domingo, 2 de agosto de 2015

GRAVIDEZ - Quando contar? Para quem contar?

Quando me sugeriram este tema para fazer um post aqui na página, fiquei pensando na minha primeira gravidez. Descobri com um teste de farmácia e imediatamente corri para o hospital para fazer um beta, confirmando, assim, a gravidez. Antes da confirmação, minha irmã, meu marido e minha sogra já sabiam. Nunca me passou pela cabeça não contar sobre a gravidez. Marquei, em seguida, a consulta com minha ginecologista, cheguei toda feliz com o beta, e ela me jogou um imenso balde de água fria. Palavras dela: “Não encare isso ainda como uma gravidez. Pode ser uma gravidez tubária, anembrionária, alteração hormonal... Gravidez só é gravidez quando você fizer uma ultra e ouvir o coraçãozinho batendo. E nem adianta fazer a ultra agora porque, pela sua idade gestacional, não vai dar pra ver nada e você vai ficar ainda mais desesperada... Então está aqui o pedido, você espera mais umas três, quatro semanas e aí faz a ultra. Não sai contando pras pessoas, não, porque além de tudo isso que eu te falei, o número de abortos espontâneos nos três primeiros meses é muito alto. Depois dos três meses você dá a notícia para as pessoas”. Fiquei tão em estado de choque que nem contestei. Afinal, eu não estava grávida? É isso que ela estava me falando? Pesquisei e vi que, quando estamos grávidas, os números do beta crescem muito, dia a dia. Repeti o exame, vi que tinha aumentado, e decidi que estava grávida e não ia pensar em todas as hipóteses levantadas pela médica. Tudo deu certo: era gravidez, não tive aborto, e nem por um momento questionei minha decisão de contar pra todo mundo e fazer a maior festa.

Hoje, encaro um pouco diferente. Não por experiência própria, mas de pessoas muito queridas próximas a mim, vejo que contar pra todo mundo e fazer festa pode trazer ainda mais sofrimento diante do que já é sofrido. Minha médica foi muito fria e, de certa forma, cruel, diante da minha empolgação, porém ela estava certa: o índice de positivos que não evoluem para um bebê no colo é alto demais para ser simplesmente ignorado pela mulher. Creio que todas nós conhecemos alguém que já passou por essa triste experiência. Uma dessas mulheres, muito próxima a mim, tem uma rede muito grande de amigos, além de uma família grande e participativa. Ao descobrir a gravidez, ainda muito no início, essa amiga fez a maior festa: contou para todos, colocou no facebook, já saiu comprando as roupinhas... Um mês depois, quando foi fazer a primeira ultra, descobriu que não estava grávida, que não havia no corpo sinal de já ter estado. Até hoje essa amiga não sabe se foi uma alteração hormonal, um erro do laboratório, enfim... A dor foi muito grande, era o primeiro bebê, muito sonhado, planejado... Mas lembro bem dessa amiga me perguntando: “E agora, cara? Como é que eu vou contar isso pras pessoas? Tá todo mundo sabendo, todo mundo comemorando...!”. Quer dizer, além de lidar com a própria dor, esta mulher estava preocupada com toda a sua rede e com frustrar todas essas pessoas... E aí, seria melhor não ter contado?

Meninas, a verdade é que contar ou não é algo muito, muito pessoal. Não serei eu, aqui, que vou te dizer quando e pra quem contar. Mas com base nas minhas experiências, só aconselho a não colocar em redes sociais até o terceiro mês, porque essa foi uma das principais fontes de frustração. Hoje parece que tudo tem que estar no face, né?! O que comemos, para onde viajamos, com quem e onde estamos... Talvez a gravidez seja também um bom momento para repensar toda essa exposição. Ao colocarmos a grande notícia no face, ali estão amigos queridos, mas também conhecidos que quase nunca vemos – será que é tão importante assim que eles saibam da gravidez tão no início? Então nesse primeiro trimestre, que é, mesmo, o tempo de a gente se familiarizar com a ideia de estar grávida, organizar os sentimentos, compartilhe esse momento não com toda a sua rede social, mas com aquelas pessoas íntimas, queridas, que você sabe que, em caso de uma intercorrência, estarão ao seu lado dando apoio. Não contar pra ninguém é muito complicado, hehe, eu jamais conseguiria! Mas contar pra todo mundo pode ser um grande erro.
[Se tiver uma amiga tentando engravidar ou que acabou de descobrir a gravidez, indique para ela esta página. De repente esse post pode ser super útil para ela!]

Que filmes eu devo assistir?

