. Esse pouco tempo foi de muita intensidade para nós. Rosana viveu nesse tempo questões emocionais delicadas para qualquer mulher, em qualquer fase da vida. Em especial ao final de uma gestação.
Nas dores e dúvidas desse momento, nos apegamos mais ainda uma a outra a visitei quase semanalmente nessas semanas. Lavignia transformou-se em uma mini doula. Quando eu chegava, ela já corria atrás do balde pro escalda pés, conhecia os óleos de massagem e as divisórias de minha bolsa e sempre me ajudou na sagrada tarefa de "cuidar da mamãe". Um dia em especial me marcou: Rosana estava deitada, recebendo uma massagem com rebozo, a pequena, em sua cadeirinha rosa ao lado não quis ficar de expectadora. Puxou a mão da mãe, e começou a massagear. Pura conexão. Puro instinto. Puro amor.
A DPP era pro dia 30 do mês passado. Uma gestação sem intercorrências biológicas/fisiológicas, apesar da cabeça (literalmente) a mil. Sentia como um desafio fazê-la desacelerar um pouco. O mental ocupava todo o espaço e o corpo seguia sereno. 38 semanas, 39, 40. Pressão por todos os lados, ansiosidade crescente. Segunda-feira foi para nova avaliação e a indução foi indicada para a quarta. A ideia original dela era de ir trabalhar de dia, voltar para casa, tomar banho e ir induzir. Combinei de visita-la na terça de noite para conversarmos melhor sobre o assunto. Eu precisava ponderar com ela a necessidade, tempo, procedimentos e consequências no trabalho de parto para aquele corpo que não conhecia a indução. Se ela optasse mesmo pela indução, queria discutir sobre o inicio no procedimento durante a noite privando mais uma noite de sono. Mas, fosse como fosse, estaria com ela. Isso era o fundamental que eu queria deixar em seu coração.
Mas não há nascimento sem morte. Nem morte sem nascimento. A teia da vida nos diz. Ainda na terça, de tarde, Rosana teve de fechar um ciclo na vida. De rompante. Subitamente. Aquela mulher, inegavelmente guerreira e forte, pela primeira vez chorou na minha frente. E viveu seu luto. Miguel parecia esperar que a mãe deixasse partir os assombros de trás de sua porta. Ao nos despedirmos na terça, mais de onze da noite, o sentimento meu e de Suzana (melhor amiga de Rosana e sempre, sempre, sempre presente) era de que Miguel agora tinha o espaço que faltava para poder vir.
E na quarta-feira onde possivelmente a indução seria feita, às 4h30 da manhã, Rosana entra em contato. Contrações fortes. Ela não conseguia acompanhar os intervalos. Por telefone vimos, um pouco mais tarde, que tinham pouco mais de 5 minutos de intervalo. Cheguei na casa dela e o tumulto tomava conta daquele momento que deveria ser de paz e concentração. Rosana foi despersonificada por alguns que lá estavam. Fomos para o hospital em um contexto pra lá de inadequado para uma mulher em franco trabalho de parto. Foi perturbador. Não posso negar que a situação que vivemos entre a casa e o hospital também me abalou. Temi pelo o que viria e fomos em carros separados para o Hospital de Sobradinho.
Acompanhá-la ali já estava virando um desafio e eu não poderia entrar em um cabo de guerra junto dos outros presentes. Tentaram tirar a voz dela. Mas o fluxo da vida é forte, mas sereno. Não conseguiram. Dos seguranças a equipe de enfermagem do acolhimento, todo o carinho, cuidado (e limite) fizeram o tumulto passar. O pai de Miguel colaborou enormemente no fim do conflito instaurado.