Opa! Que post gostoso! Dica de filmes para as gravidinhas!
Os dois obrigatórios são 'RENASCIMENTO DO PARTO' e 'PARTO ORGÁSMICO'. O primeiro mostra bem a realidade dos nascimentos hoje no Brasil e como nascer se tornou mais um fenômeno mercadológico e capitalista do que algo natural; o segundo, traz vários nascimentos e destaca a importância da conexão entre os pais e como o momento de nascer pode ser algo realmente sublime.
Mas, além desses dois, há alguns filmes que envolvem esse universo de gravidez, parto e maternidade e são gostosos para passar o tempo e refletir.
1. O que esperar quando se está esperando - cinco casais lidando com as surpresas e dificuldades da gestação. É bastante divertido.
2. Ligeiramente grávidos - a história de uma gravidez por acidente e como se adaptar a ela.
3. Olha quem está falando - retrata a vida amorosa da mãe pelos olhos de seu filho.
4. Juno - mostra os dilemas de uma adolescente grávida tentando encontrar soluções.
5. Nove meses - conta a história de um terapeuta infantil e sua reação diante de uma gravidez inesperada.
6. Júnior - o filmes mostra um pesquisador que acabou grávido para testar uma droga inovadora.
7. Bebês - documentário mega master blaster ultra fofo que mostra a rotina de quatro bebês de diferentes lugares, com diferentes costumes.
E aí, lindas? Quais vocês já assistiram? Que impressão causaram? Gostaram? Recomendam?

A gravidez não dura nove meses à toa

É isso. Não importa se a sua gravidez foi super planejada e desejada ou se foi aquele escorregão mor, olhar para o teste e ver o positivo gera uma sensação de total e completa perplexidade. Ficamos olhando aqueles dois tracinhos ou aqueles números elevados e tentando entender se aquilo que estamos vendo é mesmo aquilo que estamos vendo. E rimos, ou choramos, ou rimos e choramos, tentando absorver a mudança fenomenal que nossa vida vai ter nos próximos meses.
Os três primeiros meses da gestação são marcados por uma confusão de marca maior! Visualmente, não há nada que indique que há uma criança se formando em nosso ventre. Acordamos sempre nos perguntando se é aquilo mesmo, se estamos grávidas de verdade. Muitos medos começam a nos assaltar: medo de perder a criança, medo da relação do pai do bebê com nossa(o) filha(o), medo do parto, medo de perder o emprego, medo de não conseguir cuidar... No caso de gravidez por escorregão, ainda há toda a confusão de aceitar ou não a gravidez, de não querer o bebê, de pensar que não é a hora... Pois é, minhas lindas! Essa confusão mental, esses sentimentos tão antagônicos e controvertidos, vão se juntar às incríveis transformações físicas (aumento GIGANTESCO da produção de hormônios, início do crescimento do útero, multiplicação desenfreada das células que formarão o feto, aumento do volume das mamas, etc., etc., etc.) e gerar os famosos sintomas do primeiro trimestre, a partir dos quais muitas descobrem a gravidez. Enjoos, vômitos, sonolência, cólicas, dores nas pernas... Engraçado como uma coisinha tão pequena vira nossa vida de cabeça para baixo. Então o primeiro trimestre é um momento da grávida se voltar para ela mesma... Refletir muito, entrar em contato com esses sentimentos confusos, aceitá-los, processá-los; descansar quando o corpo pedir, manter-se bem hidratada, relaxar, meditar... É hora de a gente tentar reduzir um pouco o ritmo frenético do cotidiano e olhar para nós mesmas e para nosso pequeno bebezinho.
O segundo trimestre é considerado o mais gostoso da gravidez. Aqui começamos a fisicamente parecer grávidas. A gravidez já é um fato consolidado, os medos e sentimentos antagônicos do início da gestação estão apaziguados, já aparece a barriguinha, começamos a sentir o bebê mexendo, mas ainda não temos os incômodos de quando ele está mais perto de nascer. Normalmente é nesse momento que a grávida sente um aumento considerável de energia, de vitalidade. Esse é um bom momento para preparar o enxoval do bebê, arrumar o quartinho (ou cantinho do nosso quarto, hehehe), planejar um chá de bebê e, principalmente, planejar o nascimento dessa criança. Buscar muuuuuuita informação sobre todas as vias e locais de parto, cuidados ao recém-nascido, e pensar no que nos deixa seguras. Uma doula e as rodas de grávidas vão ajudar demais nisso!
Por fim, chega o terceiro trimestre. Nosso amontoadinho de células já virou um bebezinho, e pesa! A barriga fica enorme, o umbigo salta, fica difícil respirar, comer, dormir, sentar, levantar, trabalhar, buscar um copo d’água... Os seios ficam enormes, os mamilos ficam grossos, a aréola cresce... Começa aquela dorzinha sofrida na “perseguida”... Emocionalmente, voltamos a ter medo... Medo de esquecer alguma coisa, medo de engordar demais, medo do parto, medo de sermos desrespeitadas em nossas escolhas, medo da grande mudança que irá se operar... No final da gravidez, ficamos frágeis e vulneráveis. Queremos ver logo o rostinho da nossa criança, mas ao mesmo tempo tememos esse momento. Por isso é tão importante que tenhamos ao nosso redor uma rede de proteção, que segure nossa mão e nos acalme, que nos diga que tudo está como tem que ser... Por isso é fundamental ter uma doula, uma boa equipe médica, uma família bem informada.
Toda a gravidez nos leva para este momento, para estarmos física e emocionalmente equilibradas para receber uma nova vida. Os nove meses não são apenas o tempo necessário para a criança se formar e se desenvolver: são também o tempo necessário para processar, aceitar, planejar e organizar a chegada de um novo ser.