E ela foi avaliada: 9 cm de dilação e colo totalmente apagado. No Centro Obstétrico e fomos recebidas de maneira muito amorosa, delicada e cuidadosa pela equipe de obstetrizes. A chefe da enfermagem, Ada (maravilhosa mulher!) ressaltou que ela teria toda a liberdade de escolher onde e como parir. Ela e Juliana nos acompanharam por quase todo o tempo. Só pediu para avisarmos casa fosse no banheiro para que pudessem trazer o necessário. O banheiro, enorme, tinha bola de pilates, cavalinho, barras, chuveiro... Rosana inicialmente queria fica no vaso. E assim foi feito. Ada fechou o registro para que a descarga não entrasse em funcionamento.
Rosana estava se sentindo fraca: havia dormido pouco nos últimos dias e se alimentado pouco. E dá-lhe mel. Horas depois, no segundo toque, os mesmos 9 cm e perceberam que na verdade o colo não estava apagado. Rosana oscilava entre o querer fazer algo que acelerasse o processo e a busca de algum descanso entre as contrações. Saímos do banheiro, fomos para a área reservada. Ampla liberdade de movimento. Mas naquele momento ela queria ficar deitada. A maca foi reclinada e os apoios dos pés colocados para ajudar na força.
As 11h26 chegou o cabeludo Miguel, pelas mãos da Juliana, nascendo também como parteira. Primeira vez minha, dela, do Miguel, da Rosana como mãe desse bebê. Chegou lindo, gordinho e guloso. Foi colocado imediatamente no colo da mãe. O cordão não permitia que ele chegasse ao seio. Esperaram, cortaram o cordão e ele veio com um chorinho de estranhamento do novo mundo que rapidamente passou. A equipe superou minhas melhores expectativas. Nenhuma intervenção, nenhum procedimento não informado e esclarecido.
Enquanto fui avisar ao pai e a Lavignia de sua chegada, o pequeno foi avaliado e passou pelos procedimentos padrão. Veio com um olhão observador, encarando todos e sugando tudo: lençol, mão, braço, dedo, peito. 50 cm e 3.820kg de muita gostosura.
Rosana lacerou. Segundo Ada, a profundidade de cortes bem inferior a episio que fizeram no parto da Lavignia. Apesar disso, foram momentos tensos o da sutura, apesar da anestesia. Avalio toda a experiência hospital do parto da Rosana como 98% maravilhoso. Tivemos dois breves momentos, com outras pessoas da equipe, de um pouco de falta de tato. Questões pontuais e que fazem parte da experiência humana. Não mudam a beleza do que foi.
Meu coração não cabe em mim: pela confiança da Rosana, por ter assistido esse sagrado nascimento, pela partilha desse acompanhamento, pelo olhar de doçura da equipe, pelos muitos aprendizados. Aprendi muito com aquelas mulheres. Passional que sou, tasquei um beijo na Ada (acho que ela assustou :p).
Rosana, pra você já disse e repito: gratidão, gratidão, gratidão, gratidão. Por compartilhar sua intimidade, suas dores, dúvidas, sua casa, seu corpo e seu parto. Não tenho nenhuma dúvida de que o “novo sempre vem” e que sua vida seguirá, com aprendizados, tropeços mas muita beleza. Bem vinda a nova vida, mulher linda, forte, que pode chorar e pedir colo. Que tem muita lindeza pra viver nesse plano. 
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Milena Araguaia, a Raposa.

Letícia

A Vanessa me ligou por volta das 5h da manhã, contando que sua bolsa havia rompido. Por volta das 7h, as contrações já estavam bem doloridas, e fui para a casa dela. Chegando lá, achei que ela estava muito abatida, e tinha razão: os vômitos foram super intensos e ela não conseguia comer. Ao longo do dia. César e eu tentamos de tudo: suco, chocolate, castanha, pão, mel... Mas nada parava no estômago da Vanessa, à exceção de pequenos goles de água ou chá.
Às 9h, seguimos para o consultório do dr. Marcondes. Ela foi avaliada e a dilatação estava em 1cm, com o colo ainda grosso, rígido. Vanessa fez um cardiotoco e já então manifestou o desejo de fazer uma cesariana, pois as contrações estavam doloridas demais. César e eu conversamos bastante, com todo carinho, e combinamos de ir para a casa de uma amiga da Vanessa que ficava bem pertinho do Santa Luzia [Martita, nem te conheço, mas já te considero pacas! Que refúgio foi a sua casa em um dia tão tumultuado!].
Na casa da amiga, Vanessa conseguiu relaxar, dormir um pouco, e já acordou com outra feição. Comeu um pouco de açaí e estávamos conversando quando o doutor Marcondes ligou, porque havíamos ficado de retornar ao meio-dia para nova avaliação e já eram quase 13h.
Embora o colo estivesse mais fino e maleável, a dilatação não havia progredido nada e a Vanessa, muito calma e muito segura, disse que queria partir para uma cesariana. Não se tratava de uma mulher em fase de transição, na famosa hora da covardia, querendo desistir quando o trabalho de parto estava quase no final. O trabalho de parto dela ainda estava no início, ela estava muito segura e tranquila quando decidiu que não queria mais. E aí, doula? Você acompanha, nesse caso? É CLARO QUE SIM! Ela é quem sabe a intensidade das dores que estava sentindo, os limites dela, o cansaço, a fraqueza... A decisão é dela, o corpo é dela! Nossa, então ela sentiu dor à toa? É CLARO QUE NÃO! A Vanessa pôde ter a certeza de que sua filha estava pronta para nascer (certeza que só é possível ter com o trabalho de parto) e as duas passaram por várias contrações, o que permitiu um maior amadurecimento dos pulmões da Letícia e todo um coquetel de ocitocina que ambas receberam.
Dr. Marcondes então encaminhou para a cesariana. Estávamos com bastante bagagem, então me permiti não acompanhar a cirurgia (já que eles nunca deixam a gente ficar com a mulher no momento em que eu mais gostaria, que é depois que o bebê nasce e é levado para os procedimentos) e alguém precisava receber e abrir o quarto, achei que seria mais útil do lado de fora, hehe.
Assim, às 15h20, com 50cm e 2,540kg, nasceu a linda diva Letícia. Segundo o médico, a posição dela não estava favorável, então tudo indica que seria um trabalho de parto longo e dificil. Estive com Vanessa logo no pós-parto, segurei a pequena no colo, conversamos muito sobre todo o processo. Saí com o coração tranquilo e feliz!

Relatos de Parto

Setembro foi um mês muito intenso na minha vida de doula. Pariram sob meu olhar carinhoso e com todas as vibrações positivas do meu ser a Poliana (que ganhou o Ulisses na Maternidade Brasília), a Hileana (que ganhou o Henrique no Santa Luzia) e a Aline, que ganhou o Arthur no HUB. Ganharam seus bebês longe do meu olhar por questões burocráticas que impediram minha entrada, mas foram acompanhadas por mim durante a gestação e pré-parto a Pamela (que ganhou a Mariana no HMIB), a Ana Paula (que ganhou a Estela no HMIB) e a Vanessa (que ganhou a Letícia no Santa Luzia).
Após essa temporada de contemplar muitas vezes a beleza e força da mulher ao ter seus filhos, e de contemplar todas essas novas vidas que chegaram a esse planeta para serem cuidados por essas mãos tão carinhosas de sua mãe, entrarei em um mês mais tranquilo, já que ainda não tenho nenhuma mulher com DPP em outubro. Senti a necessidade de refletir um pouco e compartilhar com vocês o que observei nesses momentos.
1. Como faz diferença a preparação DO CASAL durante a gravidez! A mulher precisa de informações sendo repetidas constantemente de forma que fiquem internalizadas, pois na hora do trabalho de parto e parto ela não tem realmente a menor capacidade de ficar racionalizando as coisas. As informações precisam estar bem claras e amarradas de modo que ela consiga se manter calma, mas a mulher discutir com equipe médica na hora do TP é bem complicado. O companheiro, por sua vez, está sem dor e mais calmo, e é a pessoa ideal para zelar pelos desejos de sua companheira nesse momento. As mulheres que não terão o acompanhamento do pai do bebê têm também que procurar alguém que as acompanhe desde a gravidez e que vai estar junto durante o parto.