Playlist de parto

Vou colocar abaixo uma lista de músicas que eu adoro e que super combinam com a gravidez e com o momento do parto:

1. A estrada - Cidade Negra
2. Agora eu já sei - Ivete Sangalo
3. Venha - Luiza Possi
4. Vilarejo - Marisa Monte
5. Para tu amor - Juanes
6. Ser pequeño - Nano Stern com Jorge Drexler
7. Sabemos parir - Rosa Zaragoza
8. Anunciação - versão da Ellen Oléria
9. Boas Vindas - Caetano
10. A idade do céu - Paulinho Moska
11. Final feliz - Jorge Vercillo
12. Paciência - Lenine
13. Quando fecho os olhos - Chico César
14. Mainha me ensinou - Maria Rita
15. Pra você guardei o amor - Nando Reis e Ana Cañas
16. Debaixo d'água - Maria Bethânia
17. Reconhecimento - Isadora Canto
18. Um amor puro - Djavan

Ah, vamos falar de enxoval também?

As futuras mamães, principalmente as de primeira viagem, costumam ficar bastante confusas com as listas de enxoval. Eu lembro que, grávida da minha primeira filha, eu não fazia ideia de quantas peças de roupa, de que tipo e de que tamanho comprar. Fora os nomes, que não me diziam nada, como “pagãozinho”, “cueiro”, “moisés”, e por aí vai...
Para ajudar, seguem algumas dicas quanto ao enxoval:
1. NÃO COMPRE. Kkkkkkkk! Mas é sério, segure o impulso! A gente fica morrendo de vontade de comprar tudo o que vê, mas depois fica cheia de itens duplicados, porque acabamos ganhando um monte de coisas de presente! Tenha paciência, adie as compras o máximo possível.
2. FAÇA UMA LISTA. Tenha uma lista, enxuta, do que precisa. Assim, quando alguém perguntar sobre o que dar de presente, em vez de responder que não sabe , você pode dar uma série de opções para a pessoa. Ter essa lista no celular, em aplicativos como o evernote, é melhor ainda, pois assim ela estará sempre à mão.
3. Lembre-se de que você vai trazer um bebê ao mundo, e não se mudar para a Sibéria. A impressão que eu tenho é de que a maioria das mães acha que vai passar o primeiro ano do bebê no alto de uma montanha no Tibet, gente... Não é preciso ter absolutamente tudo antes do bebê nascer! Por exemplo, roupinhas tamanho G – quando é que o bebê vai usar isso? Será que até lá você já não vai poder sair junto com ele e comprar? Se faltar alguma coisa nos primeiros dias, não é o fim do mundo, você vai simplesmente encarregar o papai de ir à loja de bebês mais próxima, ou à farmácia, ou ao supermercado, e comprar.
4. MENOS É MAIS. Conversando com mães de bebês de 5, 6 meses, é grande a chance de você ouvir um “Nossa, comprei e nunca usei”, “Puxa, fulaninho perdeu x roupas e y sapatinhos sem nunca usar”. Tente evitar esse desperdício, num planeta em que a escassez assola a tantos.
5. Pesquise sobre FRALDAS DE PANO MODERNAS. Temos uma imagem muito ruim das fraldas de pano, como algo ultrapassado e trabalhoso. Se você der uma googlada rápida, vai ver que as fraldas de pano modernas são práticas, sustentáveis e LIIIIIINDAS!
6. Compre um SLING. Juro pra você que ele é a coisa mais maravilhosa do mundo! No sling seu bebê vai estar em contato com você, enroscadinho, se sentindo dentro da barriga de novo, vai dormir um monte e você vai continuar com as mãos livres para fazer o que quiser.
7. Compre um BALDE ou OFURÔ para dar banho no bebê. Gente, a banheira dá um trabalho danado para encher, para esvaziar... Banho de balde é muito mais simples de dar e os bebês adora, relaxam que é uma coisa! E logo que possível experimente a delícia que é tomar banho de chuveiro com seu bebê! O primeiro banho de chuveiro da Alice, minha mais velha, foi com 1 mês de idade; do Heitor, com 3 dias, no primeiro cocô terrível de limpar.
8. Quando for decidir sobre o CARRINHO, lembre que o mais importante de tudo é você conseguir montar e desmontar COM FACILIDADE. Não dá para depender dos outros para isso, se não você vai sempre pensar dez vezes antes de sair! O carrinho tem que ser leve e prático!
9. Vá aos BRECHÓS. Sem torcer o nariz, tá?! Gente, bebê usa tudo muito pouco, porque cresce rápido demais!!! As coisas de bebês disponíveis nos brechós são super novinhas, muitas vezes nem usadas, e você compra tudo pela metade do preço das lojas! Aqui em Brasília, recomendo muito o PEÇA RARA, da 307 sul (tem em outros endereços, mas não lembro agora, se alguém puder postar nos comentários, agradeço).
10. Lembre-se de que um bebê precisa mesmo é de PEITO, COLO e CARINHO. O resto é só o resto.
Se você gostou do post, compartilhe com alguém que também possa se beneficiar dele e curta nossa página, tem sempre informações bem legais!