2. Como os fatores externos influenciam o início, a duração e a qualidade do trabalho de parto e parto! Impressionante como uma luz baixa, uma música, respeito, silêncio e toque são como mágica para que a dor se torne mais suportável e para que a dilatação progrida! E puxa... como nosso sistema hospitalar não está preparado para isso, viu?! Muito triste mesmo como as pessoas não respeitam o momento da contração, como falam coisas desnecessárias, como falta sensibilidade com aquela mulher que está ali tão fragilizada e vivendo o momento mais importante da vida dela!
3. Como os hospitais particulares têm a aprender com o SUS! Claro que não são todos os hospitais que são bons, claro que ainda - infelizmente - temos relatos de violência obstétrica (principalmente no HRC, o hospital da Ceilândia, fujam de lá a todo custo!), mas tive experiências muito boas no HMIB, na Casa de Parto de São Sebastião e no HUB. Desde a presença de objetos como bola e banqueta de parto até o atendimento carinhosos e respeitoso. Só fico triste por ver como a lei do parto humanizado não é respeitada, e só permitem a entrada do acompanhante OU da doula. Minha gente, como é que uma doula vai impedir o pai de ver nascer sua cria? E como é que o pai vai fazer o trabalho da doula sem ter nenhum preparo para isso? Mas também a estrutura da maioria dos hospitais não permite que cada mulher leve consigo acompanhante e doula, o espaço físico mesmo não permite. Para mudar a maneira de nascer nesse país, precisamos de mais investimento.
4. Como os médicos são desesperados e desatualizados! Parece que a mulher é uma bomba relógio prestes a explodir... Se qualquer coisa sai minimamente do protocolo, eles já querem correr para uma cesariana. Se a pressão sobe um pouquinho, se há diabetes gestacional... Mesmo que a mulher entre em trabalho de parto, é uma falta de paciência com o expulsivo, uma "torcida organizada" mandando a mulher fazer força, força comprida, força sem soltar o ar, que é claro que faz o bebê nascer lacerando tudo... Como, principalmente nos hospitais particulares, a 'hora de ouro' não é respeitada e o recém-nascido é, mesmo sem nenhum motivo, afastado de sua mãe para mil procedimentos antes que os dois tenham a oportunidade de se conhecer, criar vínculo, Desabiê Descubra-se
urtir...
5. Como eu amo o que eu faço! Amo de toda a minha alma! Amo ir contra a maré ensinando às mulheres que elas têm, sim o PODER DE PARIR, que está escrito em suas células, em sua alma e em seu espírito... Como é bom poder informar às mulheres que há, sim, outra maneira, mais doce, mais respeitosa, de trazerem suas crianças ao mundo! Como é bom ajudá-las, passo a passo, a construírem esse parto do qual elas se lembrarão com carinho e com saudade, sem trauma, querendo viver novamente a mesma experiência caso haja uma outra gestação. Como é maravilhoso ver a mulher se tornar a mãe, como é indescritível ver uma nova vida chegando ao mundo, como é mágico e apaixonante o olhar entre uma mãe e seu recém-chegado filho!
Gratidão às mulheres que pude acompanhar até aqui. Ser parte desse momento tão íntimo e tão especial não é para qualquer um, não, sei bem disso!
(Elisa Costa)

Ana Mel

A Daiana Hallen Ibernom me procurou pelo facebook e já veio me surpreendendo quando falou que tinha 5 filhos, todos nascidos de parto normal e que estava na 37ª semana de gestação da Ana Mel, a 6ª filhota. Claro que quis, na mesma hora, marcar para sentar e conversar com ela, já que experiência ela tem pra dar e vender. Assim, marcamos de nos encontrar na roda de gestantes e, como já supunha, ela foi a atração da roda!!!!
Como ainda nem havia feito o curso de doula, me perguntava como poderia ajudar uma mulher que já entende tanto da Arte de Parir, e ela me contou que não queria estar sozinha nesse parto, como nos anteriores. O Marcos, seu esposo, não tinha acompanhado nenhum parto pois nunca haviam permitido a sua entrada.
Na última sexta, a Daiana entrou em trabalho de parto e não conseguiu falar comigo. Acordei às 6:40 e quando vi a mensagem já liguei na casa dela e a Bia, a número 2, já reconheceu minha voz e me deu a surpreendente notícia de que a Ana Mel tinha acabado de nascer em casa e que o SAMU já estava lá cuidando da Daiana. O coração aqui pulou de alegria e eu já corri para me arrumar e ir até o HRAN, pra onde seria levada. Chegando no hospital, encontrei o Marcos sorrindo feliz, em quem dei um super abraço e sentamos para falar desse lindo acontecimento. Os seus olhos marejavam e ele me descreveu a sensação de estarem juntos nesse precioso momento com muita felicidade e emoção. Depois de 5 partos, finalmente o pai não só pôde estar junto, como foi ele quem recebeu a Ana Mel e lhe entregou à Daiana, que pariu lindamente na cama. Em seguida, as crianças entraram eufóricas no quarto para ver a tão esperada irmãzinha e o Heitor, maravilhado disse que era uma "bonequinha".
Depois de me despedir do Marcos, entrei para conhecer a florzinha e ficar com a Daiana, que me recebeu cheia de sorrisos, lágrimas nos olhos e muita história pra contar. Depois de ouvir a sua versão só pude concluir que foi um evento preparado para ser exatamente dessa forma. Se eu tivesse chegado, a teria levado para o hospital. Além disso, o amigo da família que iria levá-los se atrasou e não chegou a tempo. Por fim, o SAMU errou o endereço e só chegou depois. Como não acreditar que essa série de coincidências foi preparada para que ambos tivessem esse momento tão maravilhoso?
Estive com a Daiana e a flor linda da Ana Mel durante toda a manhã e, pra aquecer ainda mais o coração desta que lhes escreve, ainda acompanhei o parto de uma mulher que estava desacompanhada no quarto ao lado. Mas isso é história para outro post.
Por fim, Daiana,fui para meu curso de doula feliz e contente, agradecendo ao universo pela sabedoria que inspira os nossos corpos nessa jornada tão linda que é gestar, parir e maternar. À Daiana e ao Marcos, digo-lhes que foi um imenso prazer não estar presente no parto, já que esse fato contribuiu para proporcionar à vocês esse momento que será lembrado com sorrisos e lágrimas nos olhos por toda a vida. Bençãos, luz e proteção à toda essa linda família!

Estela

Hoje nossa equipe reverencia a força e a perseverança da nossa querida Ana Paula. Ela teve uma cesariana que não conseguiu aceitar por não ter convicção de que fosse necessária e, por isso, na segunda gestação, decidiu empenhar-se ainda mais. Poucas mulheres que cruzaram meu caminho eram tão bem informadas, decididas, preparadas para parir.
Só que as forças do universo nem sempre conspiram a favor dos nossos planos. Estela não deu sinais de querer nascer antes das 42 semanas. E a nossa diva Ana foi firme até o fim. O meio termo que ela encontrou com a médica foi a indução, a qual tive a tristeza de acompanhar. Tristeza porque logo no início a pressão da Ana subiu e não diminuía com a medicação, o que fez a médica indicar a cesariana. Ainda assim, ela não estava convencida e pediu para que a ocitocina fosse retirada e ela ficasse em observação. A médica se recusou, se irritou. Foi um cabo de guerra, médica, enfermeira, técnicas em enfermagem, todo mundo pressionando para que a cesariana fosse feita naquele momento. A Ana já não conseguia pensar, muito menos decidir, só conseguia sentir o quanto não queria aquela cirurgia.
Pedi que todo mundo saísse e me desse 10 minutos com ela. Dei colo, respiramos juntas, procurando um pouco de paz e tranquilidade para que ela pudesse decidir o que fazer. Depois desse tempo, ela sentiu muito claramente que deveria ir embora. Então pediu a alta à revelia, e foi pra casa descansar, absorver, se recuperar. A médica então disse que não poderia mais acompanhá-la, a enfermeira também disse o mesmo.