Já ouviu falar do chá de framboesa?

Já ouviu falar do chá de folha de framboesa?
Esse chá é conhecido por suas propriedades medicinais no sistema reprodutor feminino. Há estudos que comprovam que quem faz uso do chá a partir da 36ª semana de gestação costuma ter um trabalho de parto mais rápido, pois as contrações vem mais efetivas.
O problema é que a planta é originária do hemisfério norte, o que torna um pouco difícil encontrar o chá por aqui, mas quem quiser pode encomendar em sites estrangeiros e torcer para chegar a tempo...
Existem chás mais fáceis de encontrar que também dão aquela mãozinha, mesmo não sendo tão específicas quanto a folha de framboesa. Sálvia, noz moscada e canela são alguns exemplos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Nascimento de Heitor



Eu sentia que ele não ia demorar. Iara, minha parteira, sentia o mesmo. Heitor crescia dentro de mim, e eu estava só esperando a hora de ele chegar. Curtia cada dia de barriga como se fosse o último e corria com os preparativos para o meu parto domiciliar. 

Foi longo o caminho que me trouxe Heitor. Alice, minha primeira filha, foi parida no hospital, com todo o acompanhamento e parafernalha médicos, embora eu sonhasse em tê-la em casa – faltou coragem. Com Heitor, já sobrava confiança, e a equipe me foi “revelada” quando recebi um convite para uma palestra com Iara, Ana Cyntia e Paloma, parteiras. Não sabia como convenceria o marido e os meus pais (que moram praticamente junto comigo), mas já sabia mais do que bem o que queria. 

Graças a Deus, tudo se encaminhou em paz e harmonia. Meu marido foi meu super parceiro, como sempre. Meus pais aceitaram sem maiores resistências, após uma conversa com as parteiras e com meu tio, o que muito me surpreendeu. Só a ação divina poderia explicar a simplicidade, a facilidade como tudo se desenrolou. Logo após a conversa, Iara me chamou num cantinho e disse para eu apressar os preparativos para o parto, pois ela sentia que Heitor não ia demorar. Para evitar que as pessoas tentassem me convencer do contrário e eu tivesse que ficar argumentando e reargumentando, explicando como o parto domiciliar é seguro, só compartilhei a decisão com as pessoas que estariam presentes no dia. Para a maioria da família e dos amigos, a chegada de Heitor em casa foi um grande susto. 

 Às 2h40 da madrugada do dia 24 de julho, tive uma ruptura parcial da bolsa, e acordei com o molhado na cama. A partir daí, comecei a ter uma cólica leve. Lá pelas 4h, as contrações começaram, e chamei Iara. Ela chegou às 5h, ouviu o coraçãozinho do Heitor, fez um exame de toque, eu já estava com 4 cm de dilatação, com contrações ainda bem leves e plenamente suportáveis. Ao amanhecer, chegaram a Ana Cyntia (minha segunda parteira), minha irmã e meu tio (que é enfermeiro e um grande parceiro). Tomamos um café da manhã muito animado, todos rindo muito e super felizes com a iminente chegada do mais novo membro da família.