Imagino o quanto essa noite deve ter sido difícil para ela! Quantas lágrimas, quantos medos...! Porém fico muito feliz de ela ter tido esse tempo para absorver e lidar com a iminência de uma cirurgia, e não ter sido empurrada para ela sem entender nada, como no nascimento da Alice.
Ontem, então, veio a última tentativa dela. Foi ao HMIB, dessa vez com o coração disposto a aceitar qualquer que fosse a decisão médica. Ainda assim, não foi fácil - ela discutiu com praticamente todos os médicos do hospital. Mas a indicação da cesariana foi unânime entre eles e, assim, às 18:04 do dia 27/09, nasceu Estela, com 50cm e 3,140kg.
Incrível como ter filhos, da concepção ao final da vida deles, é tudo sobre perder o controle. Mas é muito difícil quando nosso parto não é como a gente espera. E é complicado para as pessoas entenderem como uma mulher pode estar triste apesar de ter acabado de receber seu filho. Mas a verdade é que a tristeza pelo parto perdido se separa bem da alegria por ter uma criança. Não é preciso sentir uma coisa ou outra, os dois sentimentos podem, sim, conviver. E a elaboração desses sentimentos leva mesmo um tempo.
A você, Ana, minha gratidão por ter me permitido ser parte desse sonho. Estarei com você também na elaboração desse sentimento, tanto quanto você me permitir.
(Elisa Costa)

Arthur

A Aline estava sendo acompanhada pela Clarice e pela Marcela. Nós não nos conhecíamos pessoalmente. Mas o destino escreve as coisas da forma como elas têm que ser. No dia anterior, ela tinha tido várias contrações e parado nos 4 cm, o parto simplesmente parou de progredir. Aí ontem de manhã as contrações voltaram com tudo. Só que Marcela já estava atendendo a Daiana (que pariu em casa, não deu tempo de chegar ao hospital - relato em breve) e a Clarice estava acompanhando a mãe numa cirurgia. E eu? Eu estava de boa na lagoa, kkkkk!
Parti para o Hospital Regional da Samambaia e cheguei lá por volta das 10h, antes da Aline. Aproveitei que cheguei antes e fui ao administrativo conversar sobre a lei do parto humanizado e sobre minha entrada, como doula. A servidora foi muito gentil, tentou negociar com a equipe, mas disse que o hospital estava muito lotado, que estavam mandando gestantes para Santa Maria, e que não estava entrando nem acompanhante. Que o C.O. era muito pequeno e era impossível entrarem duas pessoas com a parturiente.
Quando Aline chegou, expliquei para ela a situação e ela achou melhor não se internar e ir pra casa da esposa do primo dela, o que foi uma decisão acertadíssima. Lá, ela ficou alternando entre o melhor amigo chuveiro e o sofá, na medida do possível eu massageava as costas, acalmava e a ajudava a passar pelas contrações tranquilamente.
Depois do almoço, as contrações se intensificaram e ela disse estar sentindo vontade de fazer cocô. Começou a apresentar alguns sinais de transição (quando a mulher está perto do período expulsivo) e disse que queria ir para o hospital. Conversamos e decidimos ir para o HUB. As contrações começaram a vir quase que sem intervalo, e eu realmente achei que ela fosse parir no carro.
Chegando lá, rapidamente ela foi examinada e estava com 5cm de dilatação. Ela foi internada, e eu me surpreendi muito positivamente com o hospital. Bola, banqueta, um espaço grande, chuveiro à disposição e uma equipe tranquila e humanizada. Como era de se esperar, Aline ficou muito frustrada com a dilatação ainda baixa e ficou triste e calada, sofrendo com a situação. Coloquei uma música, ela foi para o chuveiro, no escuro. No exame seguinte, pouco tempo depois, ela já havia evoluído para 6cm, e eu vi uma nova Aline surgir. Aquele centímetro deu disposição a ela, trouxe de volta a alegria e começamos a fazer exercícios na bola, rir, brincar. Foram momentos maravilhosos, intercalados por dores e chuveiro quente, muito quente. E fomos assim, abraço a abraço, centímetro a centímetro.
Ao chegar aos 9cm, a dilatação estacionou. Segundo a médica, havia ainda uma bordinha de colo que não queria ceder. Ela recomendou a ocitocina sintética, e Aline aceitou. A partir daí, tudo aconteceu muito rápido. As contrações vieram rasgando, ela encontrou uma posição favorável, foi fazendo forças até que, em uma delas, eu consegui ver o cabelinho do Arthur. Chamamos a equipe, que veio para o quarto (Sim, gente, no HUB pré-parto, parto e pós-parto acontecem no mesmo lugar, e isso é mais maravilhoso do que consigo expressar em palavras) receber o pequeno. Aline foi uma guerreira, sentiu o círculo de fogo vir com tudo, seguiu firme nas forças durante as contrações e pouco depois da 0h do dia 26 de setembro nasceu o Arthur, com 47cm e 4,075kg (quebrando o recorde que era do Henrique da Hileana, 4,005kg).
O brilho que vi nos olhos da Aline, a felicidade estampada no rosto, a sensação de absoluta realização são inesquecíveis, e ela deixou sua marca para sempre na minha vida. Arthur chegou forte, chorando alto, com olhos curiosos e apaixonados pela mãe. Foi examinado no colo, já foi apresentado ao seio materno na primeira hora, toda equipe muito cuidadosa para que a hora de ouro não fosse perdida.
Foi emocionante, gente. Quando há afeto e respeito, o parto é uma experiência linda e marcante. Gratidão Aline, gratidão Arthur.

Henrique

Apresento a vocês o grandão Henrique! Ele nasceu às 10:02 dessa primeira manhã de primavera. Grande e gorducho: 55cm e 4.005kg.
Hileana me ligou por volta das 5h, dizendo que estava com contrações de 7 em 7 minutos. Cheguei lá umas 6:45, já ouvindo do corredor os gritos dela durante a contração. Colocamos uma bolsa de água quente, expliquei como lidar com a contração, como vocalizar. Tínhamos pensado em ir a algum hospital próximo para que ela fosse avaliada, mas quando vimos as contrações já estavam de 2 em 2 minutos, e cada vez mais doloridas! Saímos então por volta das 7:15 de Águas Claras em direção ao Santa Luzia, dá para imaginar o trânsito? No carro, muita música boa e muita contração, eu me virando em cinco pra achar posição para massagear as costas da Hileana.
Chegando ao consultório, deixaram a gente esperando um pouco (mal sabiam eles, senão tinham expulsado a outra paciente de dentro do consultório, kkkkkk), e finalmente conheci o dr Marcondes. Tranquilo, gentil, respeitoso e bonitão (pronto, falei!). No exame de toque, a surpresa boa: 9 cm de dilatação! Foi um trabalho de parto super rápido! Daí queriam colocar Hileana na cadeira de rodas pra ir pro Santa Luzia, mas era super desconfortável! Ela preferiu ir andando. Gente, queria ter pensado na hora em filmar a cara das pessoas olhando o médico, a grávida, o Anderson e eu caminhando em ritmo acelerado até o hospital! E quando vinha contração???
Hileana foi levada direto diretíssimo para o centro obstétrico, e Anderson e eu fomos trocar de roupa e nos perder algumas vezes. No centro obstétrico, fiquei positivamente surpresa com o doutor Marcondes. Após algumas forças na maca (que é daquelas inclinadas, quase de cócoras), ele sugeriu - sim, é isso mesmo, ELE SUGERIU, que ela saísse da maca e fizesse algumas forças de cócoras, sentando na bola entre as contrações. Henrique deu uma descida,e o médico achou melhor que ela voltasse para a maca.