Depois do café, sentimos que a agitação da casa estava demais. Iara e Ana Cyntia sugeriram uma caminhada só com as parteiras pelos arredores de casa. Um sol delicioso, um dia lindo, e as contrações a partir daí ficaram mais doloridas. Iara fez uma nova avaliação: 6 cm. Fiquei bem chateada: achei que as coisas estavam mais adiantadas, pois as contrações estavam bem mais doloridas do que durante a madrugada. Devia ser por volta das 10h30, e a noite não dormida estava me vencendo. Ana Cyntia me disse para tentar dormir. Duvidei que conseguisse, mas as contrações deram, então, uma espaçada de uns 15 minutos, durante os quais eu até ronquei. Mais umas três contrações fortes e resolvi tentar deitar e dormir, mais uns 15 minutos de sossego até que uma contração fortíssima me sacudiu e me levantou de vez. Sentei ao sol com as parteiras e fiquei conversando, eram umas 11h. 

As contrações estavam ainda irregulares, mas realmente intensas. Decidi, então, entrar na piscina montada na minha sala. Imaginei que a água quente fosse aliviar aquela sensação dolorosa e me tranquilizar um pouco. Fiquei sentada e, a cada contração, apoiava as mãos no fundo e levantava os quadris. Quando fazia algum barulho, sentia mais dor, então as fortes contrações transformaram-se num silencioso mergulho dentro de mim. A cada onda, meus olhos se fechavam e eu pensava em Heitor, permitindo-me dilatar, abrir, permitindo a chegada de meu príncipe sem lhe opor resistência. Alice, minha pequena de 1 ano e 8 meses, entrou comigo na piscina. Achei que ela fosse se assustar, vendo a mãe sentir dor, mas que nada! Brincou com a água, curtiu muito o momento piscina dela. 

Durante esse tempo de mergulhos silenciosos e, nos intervalos, paparicos de filhota, as pessoas foram voltando para perto de mim, mas num respeitoso silêncio. De alguma forma, todos sabiam que o momento estava próximo. Iara me pediu, então, que introduzisse um dedo na vagina e tentasse sentir a cabecinha dele. Me emocionei ao ver que estava assustadoramente perto, e me liberei ainda mais para curtir aquela dor, que trazia meu filho cada vez para mais perto de mim. Nesse momento, outra mágica aconteceu: senti Heitor virar-se inteiro dentro de mim. Sabia que ele estava encontrando seu caminho, que faltava muito pouco!

Tiraram, então, Alice da piscina, pois ela volta e meia esbarrava na minha barriga, o que doía muito. O escândalo que ela fez foi de cortar o coração. Quase parei tudo para ir buscá-la, mas sabia que ela estava em boas mãos, e que logo estaria vendo o irmãozinho nascer. Comecei a sentir a pressão da cabecinha dele chegando. Iara me pediu para mudar de posição, para que houvesse espaço para a saída dele. Com muita dificuldade, consegui ficar de joelhos, não era, em teoria, uma boa posição, mas eu já não conseguia mudar. Senti uma forte ardência e uma contração bem forte, e a cabecinha de Heitor saiu de dentro de mim. Mais do que depressa, meu marido lindo entrou na água. Ele se posicionou à minha frente, e Iara colocou a mão de forma a impedir que, na saída, Heitor fosse para trás em vez de para os braços do pai.

Mais uma contração (ou duas) e meu pequeno príncipe nasceu, às 12h06min, acompanhado do grito emocionado da minha mãe, das lágrimas abundantes da minha irmã e do olhar curioso da maninha Alice. Meu marido pegou Heitor da água, e entregou aquele pequeno tesouro nas minhas mãos. Eu olhava para ele sem acreditar que havia acabado, que meu neném já estava nos meus braços, e só conseguia repetir: “Bem-vindo, meu filho, bem-vindo!”. 

 Da piscina, saímos para a minha cama, onde esperamos a saída da placenta e o papai (do Heitor, não o meu, hehehe) cortou o cordão umbilical. As parteiras fizeram um rápido exame, em seguida Heitor mamou. Não tive nenhuma laceração, nenhuma complicação, nenhum problema. Curti meus filhos, juntos, logo após o parto, e tive os dois junto a mim durante todo o tempo posterior. Comi da comida da minha casa e tomei banho no meu chuveiro. Dormi na minha cama, com meu filhote do meu lado. Essas coisas não têm preço!!!!

E estamos vivendo uma linda lua-de-leite, nos amando, todos, mais a cada minuto!

"Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão". (Salmos 127:3)