O expulsivo foi tranquilo. O ponto alto foi o Anderson trocar a musiquinha de ninar do doutor Marcondes por uma trilha sonora muito mais bacana. E o Henrique vinha, a gente via o cabelinho, e voltava. Então a gente começou a brincar que ele estava escolhendo a melhor música para nascer. E de repente veio uma contração super longa, e Henrique nasceu. Ao som de Beat it, do Michael Jackson. Bom gosto, esse rapazinho!
Ele precisou de um pouquinho de oxigênio ao nascer, mas em menos de uma hora estava recuperado e pôde ir para o colinho da mamãe. Nesse meio tempo, Hileana lanchando e a gente conversando, eu só conseguia olhar pra ela e pensar: "Gente... era essa a mulher que uma hora atrás estava parindo uma criança!", porque ela já estava super forte e bem disposta. Titia aqui babou muuuuuito o pequeno, deu muito carinho pra nova mamãe e voltou pra casa com uma sensação maravilhosa de que o mundo é belo e as coisas podem dar certo!
Bem-vindo, Henrique! Parabéns, casal!

Mariana

Hoje chegou ao mundo a lindinha Mariana, filha da Pamela. Há vários dias ela já vinha tendo desconfortos, cólicas, então estávamos em contato constante e me divertia muito com ela, razão pela qual desenvolvi um carinho todo especial por aquela menina tão espontânea e de bem com a vida.
Ontem, dia 19, minha parceira Marcela me ligou dizendo que a Pam estava com contrações de 5 em 5 minutos. Peguei minha bolsa, busquei Marcela e fomos ao encontro da nossa doulanda. Junto com ela, a mãe dela e o marido, fomos à Casa de Parto, onde ela queria ter bebê, e fomos muito bem atendidas. Ela estava com 2-3 cm de dilatação. Por aquelas razões que só a mulher entende na hora do parto, ela não queria voltar nem pra casa dela (do outro lado da cidade), nem para a da mãe dela (bem pertinho), então decidimos ir para o Parque da Cidade e achamos um lugar bem pertinho para ela deitar, descansar e passar pelas contrações. Aproveitamos, Marcela e eu, para participar da roda de grávidas.
Após a roda, Pamela foi doulada por toda a nossa equipe (Milena e Clarice se juntaram a nós), com direito a reiki, massagem e muito carinho. As contrações começaram a ficar bem doloridas por volta das 15h, então voltamos para a casa de parto. Ela foi avaliada, mas continuava com os 2-3 cm de dilatação. Também foi informada de que a enfermeira estaria sozinha nos turnos da tarde e da noite e que, portanto, não iria internar ninguém. Claro que a Pam ficou bem triste, tanto pelo fato de a dilatação não ter acontecido quanto pelo fato de ter que ir para o plano B, o HMIB. Ela chorou bastante e ganhou nosso abraço e carinho. Então, quis ir para a casa da mãe dela e descansar. Marcela e eu também aproveitamos para irmos para casa.
Por volta das 18h, o Lucian, marido da Pamela, ligou dizendo que as dores tinham apertado um pouco e que eles estavam no HMIB. Ela estava com 5cm de dilatação e seria internada. Fui muito rapidamente para lá e, apesar de mostrar a lei, o certificado de doula, insistir com a enfermeira, Lucian também insistir, não me deixaram entrar junto com ele de jeito nenhum. Muito triste por não poder oferecer conforto a ela, voltei para casa.
Na manhã seguinte, por volta das 9h, recebi mensagem do Lucian dizendo que a Mari ainda não tinha nascido e que a dilatação estava em 9cm. Tranquilizei-o, dizendo que agora estava realmente muito perto, e realmente foi assim. Às 10:14 nasceu Mariana, com 3,990kg.
Como eu não acompanhei o trabalho de parto todo, o relato fica assim meio "capenguinha" mesmo. Mas logo a Pamela estará recuperada e poderá vir aqui contar para vocês como foi, para ela, todo esse processo.
(Elisa Costa)